Muito além das palavras

A novidade legal da última semana: a Alice começou a usar sinais! Quer dizer, quem sabe ela já estivesse usando antes, mas só agora consegui entender. Eu acho muito interessante ensinar sinais para bebês e, no caso da bebê pig, que nasceu com síndrome de Down, julgo o ensino mais válido ainda. Considero este assunto muito interessante, por isso decidi fazer um post resumindo este tema aqui no blog.

Sinais…? Mas hein?

Algumas pessoas me acham meio maluca ensinando sinais para a Alice – sendo que ela ouve bem e não tem apresentado um significativo atraso de fala. Mas comunicar-se vai muito além das palavras. Preste atenção como o seu tom de voz, seus gestos, suas expressões faciais tem impacto na sua mensagem. Ter um vasto vocabulário é importante, mas saber se comunicar, se expressar, também!

Linguagem de sinais e o desenvolvimento cerebral.

“A linguagem de sinais é uma linguagem que pode ser usada por qualquer um e acima de tudo é uma outra língua. O cérebro de um bebê até um ano de idade se desenvolve mais rapidamente do que suas habilidades para a fala, o que faz com que um bebê de um ano de idade seja capaz de entender muitas palavras mas não de se expressar. A linguagem de sinais pode reduzir a frustração dos bebês (e em alguns casos de pais), aumentar a auto-confiança dos bebês e ainda trazer para a criança os benefícios que uma segunda língua trazem ao cérebro de uma pessoa.” (fonte: http://www.linguagemdesinaisparabebes.com.br/)

Uma decisão consciente.

Ao discutir sobre este assunto em um grupo sobre SD que eu participo, a querida Christiane Aquino disponibilizou uma pesquisa em inglês, falando sobre os benefícios do ensino de sinais. Era o incentivo que faltava para eu começar a ensinar sinais para a Alice. Separei alguns trechos interessantes e traduzi, para colocar aqui:

Remington e Clarke (1996) argumentaram que, além de proporcionar um (possivelmente temporário) substituto para o discurso em crianças pequenas, os sinais podem ajudar a reduzir frustração e comportamentos desafiadores (nota da tradutora carol: “chilique”). Eles sugerem que esta comunicação pode induzir e melhorar a interação com outras pessoas o que, por sua vez, ajuda no desenvolvimento da fala.

Vários estudos, incluindo Kouri (1989) e Remington e Clarke (1996), salientam o benefícios dos sinais para o desenvolvimento da fala e da inteligibilidade, com um pressuposto comum de que o uso de sinais pode ser eliminado, ou será abandonado naturalmente pelas crianças, conforme a fala melhora (Abrahamson, Cavallo & McCluer, 1985; Weller & Mahoney, 1983).

Miller sugere que as crianças com síndrome de Down mostram uma vantagem para sinais e que estes podem aumentar significativamente a sua habilidade comunicativa durante um período importante de desenvolvimento. (nota da tradutora carol: minha mãe também lembrou sabiamente que pessoas com SD aprendem mais e melhor visualmente, e a audição costuma ser um ponto fraco, então os sinais se encaixam perfeitamente neste cenário).

Existem também estudos indicam que a linguagem de sinais pode ter benefícios contínua para adultos com SD. Powell e Clibbens (1994) que estudaram quatro adultos com síndrome de Down (todos do sexo masculino). Os avaliadores foram convidados a ouvir os discursos em condições onde eles usavam sinais e em condições em que eles não usavam. A fala acompanhada dos sinais foi sempre classificada como mais inteligível do que a fala sozinha, mesmo quando os avaliadores podiam ouvir apenas uma gravação de áudio dos adultos falando. Esta descoberta é interessante, tendo em conta um argumento frequentemente usado contra o uso de sinais (que os parceiros de comunicação serão restritos para aqueles que conhecem o sistema). Se leva a entender que a linguagem de sinais torna mais inteligível o discurso e pode beneficiar a comunicação, mesmo que o interlocutor não entenda sinais.

Comunicação integrada.

