O primeiro não.

Eu já imaginava que levaríamos alguns nãos.
Só não imaginava que o primeiro viria de onde veio.

Durante minha gravidez fiz vários planos de como seria minha nova vida com a Alice. Imaginei que até 2014 ela ficaria em casa comigo. Esperei bastante para ter meu primeiro filho, e planejava curtir bastante esses primeiros meses ao lado do bebê. Eu amo minha profissão e adoro trabalhar, mas estava muito feliz e bem resolvida com a ideia de me dedicar a minha pequena nestes primeiros meses.

Mas como diz a letra de uma música que eu adoro: You can plan a pretty picnic but you can’t predict the weather. Podemos planejar um picnic, mas não mandamos no tempo. Então ‘bora reprogramar a vida. Como a Alice tem Síndrome de Down, a maioria dos profissionais que estão nos orientando (pediatra, geneticista, pedagogos, fisioterapeutas…) falam para colocar a pequena na escola regular o quanto antes. Segundo eles nenhuma terapia é tão eficaz e natural quanto o convívio entre diferente tipos de crianças, num ambiente estimulante e promotor da diversidade.

Como eu não planejava colocá-la na escola tão cedo, nem havia começado a pensar nisso: pouco sei sobre métodos pedagógicos, valores de mensalidades e quais são os melhores lugares. Então lá fui eu correndo pesquisar sobre escolas legais aqui em Floripa, para achar um lugar bem maneiro para colocar a pequena Alice.

Hoje ao pesquisar escolas ouvi um sonoro não de um colégio religioso aqui de Floripa. “Não, não aceitamos alunos assim na nossa escola”. A desculpa é de que não estão capacitados para isso. Como falou Eugênia Gonzaga, procuradora da República de São Paulo, no VI Congresso Brasileiro Sobre SD: “Depois de tantos anos de debates sobre educação inclusiva, se uma escola diz que não está preparada, ela não quer estar preparada. Quero reforçar que o direito à educação presente na Convenção é inviolável”. Minha filha tem o direito de estudar onde ela quiser.

Algumas pessoas são da opinião de que “se o colégio não aceita meu filho, e não quer ter preparo para ele, nem vale a pena insistir“. Mas refletindo um pouco percebi que é importante sim escolher as batalhas, mas é igualmente importante fazer valer dos nossos direitos. Se não o fizer, que mensagem estou passando para minha filha? De que não vale a pena lutar pelos direitos dela? Será que se todos se conformarem com o descaso alheio, essa situação evoluirá para um cenário melhor, mais inclusivo? Se hoje em dia existe a inclusão em escolas e leis que protegem alunos especiais, é porque no passado muitos pais sairam de sua zona de conforto e lutaram por uma sociedade mais inclusiva.

Acho que no fundo fiquei assim chocada pois não imaginava que meu primeiro não viria de um colégio religioso. Talvez porque o colégio onde eu estudei a vida toda possui educação especial há quatro décadas e educação inclusiva há duas. Para mim não faz sentido um lugar pregar um tipo de conduta aos seus alunos e agir de outra forma, me parece incoerente. Como disse Albert Schweitzer: “O exemplo não é a melhor forma de educar, é a única.”

“Ah, Carol, porque você não coloca no colégio que você estudou, então?” Porque eu não quero. Quero colocá-la no colégio que eu quiser, com o método pedagógico que eu curtir. Quero poder colocá-la no colégio perto da minha casa, o que tenha a professora que eu gosto, que os futuros irmãos dela frequentarão… Tenho direito de colocá-la no colégio que eu quero e não no que nos aceitam.

Eu acho – ou melhor, espero – que no futuro isso seja visto como algo tão bizarro quanto a escravidão ou ao fato de mulheres não terem direito ao voto. Mas em uma coisa essa escola estava certa. Um lugar que não tem capacidade de lidar com inteligências e aptidões diferentes, respeitando o modo e tempo de aprendizado de cada pessoa não está realmente preparado para educar. Nem a Alice nem a ninguém.

Bobos! 😛

Dicas de leitura:
+ Entrevista com o ator e pedagogo Pablo Pineda, aqui.
+ Educação Inclusiva: Será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos? (Muito bom!)

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34 comentários sobre “O primeiro não.

