Aprendendo o nome

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

A psicopedagoga da Alicinha, a querida Deisi, pediu para que eu elaborasse um material para elas trabalharem o pareamento das letrinhas do nome da Alice. Ela explicou mais ou menos como queria, e eu produzi o material que mostro abaixo no vídeo, e explico um pouco melhor em seguida nesse post. 😉

Quem acompanha o blog há um tempo já deve ter notado que eu gosto de ir me virando com as coisas que eu tenho em casa mesmo. Então como eu não tinha uma prancha com a rigidez que eu precisava, reuni várias folhas mais espessas e as fixei com fita adesiva larga. Para não ficar somente um material simples, sem nenhum atrativo, pensei em colocar um enunciado, com o desenho que fiz da Alice e do Antônio. Este trecho, e a parte da referência das letras, foram fixadas em adesivo sob adesivo, o que me permitiria movê-los para a segunda etapa de uso do material ou até mesmo no reaproveitamento desta mesma base para outra atividade. (Na segunda etapa a Deisi explicou que retiraríamos a referência do nome de cima do espaço do velcro, e colocaríamos em uma outra prancha, para irmos progressivamente desafiando a criança. No vídeo, em uma das fotos, dá para ver esse momento. Acredito que em uma terceira etapa, seriam retiradas todas as referências, e a criança montaria o nome sozinha, sem pareamento).

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Para ajudar no pareamento, pensei em velcro, que é um material bem prático e eu já tinha disponível aqui em casa. Esta parte que ficaria mais exposta usei o lado macio do velcro, pois a minha pequena tem transtorno de integração sensorial, e é louquinha pela parte áspera do velcro. Em fases onde ela está muito muito muito desorganizada sensorialmente, chega a passar os dedinhos nesse lado áspero até quase sangrar. 😟

As palavras e os enunciados foram impressos em papel sulfite normal. O nome de referência adesivei diretamente na prancha, e as letras móveis adesivei em retângulos rígidos que criei no mesmo estilo da base grande (grudando diversos papeis espessos até chegar na gramatura que eu queria). Coloquei duas fitas de velcro no verso deste retângulo, para facilitar o posicionamento destes, com ajuda de uma cola quente. Para a segunda etapa, reposicionei o enunciado para ficar mais próximo do velcro, e colei o nome de referência em uma segunda prancha, que fiz com restinhos de papelão que eu tinha aqui em casa.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Espero que o post seja útil 🙂 Se tiverem alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários que posso respondê-las ou encaminhá-las para a psicopedagoga da Alice. Um abraço!

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A armadilha da comparação

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

E então seu primeiro filho nasce com deficiência. Uma deficiência moderada porém complexa, que afeta seu crescimento, sua evolução motora, seu desenvolvimento cognitivo. Como pais de primeira viagem, ainda inexperientes, esse mundo que pode parecer diferente para a maioria dos pais, para nós tornou-se comum, nosso referencial. Para nós, o normal era ter um bebê fazendo fisioterapia, correr atrás de ganho de peso, batalhar pelos marcos do desenvolvimento.

Mas aí veio o Antônio, que tem um desenvolvimento típico. Ganha peso fácil, mama direitinho e cresce feito mato, rs. Quando vejo, está rolando. Coloco um dia sentado, por curiosidade, e ele fica sentadinho. Por mais que eu esteja satisfeita, claro, com o bom desenvolvimento dele, a realidade é que não estou acostumada com as coisas acontecendo assim de “graça”, de forma tão natural. Inevitavelmente, comparações entre essas situações passam na minha cabeça.

Mãe que sou, esse ser cheio de culpas, logo passei a me sentir inadequada por ficar fazendo tantas comparações. Afinal, cada filho é único com sua história a ser escrita, com suas características. O Antônio não merece ser moldado a partir de comparações com sua irmã, e a Alice não merece ser reduzida a um paragono de seu irmão mais novo. Por outro lado, percebo que comparações são inevitáveis. É impossível não perceber disparidades entre um filho e o outro, e isso, a meu ver, extrapola a questão deficiência. Pessoas são diferentes, ponto.

Mas se por um lado comparações são inevitáveis e podem ser inofensivas, toda essa reflexão me fez chegar a duas conclusões. A primeira é que mesmo que eu note as diferenças entre um e outro, devo ter sensibilidade e bom senso e evitar compará-los em voz alta. Crianças são super antenadas e ouvem tudo, mesmo quando parecem estar distraídas brincando. A segunda conclusão é que estas diferenças não devem servir como juízo de valor. O fato de alguém ser assim ou assado, precisar de mais ou menos tempo/ajuda para se desenvolver não o torna melhor ou pior. O torna… diferente.

