Sobre moinhos de vento e torres de Pisa

No meu primeiro post no blog NVCA, publiquei um texto da autora Emily Kingsley, que fala sobre como ter um filho com síndrome de Down é como planejar uma viagem para a Itália, mas aterrizar na Holanda. O texto é lindo e nos ensina a parar, respirar e admirar as tulipas, moinhos de vento e Rembrandts que a Holanda nos oferece. Gosto tanto deste texto, que as vezes chamo a Alice de tulipinha e sua primeira festa de aniversário foi toda inspirada em temas holandeses.

Mas, com o tempo, tenho me identificado um pouco menos com este poema e me sentido cada vez menos na Holanda. Não que eu não ache o país um lugar maravilhoso, longe disso. Mas tenho refletido, e penso que toda mãe, ao entrar no mundo da maternidade, compra um bilhete para a “Itália”, mas vai parar em um lugar completamente diferente! Ela pode ter comprado um bilhete que especificava um filho menino e aterrizaram gêmeas meninas no seu colo. Comprou um ticket para um parto na água, e aterrizou em uma cesárea de emergência. Comprou um passagem para amamentação em livre demanda, e seu bebê quis desmamar logo e curte mesmo é uma mamadeira de fórmula.

Essa “Itália” idealizada, onde tudo acontece de forma previsível e como nós planejamos, não existe: você aterriza em um lugar totalmente novo e único. É único pois é formado de pessoas ímpares, formado pela sua relação com seu filho. E está em constante fabricação e evolução pois você e seu filho traçam novos caminhos todos os dias.

independente do seu filho ter síndrome de Down ou não, eu não sei dizer como será este mundo que você irá conhecer. Mas uma coisa é certa: se você passar muito tempo analisando a grama do vizinho, e como ela cresce mais rápido que a sua, perderá um tempo precioso que poderia estar plantando e cultivando flores em seu próprio quintal.

E quem quer ficar somente com torres de Pisa, se você pode ter no seu cartão postal tulipas, gôndolas, pirâmides e o que mais surgir ou decidirmos inventar. E no final das contas, não importa onde você aterriza, o que importa é como você desfruta a sua caminhada neste mundo novo e único.

carolealice

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8 comentários sobre “Sobre moinhos de vento e torres de Pisa

  1. Ivelise disse:

    Carol Rivello vc sabe (primeira vez q digo isso publicamente) que nunca gostei muito desse texto? Quando soube da sD da Lorena recebia toda hora esse texto e tinha uma raiva… Te digo porque: porque penso exatamente como vc explanou lindamente. Tenho duas filhas uma com down e outra não. As duas me trazem igualmente felicidades e preocupações. As duas já me frustraram. As duas já ficaram doentes. As duas já me fizeram chorar. As duas me fazem rir diariamente. As duas me dão orgulho. Pode até ser que a Lorena não seja medica como eu, mas você sabia que minha mãe nunca me incentivou ser medica? Ela achava uma profissão digna mas muito sacrificante. Para milhões de mães ter um filho medico será a maior alegria do mundo. Para minha mãe se tornou uma preocupação com meu bem estar.
    Enfim, ter filhos é isso. Planejamos um futuro mas o futuro é deles e não nosso.
    Eu posso dizer com convicção que amo plenamente minhas duas pequenas, mesmo que elas prefiram ir para Disney ao invés da Itália passar ferias! Beijo grande!

  2. Clarissa disse:

    AL é como se fosse só do pai, a cara do pai, a personalidade do pai, até as doenças e inflamações de garganta… do pai! Mas é o amor da minha vida, cada dia é uma novidade e cada vez mais quero proporcionar a ele um mundo cheio de alegrias… ser mãe é padecer no paraíso… isso eu não tenho dúvida… e nossos filhos serão sempre nossa melhor conquista, o nosso melhor! Por mais que não pareça com a gente…rs… Você é demais, Carol, fico encantada como você trabalha para o bem estar da Alice e como pensa em tudo! Parabéns! Vivo de orgulho!

  3. Val Sudte disse:

    Uma pessoa me disse esses dias a seguinte frase: “Eu não suportaria ser mãe de uma criança especial,nao teria a força que você tem.” Na hora não soube o que responder,as vezes isso acontece comigo. Fico sem ação diante de alguns comentários.. Afinal o que há para suportar? Uma criança feliz,uma criança cheia de vida,uma criança amorosa, uma filha que me enche de orgulho , todos os dias? Mas hoje eu responderia pra essa pessoa o seguinte.. Se amanhã, por qualquer motivo ,seu filho se tornar portador de alguma necessidade especial, você deixaria de ama-lo? Eu acredito que não.. Então não há o que suportar, as mães amam os seus filhos independente de qualquer situação…

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