  1. fla3d disse:

    Poxa carol, isso pra mim ja é bizarro nos dias de hoje, como pode uma escola ter esse tipo de atitude? Eu, e imagino que vcs, realmente não esperavam por isso. Tô de cara… manda o Gil Brother bater um papo com a diretora dessa escola aí…

    😀

  2. Cesar Puga disse:

    Que chato, Carol… Bom, nós colocamos a Cecília na escola Vivendo e Aprendendo e estamos felizes com os resultados e com o carinho de todos com nossa pequena. Tanto que o Rafael (filho da Daniela) também entrou lá depois de indicarmos.
    Isso significa que a chegada da Alice não seria uma “novidade” para eles no que concerne a ter um T21 na turma. E, quem sabe, ajudaria ainda mais a formar profissionais engajados na inclusão de nossos filhos.
    Procure pela gente se quiser conversar um pouco mais.
    Abraço do Trio/Quarteto!

    • Débora disse:

      Muito verdade o que você escreveu, a sua pequena tem o direito de estudar onde quiser! Mas sinceramente, uma escola com esse tipo de mentalidade, não é o melhor lugar pra colocar sua bebê, ela precisa de uma escola onze lhe sejam transmitidos não só conteúdos, mas VALORES, coisa que uma instituição mesquinha como essa não é capaz de fazer. Boa sorte na procura pela escola da Alice, eu já fui colega de classe de um menino com SD, e a Alice, mesmo tão pequenininha já está travando uma batalha e tanto! Sucesso, Carol!

  3. Deisy Aguiar disse:

    Carol, infelizmente tenho vivenciado muito esses argumentos desde que Adam nasceu e passei a pertencer a uma lista de pais e profissionais ligados a SD. E incrivel como ainda nos dias de hoje uma escola vem com esse argumento de que nao esta preparada para receber alunos “assim”. Acho que voce toda razao, a opcao de escola para sua filha tem que ser sua, nao da escola, acho que voce tem que fazer uma denuncia no MP e divulgar o nome da Escola, pq eu sei de qual voce esta falando, mas acredito que todo mundo deve saber tambem.

  4. Liliane disse:

    Não te conheço pessoalmente mas acompanho o blog da Alice e tenho mto carinho por ela assim como tenho pela Anna Helena , Laís , Cecília , Bernardo … Sou fã desses baixinhos e seus pais incríveis ! Tenho dois filhos que não têm necessidades especiais , e te digo que o fator determinante para a escolha da escola dos meus pequenos foi a premissa de que não fosse uma escola religiosa , ou seja , que não impusesse a eles uma religião ! Sempre desconfiei desse tipo de escola , e tive sorte em tê-los matriculado em uma escola que é inclusiva ( eles estudam com colegas com SD , autismo, etc e tudo é normal simples assim ) e o mais importante , todas as relugiões são respeitadas pois o foco é dado aos valores de cada um ! Desejo sorte a vc na sua busca !

  5. stellarivello disse:

    Lóu, acho que tens toda a razão. Escolas que não se dizem preparadas, sequer procuraram se preparar, aprender, evoluir. Por que não se informam? Por que não procuram os profissionais que a Pedagogia da UFSC forma com excelência todo ano? Não só a UFSC, como tantas outras instituições de ensino. Mas não o fazem, são pequenos, fechados em sua demagogia. Realmente, não estão mesmo em condições de educar. Fiquei feliz em ver o teu espírito de uma mulher/mãe esclarecida, estudada, forte, que não se retira ao primeiro não. Que ninguém nos tire a dignidade e sobretudo, que aprendam!! Aprendam a valorizar o ser humano, a diversidade, a vida em sua miríade de beleza. Que essa sua força possa fazê-los repensar suas atitudes neandertais e os traga à realidade, que é linda como um campo de tulipas, ou melhor, tulipinhas amarelas, como a Alicinha (que crescerá brincando e sendo feliz com margaridas, rosas e girassóis!). Te amo, conte comigo sempre.