E não somos todos diferentes? 🙂

Dance como a Uva!

Finalmente consegui um tempinho e fiz mais um video. Meu sonho era ter bastante tempo livre, para fazer uma série enooooooorme de videos animados, com música, estimulando a fala. Vejo aqui em casa como eles funcionam com a Alicinha, e isso me anima muito. Estou bolando uma forma de fazer videos mais simples e rápidos, para conseguir fazer mais opções. (Eu acabo me animando com a composição das músicas, hehe, e por isso demoro). Eu sou um pouco relapsa em colocar todos os videos que eu crio aqui no blog – e acho que ficaria muito maçante – então sigam o Nossa Vida com Alice no YouTube, para acompanhar sempre as novidades.

A Alicinha gosta muito de Uva, e consegue pronunciar “Uá”, então fiz esse video sobre a Uva. Uso os gestos do método MultiGestos, projeto das queridas Cinthia e Letícia, que eu ajudei na criação. Eu gostaria de ter feito um pouco melhor o gesto do V… o ideal seria que os dedos empurrassem ainda mais os lábios em direção aos dentes.

De um tempo pra cá tem ficado muito claro para mim como o desenvolvimento motor, a atividade física, os movimentos, exercícios lúdicos, são ótimos para organizar a neurologicamente a criança. Então sempre que possível tentarei colocar uma parte na música que incentive a criança a se mexer. Seja pulando igual ao sapo, dançando como a uva, contando até 10 e girando…

Em muitos videos que eu faço, por serem materiais caseiros e sem fins comerciais, eu uso ilustrações que não são de minha autoria. Mas nessa série das frutas eu me animei e fiz as ilustrações também! O que me possibilitou desenvolver um material de apoio com mais tranquilidade. Então abaixo seguem algumas propostas de atividades pedagógicas para você imprimir e usar com seu filho ou estudante.

Colorindo a uva, Encontre a uva e Escreva UVA. Link para download.

Na imagem: montagem com as 3 propostas citadas acima, sob um fundo roxo.

Na imagem: montagem com as 3 propostas citadas acima, sob um fundo roxo.

Um ano e meio

Sempre tive vontade de ter mais de um filho. Pra falar a verdade eu sempre pensei em ter três, acho um barato a casa cheia de crianças. (Crianças: melhores pessoas). Mas depois que a Alice nasceu, caiu aquela ficha básica que cuidar de uma criança é uma responsabilidade gigantesca e dá um trabalho imenso. Não que eu achasse que fosse uma tarefa fácil, mas eu não imaginava que seria algo que mudaria tanto a minha vida.

A ideia de ter mais de um filho, no entanto, nunca desapareceu. Quis logo ter mais um filho, e em seguida veio o Antônio. Mais uma vez o contraste “expectativa x realidade” se fez presente. Eu pensei que ela se animaria com a mamãe dizendo que estava vindo um maninho, que daria beijinhos na barriga, como vejo tantas crianças fazendo… que nada. Não queria nem saber. Imaginei então que quando o Antônio nascesse, ela entenderia melhor a novidade, e ficaria mais animada. Santa inocência. Pelo contrário. Coitado do mano, as reações da Alice em relação a ele transitavam entre incólume desprezo e incansáveis puxões de cabelo.

Fico pensando naquelas fotos lindas que encontro pelas redes sociais ou em propagandas, onde o irmão mais velho conhece o bebê que acabou de chegar, com um olhar inundado de alegria e curiosidade, e vejo as minhas fotos da Alice e do Antônio, com ela tentando beliscá-lo e ele com os olhos arregalados em pânico. #vidareal Percebi logo de cara que o negócio ia demorar um pouquinho para engrenar. Mas não fiquei muito estressada com isso, dei tempo ao tempo e deixei as coisas indo se encaixando naturalmente.

E depois de um ano e meio de convivência, posso finalmente testemunhar uma relação de amizade e parceria brotando. Eles brigam, brincam e se adoram. Adoro ver o olhar da Alice para o Antônio, como quem diz “Esse meu mano é uma peça”, quando ele está aprontando algo. É mágico e um privilégio poder acompanhar essa cumplicidade nascendo entre os dois.

E, no dia do irmão, não consigo imaginar em um presente melhor do que este.

descrição da imagem: Montagem com elementos do site, e uma foto da Alice abraçando o Antônio, enquanto ambos assistem televisão.

Descrição da imagem: Montagem com elementos e ilustrações do blog NVCA, e uma foto da Alice abraçando o Antônio, enquanto ambos assistem televisão.