Alice no país das maravilhas

(Texto publicado originalmente no blog Janela com Vista. Confira o belo projeto Outro Olhar, criado pelo Instituto Alana)

Na imagem: mulher com os pés descalços, andando no meio de uma floresta.

Na imagem: mulher com os pés descalços, andando no meio de uma floresta.

É impossível ser unânime. Isso fica claro quando seu blog começa a atingir um público maior e diverso. E olha que eu frequentemente evito falar sobre temas muito controversos por aqui, justamente para evitar maiores polêmicas. Mas enfim, isso faz parte, já que o mundo está repleto de opiniões diferentes. Ainda bem! Boas conversas geralmente envolvem pontos de vista diferentes (e respeito, claro!).

Recentemente, recebi um comentário no blog que falava o seguinte:
“Oi mamãe. Lindo blog. Também sou mãe de uma criança especial, mas desculpe a sinceridade: creio que, às vezes, você não ajuda outras mães que estão nessa situação pois não assume os medos de ter um segundo filho com problemas genéticos. Vi que num outro post uma mãe realista falou sobre limitações reais de um bebê com comprometimento grave e recebeu a resposta de que a graça da vida é justamente não saber o que vai acontecer (?). Mas em algumas situações já se sabe mais ou menos o que virá. Isso se chama prognóstico. Ao contrário do que se possa pensar não sou uma mãe amargurada. Estou buscando superar todas as dificuldades assim como você. Só que o mundo do seu blog às vezes é muito “Alice no país das maravilhas”…Gosto de ver mães reais.”

Claro que em um primeiro momento fiquei chateada ao ler isso. Afinal, a meu ver, eu passo longe de ser (e tentar retratar) uma mãe irreal. Vivo repartindo minhas desventuras nos meus textos. Já falei sobre como não consegui curtir a gravidez. Que tive recentemente casos de doença e falecimentos na família. Que tive problemas com a anestesia e tive minha bexiga cortada no parto. Que não sou uma super mãe, entre outros inúmeros desabafos. A realidade é que eu me entristeço com frequência quando esbarro nas limitações da minha filha e nas minhas próprias.

Por outro lado, confesso que a proposta do blog é realmente ser um espaço positivo. Sinto que este é um lugar onde muitas famílias vêm procurar por palavras de encorajamento, e me sinto na responsabilidade de mostrar o lado bom de determinadas situações. Além disso, daqui uns anos Alice poderá ler o conteúdo deste site, devo ter também cuidado com as palavras que uso.

Entre jornalistas que escrevem que ver um “enxame de crianças com síndrome de Down” causa desconforto e cientistas que dizem ser “amoral” uma mãe dar a luz a uma criança com esta síndrome, enxergo uma demanda urgente de uma voz dissonante e mais esclarecida sobre o assunto. E entre o risco de parecer excessivamente otimista e terrivelmente pessimista, preferirei sempre a primeira opção.

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5 comentários sobre “Alice no país das maravilhas

  1. giselegato disse:

    Carol, há quem prefira ver o copo meio vazio. Você prefere vê-lo meio cheio, e é isso, você ouve os sons, vê as cores. Isso não é pra todos, isso é só pra quem tem coragem de rasgar a tela de proteção e se atirar na beleza de vida, em vez de ficar sentada na sala, protegida, remoendo os perigos que porventura existam do outro lado. Muito da minha coragem veio de você. Eu e Luisa só temos a agradecer por essa sua decisão corajosa de expor sua vida, sua família, sua intimidade, pra nos apresentar uma outra perspectiva e nos mostrar quão bela é nossa jornada. Devo mais a você que ao banco rsrsrs =*

  2. Félixa disse:

    Carol, boa tarde. Meu nome é Félixa e sou mãe da Alexa, uma boneca com SD de 6 meses recém completados. Há muito que tenho vontade de te escrever, mas na correria, e sabendo da sua, acabo deixando para depois. Mas após ler o comentário infeliz acima precisei me manifestar. Você foi minha Juliene, quando tudo estava escuro e doloroso, foi através do seu blog que encontrei a luz…quanta informação maravilhosa. Você se tornou uma inspiração e sfico ansiosa por novas postagens.Você me fez ver o quanto e normal ter um filho especial e que devemos acreditar na capacidade de nossas crianças. Por favor não deixe que comentários assim te desanime, amo o que vc tem feito com a Alice, continue por favor escrevendo. Voc~e é de mais.

  3. Always Smile disse:

    Olá Carol! Quando descobri que estava gravida já estava com 24 semana e quando a medica passou os exames já tinha passado da hora do morfológico então o meu medo que minha filha viesse ao mundo com alguma síndrome ou doenças graves era gigante, mas graças a Deus ela nasceu sem nenhuma síndrome ou doença, passo dificuldades tenho frustrações em relação a não ser a mãe perfeita que eu achei que seria e tiro muita força de você do seu mode de ver a vida da sua paixão e orgulho pela Alice, recentemente ganhei uma afilhada e assim que ela nasceu descobrimos que ela tinha a SD e na mesma hora lembrei da Alice e pensando no seu modo de ver as coisas que eu dei força a mãe dela, hoje ela é uma alegria em nossas vidas a mãe dela tbm acompanha você. Tem pessoas que vê só o lado ruim e por isso sempre são frustradas e quer que as outras pessoas sejam assim, CONTINUE SENDO VOCÊ principalmente para escrever aqui, você mostra alegria e esperança em cada post e é por isso que eu te sigo. PARABÉNS pela mãe maravilhosa que você é.

  4. Bartira Nilson Bonotto disse:

    Querida Carol, adoro o blog. Toda pessoa que tem coragem de expor suas ideias e sentimentos não agradará sempre a todos. Mas isso não retira a nobreza da sua (nossa) caminhada. Grande beijo, Bartira e Marina

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