É pig, é pig, é pig!

É pig, é pig, é pig, é pig, é pig!
é hora, é hora, é hora, é hora, é hora.
Rá! Tim! Bum! A-li-ce! A-li-ce!

12meses

Como passa rápido! Um ano atrás nossa pequena Alice nascia, e com ela tantas descobertas e aprendizados. Dizem que ter um filho com síndrome de Down é planejar uma ida para Itália mas aterrizar na Holanda. Mas sabe de uma coisa? A Holanda é LINDA!  E – pais orgulhosos que somos – achamos a nossa Tulipinha a flor mais linda de todo jardim. Vamos fazer uma festinha para a família no final de semana e o tema não poderia ser outro: Bem-vindo à Holanda! (ou: Alice no país das tulipinhas, hehe) 🙂 Obrigada pelo carinho e por fazerem parte de NOSSA vida com Alice.

ilustracao1ano

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O poder das palavras.

Filha de uma conhecida professora de Literatura, cresci entre livros e admirando as palavras. Aliás, desde cedo aprendi que as palavras têm poder, embora nem sempre sejam empregadas para o bem. É através de expressões que perpetuamos o preconceito, ainda que velado ou enraizado. Muitas vezes utilizei palavras como denegrir e judiar sem pensar na origem delas, mas bastou uma breve reflexão (ou uma pessoa chamando minha atenção) para eu apagá-las do meu vocabulário de vez.

Apesar de me considerar uma pessoa atenta a estas questões, antes da Alice nascer eu usava a palavra retardado o tempo todo: falava que eu estava retardada se tinha bebido demais, tinha sido retardada porque tinha esquecido a chave de casa, se um amigo estava fazendo alguma besteira, eu logo falava: “ai que retardado”.

E então bebê Pig entrou na minha vida. E FINALMENTE caiu a minha ficha de que não era legal usar esta palavra, principalmente desta forma pejorativa. Aliás, a palavra foi tão vulgarizada e removida de seu sentido original, que hoje em dia não se recomenda utilizá-la nem para falar de pessoas com atraso intelectual.

Não é ser chata, não é ser politicamente correta, nem mesmo dourar a pílula. Eu tenho plena noção de que a Alice tem atraso motor e cognitivo, e utilizo a palavra deficiência com tranquilidade (embora sempre atenta ao modelo “pessoa-antes”: pessoa com deficiência, e não o deficiente). Utilizar um vocabulário correto e respeitoso é demonstrar carinho. É praticar o bem e a inclusão.

A campanha do site “Spread the Word to end the Word” incentiva as pessoas a pararem de usar a palavra-R como um ponto de partida para criar atitudes e comunidades mais inclusivas para todos. Linguagem afeta atitude e atitudes afetam ações. Eles listam outros motivos para abolir a palavra-R de uma vez por todas:

A palavra-R é exclusiva.

A palavra-R ignora a individualidade.

A palavra-R equipara deficiência intelectual com ser “burro” ou “estúpido”.

A palavra-R machuca.

A palavra-R é ofensiva.

A palavra-R está incorreta.

A palavra-R é pejorativa.

A palavra-R fomenta a solidão.

A palavra-R é discurso do ódio.

rword

E já que estamos apagando uma palavra-R, podemos começar a usar outra.
Que tal Respeito? 🙂

edit: Esse video é muito legal, e fala um pouco mais sobre este assunto:

Mamãe OWL

coruja

The cute side of the moon.

A bebê pode ser PIG mas a mãe é CORUJA mesmo. Nunca imaginaria que eu seria uma mãe tão apegada. Logo eu, que só pensava em trabalho e nunca tive muita paciência com crianças. Aliás para mim um dos maiores desafios da maternidade está sendo justamente não ultrapassar a linha entre ser coruja e a superproteção. Acho que tenho melhorado nisso, ainda que lentamente. A Alice sai ganhando, pois aprende a ter mais autonomia, e eu também, pois vou gradualmente voltando às atividades que gosto tanto, como desenhar. E assim, aos poucos, vou lembrando que sou (e adoro ser) mãe da bebê Pig, mas também sou esposa, filha, irmã, amiga, designer, ilustradora… 🙂

Uma vida cor-de-rosa.

Uma das coisas mais legais de manter este blog, é receber mensagens maravilhosas de amigos, conhecidos e até mesmo de desconhecidos. Um tempo depois que a Alice nasceu, recebi uma mensagem muito linda de uma ex-colega de trabalho, falando que o meu blog tinha ajudado ela a desmitificar a síndrome de Down, e a ter menos medo de engravidar (uma vez que ela planejava ter outro filho só depois dos 35 anos). Fiquei muito emocionada ao saber que meu singelo blog tinha um impacto tão grande na vida de outra pessoa. Mas no final da mensagem ela escreveu algo que me chamou atenção. Ela falava: “Beijos nessa família linda onde tudo é lindinho e cor-de-rosa!”

Opa.

Minha vida não é cor-de-rosa, somos muito felizes, sim, mas minha vida está longe de ser perfeita. E então eu fiquei refletindo… Será que é essa a imagem que eu estou passando? O blog NVCA é propositalmente “pra cima”, pois a internet já tem tanta negatividade e informações ultrapassadas sobre SD, que eu fiz uma escolha consciente em criar um espaço de otimismo, esperança e luta por menos preconceito. Apesar de eu ser, de forma geral, uma pessoa feliz, passo também por diversos momentos “cinzas” onde eu fico triste, quando penso nos desafios que a Alice irá enfrentar.

Aqui em casa temos nossos dias cor-de-rosa mas também muitos dias cinzas. Mas será que sem o contraste do cinza nós reconheceríamos e valorizaríamos a ternura dos dias rosasE eu não sei vocês, mas eu acho cinza e rosa uma combinação linda. 🙂