3a lei de milton

(Texto publicado originalmente no blog Janela com Vista. Confira o belo projeto Outro Olhar, criado pelo Instituto Alana)

Estimular nossos filhos, mas sempre respeitando o bom senso. Nos dedicarmos ao trabalho, mas sem esquecer da vida em família. Cumprir com os nossos deveres, mas achar sempre um tempinho para nossos amigos. Cuidar dos nossos pequenos, mas lembrar de nos cuidarmos também. Se fosse para compactar todos os dilemas da minha vida atual em uma palavra, ela seria “equilíbrio”. Já notaram como é desafiador manter as diferentes partes da nossa vida balanceadas?

Eu sou realista e se os anos não me ensinaram como ser boa em tudo, me mostraram que tal façanha é impossível. E que se você quiser de fato ser boa em alguma parte da sua vida, terá que abrir mão de ter sucesso em outra. Quem sabe uma balança desequilibrada, mas com os pesinhos depositados no lado que você julga certo, seja uma boa alternativa de felicidade e paz de espírito (e não seria uma forma de equilíbrio também?)

Mas como saber onde investir estes “pesos”? Bom, se você descobrir me conta! Talvez o primeiro passo seja descobrir aquilo que realmente importa na sua vida, de verdade mesmo (não aquilo que você faz para impressionar um parente, um amigo, ou para seguir um script moderno do que é felicidade). Pois se você faz escolhas sinceras, e prioriza aquilo que realmente acredita, o peso das escolhas e dos caminhos que você não tomou vão ficando mais leves.

Este post é dedicado à todas as famílias que batalham diariamente para encontrar equilíbrio. Em especial para aquelas que recentemente perceberam que sua vida não é e nunca será um comercial de margarina. Seja por uma gravidez inesperada, por um casamento que não deu certo ou pela chegada de um filho que exige uma atenção extra. Na vida real, fora do comercial de margarina, moram escolhas difíceis: reformular nossa vida profissional, ou encarar decisões difíceis, como a de não estar tão presente no dia a dia do filho, para poder prover recursos e terapias de qualidade.

Dia desses minha amiga compartilhou uma página do facebook fantástica, que posta “leis de Milton”. Logo me identifiquei com a terceira lei, que veio em um momento perfeito para acalmar meu coração, e me certificar que estou tomando as decisões certas (para mim):

milton
“abelha fazendo mel, vale o tempo que não voou”. Lei de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Exercida por Milton “Bituca” Nascimento.

Pois quem precisa de margarina, quando se está ocupado fazendo mel? 🙂

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às mestras, com carinho.

E as aulas da Alice terminaram hoje! Lembro como se fosse hoje o seu primeiro dia na escola. Eu estava ansiosa em saber se ela se adaptaria bem, mas confiante de que o ensino regular inclusivo seria o melhor caminho para ela. E o seu primeiro ano na escola foi realmente muito legal. Sei que estamos apenas no início de uma caminhada cheia de desafios, mas isso não diminui minha satisfação em tê-la iniciado com o pé direito.

E, sendo filha/neta/bisneta/sobrinha/irmã (ufa!) de professoras, sei da importância destas profissionais e do papel que as professoras da Alice tiveram em seu primeiro ano. Obrigada Prof Gi, por todo seu carinho e doçura com a minha pequena. O laço que ela criou com você foi fundamental para sua adaptação à vida escolar. E obrigada também à querida prof Pati, por sua dedicação, acompanhando, torcendo e vibrando junto comigo à cada evolução da bebê pig.

Aliás, agradeço como mãe e ex-aluna, afinal também tive a felicidade de ser sua aluna, com a mesma idade da Alicinha:

Na montagem: na esquerda, eu com mais ou menos a idade da Alice, no colo da professora Pati, na década de 80, e foto tirada hoje, com a Alice no colo também da pati, que também foi sua professora no maternal. :D

Na montagem: na esquerda, eu com mais ou menos a idade da Alice, no colo da professora Pati, na década de 80, e foto tirada hoje, com a Alice no colo também da pati, que também foi sua professora no maternal. 😀

(vendo essa foto me veio na cabeça a música do rei leão: é o ciclo sem fiiiiiim que nos guiarááá, hihi 😛 )

Agradeço também a todos os demais professores da escola, aos inspetores, aos coordenadores, enfim, todo mundo que nos acolheu nesse ano que passou. E que venha 2015 com mais muitos desafios! 😀

Estimular é um barato: Livros caseiros!

Na imagem: Livro caseiro feito para a Alice. Na capa está escrito: Alice e o Mano, com um desenho dos dois.

Na imagem: Livro caseiro feito para a Alice. Na capa está escrito: Alice e o Mano, com um desenho dos dois.

Opa, o conselho de hoje é um remix de uma dica já dada aqui anteriormente. Eu já indiquei a ideia de encapar um livro que seu filho não usava mais, mas hoje falo especificamente sobre construir um livro caseiro, do zero! Que tal colocar a sua criatividade para funcionar e bolar uma historinha simples, específica para seu filho?

Estrutura e temas

Escrevi frases curtas e histórias muito simples, para facilitar na compreensão. Escolhi dois temas que queria trabalhar com a Alice: a chegada do irmão e a chegada do penico, hehe. Como ilustrações, usei montagens simples mesmo, com mistura de fotos, desenhos feitos por mim e imagens que peguei da internet. (Atenção, ao utilizar imagens da internet, faça somente para uso particular, em casa).