  6. Marina disse:

    Olha Carol estudei pedagogia na UDESC e fico pasma como ainda existem escolas com esse tipo de mentalidade. Eu estudei na Escola Autonomia, não sei se tu conheces, mas acho uma escola muito legal que tem uma propósta de inclusão bem forte. Em vários momentos houveram alunos especiais na minha turma e sempre fomos ensinados a conviver e respaitar as direfenças, não somente em relação aos alunos especias, mas a todos os outros, porque diferenças sempre existiram e sempre vão existir, somos diferentes uns dos outros. Eu me lembro que não havia essa coisa de bulling…. as criaças aprendiam a ajudar o coleguinha que tinha mais dificuldade e era muito legal e saudável para todos esse convívio. Fica a minha indicação pra vc dar uma olhadinha.. hahah Beijão pra voce e pra Alice…

  7. Sônia Rivello disse:

    Quando sua irmã nasceu, e vivíamos momentos difíceis, sempre pensava na escola que poderia propiciar a ela, o que mais me doía era saber que eu tinha estudado em excelentes colégios e ela não, pois não havia dinheiro.
    Era Juiz de Fora, e o governo fez um projeto de escolas/creches de cidade de porte médio e com isso ela aos dois anos foi pra escolinha com ” pedagogia de ponta e gratuita”.
    Quando viemos para Florianópolis, você com 1aninho e três meses começou no Coração de Jesus, bem como sua irmã, pois tínhamos bolsa, por eu trabalhar lá.
    O que me encantava na escola era a diversidade, apesar de ser uma escola de elite, no sentido de preço, Irmã Norma sempre dava bolsas, compartilhava projetos sociais e assim não era uma escola de “riquinhos”, no sentido ruim que isso poderia ter.
    Lembro-me de que em 1984, quando chegamos, havia a classe especial, projeto que era da diretora anterior, Irmã Flávia, sempre solidária e preocupada com os excluídos.
    Poderia parecer algo sectário, mas fora a Apae e fundação era o que havia para as crianças com necessidades especiais.
    Com isso, todas as crianças sem síndromes ou dificuldades PUDERAM APRENDER a conviver e achar, como é, normal o diferente.
    Havia quem reclamasse, mas rapidamente aprendiam o quanto estava sendo bobos!
    A diretora Irmã Norma, certa vez, recebeu um grupo de mães um tanto preocupadas com seus filhos no jardim de infância ficarem assustados com uma criança com SD. Ameaçaram sair da escola. Ao que a Irmã, educadamente mas firme, respondeu: podem sair, para suas crianças, todas as escolas abrem as portas, para esta da qual vocês reclamam só há esta”.
    Depois veio a inclusão por lei, que funciona melhor ainda nas escolas públicas pois há um treinamento melhor.
    Envergonho-me de dizer que muitas vezes fiquei assustada em como trabalhar no Médio, meu segmento , com os alunos ditos especiais. TIVE MEDO, NÃO SABIA DIREITO, mas fiz o melhor que pude e faço-o ainda. Não sabia a língua de sinais, mas sempre cuidei de dar aula olhando para minha aluna ler meus lábios para depois ter o prazer de vê-la participar lindamente com seus colegas da sessão literária, e sempre passava filmes com legendas.
    Lembro-me da Bárbara, no ensino médio, segundo ano, emocionando-se com a história da Moreninha ( e eu achando que ela nem estava escutando no dia) , pois ao final exclamou: que bom que o final foi feliz o da Iracema foi tão triste!
    É, minha Lou, sabíamos dos nãos, mas sabemos mais ainda dos SIM, que se não vierem de pronto iremos buscá-los, cavá-los, pois somos fortes, guerreiras, poderosas e acreditamos, acima de tudo , na melhor pedagia, a do AMOR!
    Eu te amo minha filha, continue assim, como diz o significado do seu nome: forte e feminina!

    • Clarissa disse:

      Tia, vc é demais! Fortes e lindas! Parabéns por todas conquistas maravilhosas que já tiveram e irão ter pela frente! Torço sempre por vcs! Beijo!

    • Maria Angélica disse:

      É isso minha amiga! Concordo com o que disse, mas para completar, como pedagoga, digo que não nascemos prontas, são os desafios que nos movem! Somos de uma geração que não aceitava e não aceita as “coisas” ditas normais, mesmo nas adversidades, lutamos por nós e nossos filhos, digo, por nossa sociedade, por mais que nos mostrem o contrário! Beijos e contem comigo sempre! Angélica.

  8. Clarissa disse:

    Como sempre vc me toca com suas palavras! Realmente é chocante como nos dias de hoje, escolas dizerem não… Mas a Alice vai ficar bem onde aceitarem ela e vc sentir que ela está segura. Sorte na procura! Beijo!

