Gerenciando ansiedades

“Não tenho tempo pra esperar a hora
Tem que aqui tem que agora
Agora não, já!”

Adoro esse trechinho da música “Eu sou um bebezinho” do “Palavra Cantada”. Adoro porque né? Me identifico. Eu sou uma pessoa ansiosa, daquelas que tem bruxismo desde criança. Quero resolver tudo. Agora. Um dos ensinamentos que a chegada da Alice trouxe foi, sem dúvidas, respeitar que as coisas tem seu tempo. Li certa vez uma frase genial: “9 mulheres grávidas não geram um filho em um mês”. E é bem por aí, muitas vezes não adianta você querer que algo aconteça logo, certas coisas estão fora do seu controle. Acho que a origem da minha ansiedade justamente vem de querer controlar tudo, inclusive o tempo.

Pra complicar ainda mais, de umas semanas pra cá eu fiquei com a impressão que a Alice deu uma “empacada” no desenvolvimento motor. O bichinho da ansiedade voltou a me cutucar e confesso que me senti um pouco hipócrita. Será que eu era tão tranquila com o desenvolvimento da Alice porque no final das contas ela não tinha tanto atraso assim? E foi só ela atrasar um pouco mais para eu ficar impaciente novamente?

Estou tentando melhorar, e com o passar dos meses aprendi a respeitar o tempo da Alice: fui ficando mais calma, pensando menos em questões futuras e que fugiam ao meu alcance. Aliás, um dos objetivos do #NVCA é transmitir esta filosofia para os leitores, estimular seus filhos mas entendendo o tempo deles. No entanto é bem difícil traçar essa linha, não é mesmo? Até onde a paciência vira conformismo? E como distinguir estimulo saudável de uma pressão inadequada? A maternidade (e parternidade) traz muitas reflexões, e saber onde desenhar esta linha é um dos meus maiores desafios. Sei que muitos se identificarão com esta angústia.

Tenho que relembrar sempre (e isso é um belo exercício para gerenciar ansiedades) que não posso vincular minha alegria em ser mãe e meu orgulho da Alice somente às suas conquistas. É injusto comigo e principalmente com ela. Minha alegria deve estar entrelaçada principalmente à minha profunda gratidão por tê-la como filha.

cute

Minha maior alegria é ter essa figurinha ao meu lado todos os dias. 🙂

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11 comentários sobre “Gerenciando ansiedades

  1. Renato Santos disse:

    Olá,

    Acredito que essa ansiedade pelo desenvolvimento da criança em todos os sentidos, é normal em toda mãe e todo pai que acompanha e se preocupa com o desenvolvimento do seu filho ou filha, saber administrar para não criar sempre uma sobrecarga de expectativa é o segredo.

    Atenciosamente,

  2. Teresinha disse:

    Com certeza esta sua mensagem veio ao momento que estamos vivendo!! Betina esta com 1 ano e 5 meses. Pena vc não morar aqui no Rio! Caso tenha alguma viagem pra cá, não deixe de nos comunicar. Gde bjos Teresinha Sampaio Avó da Betina

    Enviado via iPhone

    >

  3. Isa disse:

    Entendo bem, uma vez que Mari não tem nenhum dentinho, e não fala mamãe, nem papai, mas um dia saiu “gato” . Temos mesmo que aguardar, sermos pacientes e agradecidos! Afinal desejamos filhos. E aí estão né! Beijos na princesinha!

  4. claudia disse:

    Coisa mais linda desse mundo é acompanhar o desenvolvimento de nossos bebês. Meu filho tem SD, está com quase 8 meses e é a joia mais preciosa do universo. Aprendo cada dia mais com ele, que é meu anjinho amado. Tenho um blog também http://www.olhosdemeialua.blogspot.com (ainda em construção, um pouquinho atrasado rsrsrsrs), dá uma conferida. Parabéns pela dedicação com a fofinha da Alice! Abraços

  5. Katia Virginia disse:

    Oi Carol!
    Adorei o post, pois passei por isso recentemente. Minha Maria Luiza tem 1 ano e 1 mês e próximo da data do seu aniversário que ela começou a engatinhar e se sentar sozinha. A impressão que tive é que ela tinha estagnado (e até perguntei isso às terapeutas dela), mas… quando a fase passou, tudo aconteceu de vez. É difícil segurar a ansiedade realmente…
    Fico querendo comparar, às vezes, o desenvolvimento dela com o de outra criança que tenha a mesma idade dela e com a síndrome. Mas a gente esquece que mesmo entre crianças que não tem a síndrome existe diferenças no desenvolvimento.

    O mais importante é que nossas pequenas são saudáveis e muito amadas. O restante elas vão conquistando no tempinho delas e sabemos que elas vão conquistar e estão conquistando.

    Abraços

  6. rosa amado disse:

    Tenho um filho com down que nasceu dia 21 de Agosto de 2012! Mesmo pertinho. Tb temos um blog. Comparar os nossos bebes e coisa feia mas podemos partilhar experiências!!

    Beijaaao

    • rosa amado disse:

      Disse que tinha down porque achei que era assim que se dizia ai, ja vi noutro post que nao… sorry! Sou de portugal cá e trissomia 21 que chamaoa normalmente.
      Beijinhos

      amadosrock.blogspot.com

  7. Ivelise disse:

    Gerenciar a ansiedade tem sido o ponto mais desafiador para mim apos a chegada da Lorena. Ela tem um atraso motor considerável devido sua hipotonia, o que me deixa muito estressada. Mas, enfim, não adianta. Ansiedade a parte sou feliz por ter uma filha tão graciosa, amável e grata pela paz que ela me transmite no olhar diariamente. Me apego nos momentos felizes, pois se não fica muito difícil gerenciar tantas emoções de uma mãe ansiosa… É um exercício diário.

  8. Viviane magalhães disse:

    olá Carol muito bom seu blog me senti em casa pois passei e as vezes ainda passo por momentos de ansiedade com minha princesa Natalia que hoje está com 15 anos ela é minha vida tenho mais um filho de 19 anos e um de 9 anos sempre procuramos ter paciência e muito orgulho das conquistas da Natália que esta no 7 ano do ensino regular e já sabe escrever o seu nome para mim isto é uma vitória

  9. chirlei disse:

    Gente ela é linda, hoje descobri vocês através de uma página no face.
    Tenho um sobrinho SD com quase 7 anos, assistindo o vídeo do primeiro ano da Alice me emocionei, passou um filme na minha cabeça de tudo que vivemos com ele bebê e foi tudo simplesmente perfeito, costumo dizer que são síndrome de up porque são demais. Parabéns pela Alice

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