O portador caiu

Como eu já comentei antes por aqui: Utilizar um vocabulário correto é demonstrar respeito. É praticar o bem e a inclusão. 🙂

Há quem não ligue para os termos usados para falar de pessoas com deficiência. Eu definitivamente não faço parte desse grupo! 🙂 Acredito no poder das palavras e já escrevi aqui no blog como a linguagem afeta o pensamento que por sua vez molda nossas atitudes. Eu por exemplo não gosto quando falam que uma pessoa com SD “é Down“. Explico: a pessoa tem síndrome de Down, ela não É a síndrome. Minha filha É a Alice, ela É uma menina linda e ela TEM síndrome de Down. A pessoa em primeiro lugar sempre. Também não curto o termo “Downzinha”. Como lembrou minha colega Daysi em seu blog “Tecendo a vida“, nossa vida é feliz, não precisamos de eufemismos. Nossos filhos não merecem pena, e sim respeito.

descrição da imagem: Um desenho da Alice segurando um cartaz com as palavras downzinha, tadinha, anjinho, portadora, riscadas. Abaixo delas o nome Alice circulado, com uma seta apontando e um sorriso feliz.

descrição da imagem: Desenho da Alice segurando um cartaz com as palavras downzinha, tadinha, anjinho, portadora, rasuradas com um risco vermelho. Abaixo delas o nome Alice circulado com um traço azul, com uma seta apontando e um sorriso feliz.

Por isso, resolvi colocar aqui no blog um texto elaborado pela Patrícia Almeida, explicando quais os termos atuais e corretos para falar de pessoas com deficiência. Segue ele abaixo:

O portador caiu.

PESSOA COM DEFICIÊNCIA é o termo correto e legal desde a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm).

Uma pessoa pode portar (carregar, trazer) carteira, guarda-chuva, um vírus… mas uma pessoa com deficiência TEM aquela deficiência, não pode deixá-la em casa.

TIPOS DE DEFICIÊNCIA
Use os termos escolhidos pelas próprias pessoas com deficiência e que estão na Convenção:
– deficiência sensorial – pessoa com deficiência visual (cego e pessoa com baixa visão) e pessoa com deficiência auditiva (surdo)
– deficiência intelectual (síndrome de Down e outros)
– deficiência física (pessoa paraplégica, pessoa tetraplégica, pessoa amputada…)
– deficiência múltipla (mais de uma deficiência, surdo-cego, etc)
– transtornos do desenvolvimento – pessoa com autismo

A PESSOA VEM SEMPRE EM PRIMEIRO LUGAR
Ao invés de se referir aos indivíduos com deficiência como deficientes, prefira colocar a pessoa com deficiência em primeiro lugar. Ou seja, diga aluno com autismo, professora cega, funcionário com síndrome de Down, usuário de cadeira de rodas, e assim por diante.

ACESSIBILIDADE:
– Deve ser garantida, inclusive na comunicação (impressa, sites, etc).
Por exemplo, quando postar uma foto ou mandar um email, lembre-se que pessoas cegas podem estar recebendo a mensagem. Faça a descrição da imagem, inclusive de convites em arquivos de imagem (jpeg, etc). A regra é: tudo que não pode ser iluminado com o cursor, não dá pra ser lido pelo leitor de texto do computador.
– No caso das pessoas surdas, nem todas usam Libras (a língua brasileira dos sinais). Muitas são oralizadas, ou seja, fazem leitura labial e falam. Algumas usam as duas formas de comunicação. O celular é um grande aliado da comunidade surda. É comum a comunicação por mensagens de texto. Também começam a surgir pessoas que se comunicam através do tablet.
– As legendas de video/filmes são necessárias como forma de acessibilidade, o que beneficia os surdos e também outros segmentos da população como idosos e pessoas com deficiência intellectual. Além disso as legendas possibilitam que o espectador leia o que está sendo dito, quando o volume do televisor estiver baixo.
– Filmes e videos em português devem ser sempre legendados para garantir a acessibilidade.
– A acessibilidade na informação também deve ser garantida a quem tem deficiência intelectual. Textos mais diretos, simples são mais fáceis de entender por qualquer um. Uso de imagens e infográficos, são algumas estratégias que também beneficiam toda a população.

Educação:
– A educação inclusiva em escola regular é garantida por lei. A desculpa de que a escola não está preparada para receber estudantes com necessidades educacionais específicas constitui crime constitucional.
– O ensino especial deve dar suporte para o aluno frequentar a escola regular (mas nunca substituí-la).
– As escola, públicas e privadas têm que provar ao Ministério Público que lançaram mão de todos os recursos possíveis antes de dispensar qualquer estudante.

Trabalho:
– A deficiência deve ser encarada apenas como mais um atributo do cidadão. A empresa que diz que não pode contratar para cumprir a legislação de cotas deve buscar meios de se adaptar.

Inclusão leva à Inclusão – Mostre atitudes e histórias inclusivas.