    • Arlete Silva disse:

      Imagine como não deve ser com pessoas de baixa renda então, um absurdo isso nos dias de hoje…tu está muito certa Carol, tem que colocar a tua filha onde quiseres e não onde ela for aceita…direitos tem que valer pra todos…uma ótima sexta feira pros 3…boa sorte na procura…bjão no coração!!!!

    • Fabiano disse:

      Carol, fiquei indignado junto com você. Desculpe usar seu espaço para um desabafo, mas com relação a seu “susto” quanto a ter sido um colégio religioso, em minha opinião nenhum colégio religioso é inclusivo a partir do momento que a liberdade de pensar é vedada ali dentro, criando apenas seres que se excluem mutuamente motivados pela crença. Ainda mais excluindo quem não pode “entender” é lamentável, lamentável…

  9. Viviane disse:

    Oi Carol, tudo bem?! Quero te dizer que acompanho o seu blog e estou encantada com a pequena Alice. Resolvi comentar sobre este post, porque tenho uma escola muito boa para te indicar. Não sei se já ouviu falar no Arcângelo, que fica perto do Iguatemi? Meu pequeno necessita de cuidados redobrados, e lá eu fico super tranquila. Eu o coloquei lá com 5 meses (hoje ele está com 3 anos). Bj, Vica.

  10. Lucia disse:

    Oi Carol, realmente é lamentável a conduta de certos profissionais que se dizem da educação!!!!!! Com certeza da verdadeira educação eles não são!!!! Eu sendo professora já tive a oportunidade de ouvir discursos dos mais absurdos possíveis dentro da rede municipal e estadual. Não pense que será fácil para nós e para nossas filhas, mas acredite que somos fortes e corajosas e vamos lutar sempre por elas e por todos que sofrerem qualquer tipo de preconceito ou discriminação nesse mundo tão louco em que estamos vivendo. Um forte abraço!!!!

  11. Bárbara Maglia disse:

    Oi Carol, encontrei teu blog por indicação de amigos de amigos… Fiquei encantada com tua fofinha e com o blog, tão bem escrito, com tanto afeto. LINDO. Li tudo em um fôlego só! Fui professora de escola infantil, tive uma aluninha (deliciosa) SD e não consigo entender como as escolas podem escolher se privar de uma experiência tão rica para seus alunos e equipe. Porque numa classe inclusiva, aprendem TODOS… Enfim, uma pena… Estive conversando com Mães de crianças especiais – com diferentes necessidades – e o que tenho ouvido são grandes elogios à rede pública. Segundo elas, as creches de Floripa estão com um programa realmente inclusivo e conseguindo prestar um serviço de altíssima qualidade. De repente, vale a pena visitar algumas da região onde moram… Vai saber?! Se não interessar, reforço a indicação do Arcângelo e sugiro uma visita no Espaço Crescer (30242166) que fica no Centro. A escola é pequenininha e eles trabalham com 3 bebês por adulto. Meu pequeno estuda lá e eu confio de olhos fechados! Um grande beijo!

  12. Verginia disse:

    Parabéns pela sua postura! Enquanto muitos se acomodam com um não, alguém tem q encarar de frente e fazer o que é correto, trabalhoso, mas correto!

  13. Letícia disse:

    Olá Carol, fiquei sabendo do blog por meio de uma prima, fiquei supercuriosa e já li todos seus posts. Parabéns pela iniciativa de querer compartilhar essa experiência, abrindo a vida dessa nova família. Parabéns pela força e pela mente aberta que você e seu marido tem, com toda certeza do mundo são pais maravilhosos para a pequena Alice, esse presente na vida de vocês.
    So queria deixar marcada minha admiração por vocês e pelo anjinho que é a bebê, desejo a vocês toda felicidade do mundo! Deus nao os escolheu à toa, vocês são muito especiais.
    Ah, adorei a stop motion, nao tinha como ficar mais linda! Ainda sou novinha, mas quando engravidar vou fazer de tudo para fotografar a gestação, é uma recordação maravilhosa, muito boa idéia 😉
    Estou no aguardo de novos posts, um beijo no narizinho lindo da Alice. rs

  14. Maria Angélica disse:

    Bem vinda ao mundo do discurso versus prática… essa é a educação que ainda temos! Parabéns pela coragem de se manifestar e força viu? Da tia super coruja!

