Hidroterapia

E Alice começou as aulas de hidroterapia! No início eu estava um pouco apreensiva em colocá-la na piscina, pois ela é muito pequeninha ainda, e eu tinha receio que ela desenvolvesse otites ou resfriadinhos. Mas o pediatra dela liberou e a fisioterapeuta da APAE incentivou, então lá fomos eu e a bebê pig brincar na água.

O trabalho de fisioterapia nas crianças com síndrome de Down é de efetiva importância para o desenvolvimento neuropsicomotor delas e a hidroterapia, como coadjuvante desde trabalho, leva a um avanço consideravelmente grande para as aquisições motoras. Tudo começa a partir da satisfação que a criança sente ao estar em movimento, brincando na água e para isso deve ser utilizada uma piscina em que a temperatura esteja entre 32 e 35 graus (estável). Também é importante que a criança confie no terapeuta, livrando-se assim de ansiedades e aflições que a insegurança pelo diferente possa causar.

Para que qualquer trabalho com a criança seja efetivo é necessário lembrar que o “lúdico” não pode ser esquecido, exemplo: brinquedos, brincadeiras, bóias e acessórios aquáticos adequados para cada idade; pois distraem, divertem e estimulam o trabalho muscular e o deslocamento da criança. (fonte)

Ainda bem que eu me animei e decidi fazer a aula. A Alice adorou! E brincando dentro da água ela ficou mais parecidinha com um snork ainda.

Eu e minhas coleguinhas “tacando o terror” na piscininha da apae!

Tia Ale segurando todos os “seus” bebês. Não me deixa cair, tia Ale!

Minha coleguinha “faladeira” Beatriz e minha coleguinha “tempo bom” Lucila.

Não fiquei um charme de maiozinho? Mãe, se anima e compra um pra você também, entrar na piscina de blusa não tá com nada…

Boiando… ê vida boa.

Anúncios

O cabelo da Alice.

Eu tenho mais cabelo que a Elba Ramalho, então podia jurar que a Alice seria igual. Mas para a nossa surpresa, bebê pig nasceu com pouquinho cabelo, lisinho e fininho, e com um moicaninho muito engraçado no topo da cabeça. Passei semanas tentando ajeitar aquela franja emo dela: penteava pra cá, escovava pra lá, sem muito sucesso.

Mas outro dia a Alice dormiu enquanto mamava (pra variar) e eu comecei a brincar com a mechinha dela, fazendo um moicaninho enrolado. Fiquei rindo sozinha, na dúvida se ela tinha ficado mais parecida com a ilustração que eu tinha feito dela antes dela nascer ou com um snork (lembra?).

E agora passo os dias me divertindo escolhendo qual será o laço do dia a decorar o moicaninho da minha pequena. Nada mal pra uma mãe que sonhava ser mãe de menino, pois não tinha muita paciência para rosa, laços e fru-frus. 🙂

O primeiro não.

Eu já imaginava que levaríamos alguns nãos.
Só não imaginava que o primeiro viria de onde veio.

Durante minha gravidez fiz vários planos de como seria minha nova vida com a Alice. Imaginei que até 2014 ela ficaria em casa comigo. Esperei bastante para ter meu primeiro filho, e planejava curtir bastante esses primeiros meses ao lado do bebê. Eu amo minha profissão e adoro trabalhar, mas estava muito feliz e bem resolvida com a ideia de me dedicar a minha pequena nestes primeiros meses.

Mas como diz a letra de uma música que eu adoro: You can plan a pretty picnic but you can’t predict the weather. Podemos planejar um picnic, mas não mandamos no tempo. Então ‘bora reprogramar a vida. Como a Alice tem Síndrome de Down, a maioria dos profissionais que estão nos orientando (pediatra, geneticista, pedagogos, fisioterapeutas…) falam para colocar a pequena na escola regular o quanto antes. Segundo eles nenhuma terapia é tão eficaz e natural quanto o convívio entre diferente tipos de crianças, num ambiente estimulante e promotor da diversidade.

Como eu não planejava colocá-la na escola tão cedo, nem havia começado a pensar nisso: pouco sei sobre métodos pedagógicos, valores de mensalidades e quais são os melhores lugares. Então lá fui eu correndo pesquisar sobre escolas legais aqui em Floripa, para achar um lugar bem maneiro para colocar a pequena Alice.