Humor

O humor é um grande aliado no momento do ensino, não acham? Então no livro do penico, quis abordar o tema de um jeito bem leve e divertido, e coloquei toda a turma da galinha pintadinha sentada no troninho. Ela adorou! Não tenha medo de criar uma história bem maluca 🙂

Na imagem: Alice lendo o livro, vendo uma ilustração dela e de seu irmão em uma piscina de bolinhas.

Na imagem: Alice lendo o livro, vendo uma ilustração dela e de seu irmão em uma piscina de bolinhas.

Praticidade

Como vocês sabem, eu adoro coisas práticas, baratinhas e com pouco impacto ambiental. Então quis usar uma estrutura que eu pudesse reaproveitar inúmeras vezes, apenas trocando as imagens (o plástico é aberto na lateral, então posso retirar e colocar folhas). Além disso, usei papéis reciclados (versos de papéis já usados) para imprimir os textos e imagens.

O que você vai precisar:

• Plásticos transparentes. Eles servirão para deixar o material durável.
• Papéis com gramatura rígida. Para que as folhas sejam melhor manuseadas pelos pequenos.
• Papéis. Para imprimir a história que você criou, para desenhar, ou colar imagens.
• Argolas articuladas. Para fazer o encadernamento. Preste atenção e feche bem a argola, para ela não se soltar e ser um objeto pequeno na mão do seu bebê.
• Furador de papel.

Algumas fotos dos livrinhos e da bebê pig se divertindo com eles:

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Outras alternativas

Você encontra estas argolas articuladas por centavos na internet ou em lojas de armarinho. Mas você também pode fazer o encadernamento usando fitas, barbantes, elásticos, grampos… Ou até mesmo usar uma pasta plástica, e colocar as folhas dentro. Cuidado ao usar pedaços de fios muito grandes em materiais manuseados por seus bebês. Não custa relembrar, né?

“Penico? A Alice está desfraldando?”

Opa, muita calma nessa hora querido leitor. 🙂 Antes que alguém me peça dicas ou mais informações sobre o desfralde da Alice, sinto informar que sou completamente perdida nesse departamento, hehe 😀 Estou começando um processo bem lento de desfralde, sem a mínima pressa ou pretensões. Talvez, depois que eu consiga de fato desfraldá-la, eu reúna algumas dicas que funcionaram para a gente e poste aqui no blog, que tal? Mas por enquanto sou completamente inexperiente no assunto.

Eles

Na imagem: duas mãos seguram dois balões de fala feitos de papel. Um é azul escuro, outro azul claro.

Na imagem: duas mãos seguram dois balões de fala feitos de papel. Um é azul escuro, outro azul claro.

Assim que seu filho nasce com síndrome de Down você passa por um momento sensível e algumas palavras usadas por familiares, médicos e amigos acabam machucando — mesmo que não seja a intenção de quem as falou. É o ultrassonografista que chama seu filho de doente, a terapeuta que usa a palavra-r, o conhecido que pergunta qual o problema do seu bebê (e se ela é “assim” porque bebeu água do parto — true story).

Com o tempo você vai conquistando um pouco mais de jogo de cintura, e aprende a lidar melhor com estas situações. Eu, por exemplo, em alguns momentos simplesmente sorrio e ignoro comentários maldosos. Em outros momentos (quando estou inspirada, e a situação permite), aproveito a oportunidade para esclarecer meu interlocutor e oferecer uma nova perspectiva sobre a síndrome.

Eu normalmente tenho paciência quando ouço alguma frase preconceituosa sobre síndrome de Down. No entanto, há um vicio de linguagem — que por sua vez expõe um vício de pensamento — que ultimamente tem me irritado: “Eles”. Me irrita pela frequência com que é usado. Me irrita pela sua aparente inocuidade. Me irrita por ser um simples pronome e ao mesmo tempo representar tanto.

Explico a origem da irritação. O habitat natural desta palavra é em frases como estas:

Eles são tão carinhosos, né?
Adoro todos eles! Eles têm todos a mesma carinha!
Eles são tão agressivos. Um vizinho sempre batia na prima da minha amiga.
Eles estão evoluindo tanto. Um menino da minha cidade até lê e escreve.

Eles quem, cara pálida? As pessoas com síndrome de Down não são todas iguais. Colocar todas no mesmo pacote é preconceito disfarçado de compaixão. É desconhecimento camuflado de informação. Ao uniformizar demasiadamente um grupo e declarar que todos se parecem e agem da mesma maneira, você está tirando algo precioso destas pessoas: sua individualidade.

Eu acho generalizações chatas, previsíveis e até mesmo perigosas. Nem toda menina gosta de rosa, nem todo menino curte futebol. O mesmo vale para pessoas com SD. Achar que todas as pessoas com a trissomia são agressivas, pois você conheceu um vizinho que assim o era, é tão falacioso quanto presumir que todas as meninas gostam de lilás, pois sua filha gosta.

Este não é um problema de gramática. Estamos falando de empatia. Estamos falando de pessoas que têm seu direito básico de individualidade arrancado desde seu nascimento, quando não antes. Enquanto as pessoas com SD continuarem rebaixados ao último pronome pessoal, perderemos oportunidades de conhecer a pessoa única por trás da síndrome.

(Texto publicado originalmente no blog Janela com Vista, criado pelo Instituto Alana)