  15. Renata Bruno de Castro disse:

    Oi Carol,
    Soube do seu blog pela Manuela Losso, que é madrinha da minha filha do meio e me apaixonei pela Alice e pelo seu jeito informal e gostoso de contar a linda historia de vcs !!!
    Estudei em uma escola religiosa e a maior lição que aprendi foi que jamais colocaria meus filhos nesta mesma linha de ensino. Eu também não procurei uma escola inclusiva, nem sabia como funcionava até matricular meu filho numa escola que adotava esse modelo e até ele cair na classe da sua xará Carol.
    A carol é uma doce guerreira capaz de iluminar seu dia apenas com um sorriso. Se as crianças “italianas” nos ensinam muito as “crianças da Holanda” nos mostram que a superação não tem limites … nem o amor !!!
    Não tenho como agradecer a Carol tudo que ela me mostrou nesses 5 anos de convívio e o quanto meus filhos são privilegiados de ter uma amiga tão especial. Ela ensinou a eles que as limitações físicas ou intelectuais são coisas muito pequenas, são detalhes. Já que no dia a dia dessa escola a amizade e a união da turma superam as dificuldades da Carol numa troca riquíssima onde todos saem ganhando !!!
    Sorte dos amiguinhos que terão a Alice como coleguinha e quanto a essa escola que se diz não preparada, deixa de dar aos seus alunos o privilegio de conviver com as diferenças e toda riqueza que isso trás !!
    Uma escola assim realmente não esta preparada para educar ninguém !!!!

    Parabéns pelo seu blog, é uma delicia ver as fotinhos e saber dessa historia tão linda e tão cheia de amor !!!!

  16. Fábio Ribeiro "Sagaz" disse:

    Olá Carol e Thomas! Quanto tempo!

    Li o texto e fiquei triste em saber a forma como trataram vocês. Concordo que enquanto as pessoas não lutarem contra esse tipo de descaso, ele continuará existindo. Concordo que, de fato, um dia no futuro esse tipo de situação será algo tão impensável quanto essas coisas que você citou, porque é a tendência natural – mas o tempo que isso demora é relativo ao volume de gente afetado por tal realidade.

    Quanto ao seu choque por ter passado por isso num colégio religioso, vale lembrar: se o colégio religioso é cristão (o normal no Brasil), ele já está errado em si mesmo – visto que Deus afirma na bíblia, várias vezes, abominar toda forma de religião, idolatria, amor ao dinheiro, etc. Logo, não dá pra esperar muita coerência de quem não consegue ser coerente nem com aquilo que diz acreditar. Devem existir outros colégios cristãos por aí, que não necessariamente carregam nomes ou títulos pomposos, e que poderiam tratá-la melhor. Não sei sugerir nomes porque não estudei em Floripa, mas com certeza deve ter.

    Se o método de ensino deles te agrada mais que o de outros colégios, então insista mesmo. Do contrário, você pode perfeitamente levá-la em outro, e ainda assim, comprar briga com esse colégio, e ajudar a transformar essa realidade. Vai saber se esse pessoal não destrataria a Alice por ser filha da “mamãe malvada que vai na justiça”… infelizmente, gente recalcada e vingativa sobra nesse mundo.

  17. Carmen Lucia S. At. Costa disse:

    ‘As vezes, as repostas para as perguntas da vida nos são dadas com os “Não” que recebemos. Religiões são apenas instituições criadas pela Humanidade. O verdadeiro amor incondicional independe de religião. Deus está presente onde houver o amor e só crescemos espiritualmente trilhando por esse caminho. Tenho certeza que você vai encontrar a escola que irá acolher a Alice, com todo carinho que ela merece. Quanto à outra, que pena que não vai ter a experiência enriquecedora de conviver com pessoas mais que especiais. Está perdendo a chance de colocar em prática a teoria.

    Conheci o Blog por meio do facebook e adorei.

    Um grande abraço e Feliz Natal. Um beijinho especial para a Alice.
    Carmen.

  18. deABREU disse:

    sério que você está surpresa de um colégio religioso ser preconceituoso e retrógrado? sério mesmo?
    aproveite a deixa e procure um espaço menos alienante, aposto que tem várias escolas de qualidade aqui em floripa que não são ligadas a obscurantismo

    • carolrivello disse:

      Oi De Abreu!