– A Convenção ainda é desconhecida de juízes e das próprias pessoas com deficiência. Ajude a torná-la conhecida citando-a nas matérias.
– Entreviste as próprias pessoas com deficiência, não seus familiares, acompanhantes ou especialistas.
– Evite a exploração da imagem do coitadinho, da tragédia, da desgraça.
– Procure abordar temas que afetem a qualidade de vida do cidadão com deficiência como transporte, moradia e saúde acessíveis, escola, oportunidades de trabalho e discriminação.
– Fuja da palavra especial. Ela foi usada durante muito tempo como um eufemismo, para “compensar” a deficiência. Ainda pode ser usada referente à educação (necessidades educacionais especiais), mas mesmo aí é preferível e mais correto dizer necessidades específicas.
– Tome cuidado com histórias de superação, heroísmo. Tente mostrar o personagem como uma pessoa qualquer, use uma abordagem positiva, mas sem ser piegas.
– Não reforce esteriótipos: (trabalhadores com deficiência são melhores e mais esforçados do que os trabalhadores sem deficiência, chegam na hora, não faltam… pessoas com síndrome de Down são anjos, tão ingênuos e carinhosos… funcionários cegos têm muita sensibilidade, etc.)
– Prefira palavras neutras – no caso da síndrome de Down, diga ocorrência, evento ou condição genética.
– Não use palavras negativas (defeituoso, excepcional, doença, erro genético, paralítico, ceguinho, surdo-mudo, mudo (a pessoa sempre emite algum tipo de som, portanto não é completamente muda), mongolóide, retardado, mutação, sofrer, anomalia, problema, acometer, risco, preso ou condenado a uma cadeira de rodas… etc)

Ex: No lugar de: O risco de uma mãe ter um filho com síndrome de Down aumenta com a idade.
Prefira: A probabilidade de uma mãe ter um filho com síndrome de Down aumenta com a idade.

Na primeira frase, ao usar a palavra risco, faz-se julgamento de valor, induzindo o leitor a pensar a síndrome de Down de forma negativa.

Para maiores informações:

Texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm
Convenção: a carta de alforria das pessoas com deficiência
http://www.inclusive.org.br/?p=3307
Terminologia
http://www.inclusive.org.br/?p=41
Inclusão é mais rápida com o apoio da mídia
http://www.inclusive.org.br/?p=18150
Lei da Acessibilidade – LEI Nº 7.853, DE 24 DE OUTUBRO DE 1989.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7853.htm
Art. 8º Constitui crime punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa:
I – recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta;
II – obstar, sem justa causa, o acesso de alguém a qualquer cargo público, por motivos derivados de sua deficiência;
III – negar, sem justa causa, a alguém, por motivos derivados de sua deficiência, emprego ou trabalho;
IV – recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar e ambulatorial, quando possível, à pessoa portadora de deficiência;
V – deixar de cumprir, retardar ou frustrar, sem justo motivo, a execução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta Lei;
VI – recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil objeto desta Lei, quando requisitados pelo Ministério Público.

Por Patricia Almeida
Inclusive – inclusão e cidadania

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Caixa de ferramentas.

caixa

na imagem: duas caixas de presente, uma com tons sóbrios e outra com tons coloridos.

E se quando você fosse educar seu filho, você se deparasse com duas caixas? Na primeira caixa você encontra prazos, cobranças e exigências. Na outra caixa você descobre várias ferramentas coloridas. Explico: Assim que a bebê pig nasceu eu recorria com frequência à primeira caixa, era super preocupada com milestones, datas, etc. Com o tempo fui percebendo o óbvio, minha filha não é um robô e educá-la não é uma receita de bolo.

Cheguei a esta conclusão graças à própria Alice. Ela mesma foi me mostrando que é muito esperta e tem o tempo dela para atingir os marcos do desenvolvimento. Por isso, hoje em dia, tenho remexido muito mais na segunda caixa, a colorida caixa de ferramentas! Sabe, já que a Alice tem seu tempo para tudo, o melhor que eu posso fazer é oferecer uma estrutura estimulante (“dar ferramentas”), para que ela atinja todo o seu potencial e evolua com autonomia.

Se com a primeira caixa eu colocaria a Alice em pé contra sua vontade, para ela caminhar logo, com a ajuda da segunda caixa eu coloco barras e espalho móveis pela casa, que despertem o seu próprio interesse em ficar de pé. Ações simples como colocar um brinquedo que ela gosta em cima de um sofá, ou aproximar dois móveis (para ela passar de um para o outro caminhando) são muito mais naturais para a criança, que experimenta com alegria suas vitórias. Vitórias que são suas.

Eu não tenho formação em educação infantil, não sou a melhor mãe do mundo (e nem tenho pretensão de ser.) As reflexões e dicas que coloco aqui no blog são fruto da minha realidade e do meu pouco aprendizado neste meu curtíssimo tempo como mãe. Dito isso, eu precisava registrar este desabafo. Para lembrar a mim mesma e aos que convivem com a Alice de sempre respeitar o tempo e o potencial dela, e usar cada vez mais a segunda caixa. A colorida caixa de ferramentas. 🙂

caixa2

na imagem: caixa aberta, com vários elementos coloridos saindo dela, como flores, pássaros e borboletas.

Nossa vida com Férias!

Pensando bem, não foram bem férias, e sim recesso. Pensando bem de novo, eu sou mãe e freelancer, então não teve nem recesso. Mas mesmo assim deu para sair da rotina e aproveitar um pouco este final de ano. 🙂

Teve bebê grinch destruindo a árvore na véspera de Natal:

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Teve muita brincadeira com a prima Rafa:

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Teve mar, areia e bagunça na casa de praia dos avós:

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Teve visita de parentes de minas e Reveillon aqui em casa:

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Eu e a bebê pig desejamos um 2014 alegre, surpreendente e inesquecível para todos! 🙂

2014