Eu sempre me preocupo e me expressar claramente e sempre falar juntamente com os sinais. No caso da Alice, utilizo a linguagem de sinais para somar, e não para substituir. Eu optei pelo o ensino do ASL (ao invés de libras, por exemplo), pois encontrei mais e melhores materiais ensinando o American Sign Language. A série “Baby singing time” é fantástica, e eu morro de pena de não ter algo similar em português:

Como a Alice ainda não assiste TV, e eu tenho receio que o inglês a confunda um pouco, eu acabo vendo os videos, aprendendo, e ensinando para ela. É até legal desta forma, pois os sinais são incorporados normalmente no dia a dia. Eu gosto muito também como o ASL é intuitivo, de modo que até mesmo quem não o conhece, consegue inferir os significados. Vejam um exemplo:

E, finalmente…

Vários bebês aprendem primeiro o sinal de “mais/more“, pedindo mais comida. Como a bebê pig não é lá das mais comilonas, aprendeu primeiro o sinal de “acabou/all done” também conhecido como “deu de comer me tira desta cadeira pfv quero ir pro chão brincar“. Na realidade ela já usava vários “sinais” antes, como “vem aqui”, “tchau”, “cadê”, entre outros, mas o “acabou” foi o primeiro ASL oficial que ela fez. O correto seria utilizar as duas mãozinhas, e não somente uma como ela usou, mas está valendo! Acho que como eu faço o sinal segurando a colher, talvez eu mesma tenha feito somente com uma mão várias vezes, e ela aprendeu assim. No início eu fiquei na dúvida se seria um tchau, mas depois lembrei que o tchau da Alice é muito diferente (ela dá tchau parecendo o maneki neko, aquele gatinho que balança a mão pra cima e para baixo, hehe, fofa!)

Ficou animado?

Caso você tenha ficado animado em ensinar sinais para seu filho, converse com um fonoaudiólogo ou outro profissional especialista no assunto. 🙂 Cada caso é um caso, então vale sempre a pena procurar ajuda profissional.

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12 comentários sobre “Muito além das palavras

  1. Cesar Puga disse:

    Oi, Carol. Nós também fizemos um pouco de estimulação usando ASL com a Cecília, ela prefere o sinal de “mais”, hehehe… Tenho ainda algum material de ASL (livros e vídeo em inglês), se quiser dar uma olhada é só me dizer. Beijos do quarteto para vocês!

  2. barbaramuller disse:

    A cada vez que entro no blog aprendo recebo um novo estímulo, aprendo algo novo. Carol, continue estimulando (a Alice) e a todos nós, seus leitores admiradores. =)

    um grande beijo, Bárbara.

  3. deisy disse:

    Que gracinha ela fazendo sinais 🙂 o comilao aqui de casa aprendeu primeiro mais, claro, Alias, alem do sinal foi a terceira palavra (depois de papa e opa) que ele aprendeu a falar – bais! beijos nas duas.

  4. Heloisa disse:

    Ela é sempre encantadora!!!!!!! Carol Muito bom isso, aqui onde moro não tenho essas informações, pois aqui pra SD só APAE, e não desmerecendo porque eles fazem um trabalho incrível, mas penso que precisamos de muito mais informações e seu blog sempre traz uma luz pra mim!! Muito Obrigada!!

  5. Gabriela disse:

    Carol, adorei o post e a Alice esta muito fofa! Eu tenho uma teoria para o pé: ela usa o pé porque fez o sinal com a mão e vc perguntou várias vezes… então ela tentou fazer com o pé para ter certeza que vc entendia! hehehehe…. muito legal ver sua pequena evoluindo e vc compartihando isso com a gente. Aproveito para agredecer a citação do blog em um post – acho que uma amiga estava pedindo dicas e vc encionou o GabynoCanada (fiquei super orgulhosa). Eu não consegui comentar no post então vai aqui meu muito obrigada. Beijos

  6. Clarissa disse:

    Carol! Mas que vontade de apertar e cheirar muuuuuuuuuito a lindeza da Alice!!! Parabéns pela dedicação! Beijo!

  7. Bianca Fiorini disse:

    Olá, entrei no blog para ler sobre essas maravilhosas experiências e sobre essa lindeza que é a Alice. Vi a partir de um post no site http://www.hypeness.com.br/ e achei tudo incrível e emocionante. Esse post me chamou atenção, pois gosto muito de estudar sobre comunicação humana, além disso, sou terapeuta ocupacional e atendi crianças com SD, minha paixão ter contato desde pequeninos e ver o quanto se desenvolvem! É lindo. Estudei e continuo estudando sobre Comunicação Alternativa e Suplementar, já ouviu falar? Utilizei com uma criança em período pré-escolar com SD e foi muito bom ver sua participação em atividades escolares, comunicação com os amiguinhos e com o professor. Foi algo que a estimulou muito! Além de atividades de contação de histórias utilizando também materiais de Comunicação Alternativa. E foi bem o que você comentou, é algo que vai auxiliar durante um período e estimular a comunicação futura. Bom, é isso! Um abraço!!

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