Hoje ao pesquisar escolas ouvi um sonoro não de um colégio religioso aqui de Floripa. “Não, não aceitamos alunos assim na nossa escola”. A desculpa é de que não estão capacitados para isso. Como falou Eugênia Gonzaga, procuradora da República de São Paulo, no VI Congresso Brasileiro Sobre SD: “Depois de tantos anos de debates sobre educação inclusiva, se uma escola diz que não está preparada, ela não quer estar preparada. Quero reforçar que o direito à educação presente na Convenção é inviolável”. Minha filha tem o direito de estudar onde ela quiser.

Algumas pessoas são da opinião de que “se o colégio não aceita meu filho, e não quer ter preparo para ele, nem vale a pena insistir“. Mas refletindo um pouco percebi que é importante sim escolher as batalhas, mas é igualmente importante fazer valer dos nossos direitos. Se não o fizer, que mensagem estou passando para minha filha? De que não vale a pena lutar pelos direitos dela? Será que se todos se conformarem com o descaso alheio, essa situação evoluirá para um cenário melhor, mais inclusivo? Se hoje em dia existe a inclusão em escolas e leis que protegem alunos especiais, é porque no passado muitos pais sairam de sua zona de conforto e lutaram por uma sociedade mais inclusiva.

Acho que no fundo fiquei assim chocada pois não imaginava que meu primeiro não viria de um colégio religioso. Talvez porque o colégio onde eu estudei a vida toda possui educação especial há quatro décadas e educação inclusiva há duas. Para mim não faz sentido um lugar pregar um tipo de conduta aos seus alunos e agir de outra forma, me parece incoerente. Como disse Albert Schweitzer: “O exemplo não é a melhor forma de educar, é a única.”

“Ah, Carol, porque você não coloca no colégio que você estudou, então?” Porque eu não quero. Quero colocá-la no colégio que eu quiser, com o método pedagógico que eu curtir. Quero poder colocá-la no colégio perto da minha casa, o que tenha a professora que eu gosto, que os futuros irmãos dela frequentarão… Tenho direito de colocá-la no colégio que eu quero e não no que nos aceitam.

Eu acho – ou melhor, espero – que no futuro isso seja visto como algo tão bizarro quanto a escravidão ou ao fato de mulheres não terem direito ao voto. Mas em uma coisa essa escola estava certa. Um lugar que não tem capacidade de lidar com inteligências e aptidões diferentes, respeitando o modo e tempo de aprendizado de cada pessoa não está realmente preparado para educar. Nem a Alice nem a ninguém.

Bobos! 😛

Dicas de leitura:
+ Entrevista com o ator e pedagogo Pablo Pineda, aqui.
+ Educação Inclusiva: Será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos? (Muito bom!)

Bilhete premiado

“Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open
Today is when your book begins
The rest is still unwritten”

E depois de dois meses chegou finalmente o exame de cariótipo da Alice, comprovando a Síndrome de Down. O exame mostra que ela possui a trissomia simples, que é a forma mais comum da síndrome (95% dos casos). Isso significa que eu e o Thomas não possuímos uma pré-disposição a ter outros filhos com alterações genéticas, que era um medo nosso. A Alice foi um bilhetinho premiado do destino, uma chance em mil.

De vez em quando me pego pensando em tudo isso que está acontecendo, e fico maravilhada em como a vida é um livro com várias páginas ainda em branco, que nos reserva muitos capítulos surpreendentes. Mas uma coisa é certa: temos sempre muito a aprender. E agradecer.

+ Entenda mais sobre os três diferentes tipos de Síndrome de Down aqui.
+ E que tal um pouco de fofura do nosso bilhetinho premiado pra encerrar o post? 🙂

Ai ai, é duro ser gostosa… 🙂

De bobeira com minha prima Rafa.

Ô papai, tira esse óculos de mim! Isso é bullying, viu?

De tanto eu chorar, meus pais finalmente me deram uma chupeta, hihihihi. Venci!

Nossa Vida com Alice – O video!

Ufa!

Quase 250 fotos depois… terminei o video do Time Lapse da minha gravidez! Deu uma trabalheira danada tirar todas essas fotos enquanto esperava a Alice, mas valeu a pena. Tá certo que ficou meio tosquinho e a qualidade das fotos podia ser melhor, mas até que curti o resultado final. A trilha é da Regina Spektor, “Us”.

Engraçado como este Stop Motion começou como uma brincadeira despretensiosa e evoluiu para um vídeo muito especial. Ele representa bem este momento inesperado e bonito da nossa vida, a chegada da pequena Alice.

Espero que gostem 🙂 Spread the love!