      Mas sabe que existem também colégios religiosos ótimos e abertos? Assim como existem colégios não religiosos com a mentalidade fechada.

      O legal é pesquisar bem e encontrar um lugar bem especial que se encaixe com a sua filosofia de vida e com os valores que você quer passar aos seus filhos. … como eu disse no texto, eu estudei a vida inteira em um colégio religioso que foi pioneiro em educação para crianças com necessidades especiais.

      E com certeza, tem muita escola legal aqui em Floripa! 🙂 Ainda não decidimos em qual a pequena entrará, mas já temos algumas finalistas bem boas.

      Abraços,
      Carol.

      • camila disse:

        Oi, Carol, tudo bem?
        Você poderia me indicar alguns colégios que você curtiu? Meus filhos possuem espectro autismo e também estou tendo dificuldade em encontrar um.

        Obrigada!
        Camila

  19. Elice disse:

    Olá Carol,

    Também sou mãe de um bebê com SD, o Ícaro. Assim como você, também me revolto com algumas situações, principalmente com a atitude desta instituição de ensino. Isto porque, ainda que a falta de aceitação viesse de alguém leigo no assunto, seria, no mínimo, injustificável. Agora, partir de uma instituição de ensino, responsável por transmitir valores… que deveria ser exemplo na luta pela inclusão é, sem dúvida, inaceitável, inadmissível. Se nós, vítimas deste descaso,permanecermos silentes e não lutarmos pelos direitos de nossos pimpolhos, não estaremos garantindo a eles a tão almejada inclusão, o direito de serem tratados de forma igualitária, sem discriminação, sem preconceitos.

    A falta de preparação não pode servir de justificativa para a segregação!!Outro dia, tive a oportunidade de conversar com uma pessoa entendida no assunto. Ela ministra palestras sobre SD, cujo público alvo são profissionais da educação. Ela disse que o que mais houve em suas palestras são argumentações do tipo “não estamos preparados”. A questão da inclusão data da década de 80, sendo, portanto, inaceitável que tenhamos justificativas neste sentido.

    Sou solidária a você nesta causa!

    Abraços,

    Elice

  20. Luciane disse:

    Bom Dia!!! te indico a APPR, Associação Pedagogica Praia do Riso, fica em Coqueiros, é maravilhosa!!! Trabalha com inclusão. Um abraço e boa sorte na caminhada!!!

  21. Roney G. Pereira disse:

    Incrível uma escola particular não ter preparação para trabalhar com alunos com necessidades especiais? NÃO. Sou professor (atualmente da rede pública estadual) e já trabalhei em escola particular também. Sei como funciona em boa parte delas. Aceitar um aluno destes parece aceitar um alienígena monstruoso. Dura realidade negativa para tais escolas. Atualmente onde trabalho (IEE) tenho um aluno com deficiência visual, mas temos na escolas vários outros alunos com outras inabilidades variadas. A rede estadual, a meu ver, ainda precisa se organizar melhor e dar maior suporte a estes alunos, mas tem cumprido seu papel com profissionais qualificados e espaços para atendimento individual (quando necessário). No caso da rede municipal este serviço já está em um estágio mais avançado. Os alunos além de terem direito a um professor auxiliar (dependendo o caso), que acompanha todas as aulas regulares (também na rede estadual) recebem atendimento individualizado no contra turno para reforço do que foi aprendido e para outras atividades pedagógicas. Não é nenhum bicho de sete cabeças, nenhum esforço tão além do possível, principalmente para uma escola particular, que muitas vezes trata o espaço escolar como uma empresa e não como espaço de aprendizado e desenvolvimento. Visam essencialmente o lucro. Me revolto com este tipo de atitude, em especial por fazer parte do meu cotidiano trabalhar com pessoas tão especiais e adoráveis. Parece haver uma falta de vontade por parte destas escolas, ou melhor, vontade financeira, pois precisam adequar um espaço, contatar profissionais capacitados, treinar professores… UIA QUE RAIVA… #ProntoFalei

  22. luciana disse:

    Que texto maravilhoso. Meu filho tem síndrome de Down e me preparo a cada dia para quando chegar o tempo da escola. Acompanho sempre a Carol e sua linda alice

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