Caranguejo peixe é

As professoras do Antônio estavam trabalhando ritmos, musicas, sons, com os aluninhos, e bolaram uma atividade onde os pais e as crianças deveriam participar na criação de uma caixa musical.

Na imagem #paracegover: Caixa forrada de papel craft, decorada com notas musicais pretas. Na tampa está escrito "Caixa Musical".

Na imagem #paracegover: Caixa forrada de papel craft, decorada com notas musicais pretas. Na tampa está escrito “Caixa Musical”.

Deveríamos escolher uma música e criar alguma brincadeira, algum objeto, que a criança pudesse interagir durante a canção. Para exemplificar a tarefa, elas já mandaram na caixa uma aranha que a criança poderia colocar no dedinho enquanto cantava a música da dona aranha e um pintinho feito de pompom para a música do pintinho amarelinho.
Na imagem #paracegover: Caixa musical aberta, com um pintinho amarelinho, um balão vermelho com um gatinho desenhado, uma aranha de eva brilhante e o chapéu de caranguejo que eu fiz pro Toni.

Na imagem #paracegover: Caixa musical aberta, com um pintinho amarelinho, um balão vermelho com um gatinho desenhado, uma aranha de eva brilhante e o chapéu de caranguejo que eu fiz pro Toni.

Eu não tive dúvida em qual música escolher para o Antônio, o pequeno é fã da cantiga do caranguejo. Fiquei pensando o que a gente poderia brincar… imaginei de repente um caranguejo que virasse um peixe, mas a ideia não foi muito adiante. Procurei na internet por caranguejo e ensino infantil e achei essa sugestão de chapéu. Achei muito divertido, o Antônio e a Alice iam curtir com certeza.
Na imagem #paracegover: Coisinhas que fui encontrando pela casa para montar o "chapéu": Bolinhas de isopor, canetinhas, esse arame peluciado, acho que chama-se limpa cachimbo.

Na imagem #paracegover: Coisinhas que fui encontrando pela casa para montar o “chapéu”: Bolinhas de isopor, canetinhas, esse arame peluciado, acho que chama-se limpa cachimbo.

Eu- que adoro um reaproveitamento – fui me virando com restos de materiais que tinha em casa mesmo: um eva vermelho, um limpa cachimbo colorido, velcro e canetinha. Fiz uma faixa de velcro bem grande, pois depois a caixa ia passear pela casa dos coleguinhas, então o chapeuzinho deveria caber em diferentes tamanhos de cabeça. Se eu não tivesse encontrado eva teria feito com cartolina vermelha, ou pintado um papel de vermelho… mas acho que o Eva é a opção mais confortável e duradoura.
Na imagem #paracegover: Chapéu de caranguejo pronto.

Na imagem #paracegover: Chapéu de caranguejo pronto.

Na imagem #paracegover: montagem com quatro fotos do Antônio tirando o chapéu, com carinha de "não sou obrigado", rs. Durou 5 segundos na cabeça dele. :)

Na imagem #paracegover: montagem com quatro fotos do Antônio tirando o chapéu, com carinha de “não sou obrigado”, rs. Durou 5 segundos na cabeça dele. 🙂

Para nosso azar o Antônio não estava se sentindo bem no dia, então nem curtiu a brincadeira. Já a Alice adorou, riu a beça, e logo foi pro espelho se admirar. Então fica a ideia de uma atividade divertida, baratinha e rápida de ser feita, para brincar com as crianças. Para atrelar à um movimento, de repente brincar de imitar as garras do caranguejo, ou andar para os lados.
Na imagem #paracegover: Folha com a letra da música dividida com ilustrações correspondentes. Na palavra palma aparece o desenho de uma palma, na palavra pé aparece um pé e assim por diante.

Na imagem #paracegover: Folha com a letra da música dividida com ilustrações correspondentes. Na palavra palma aparece o desenho de uma palma, na palavra pé aparece um pé e assim por diante.

Na imagem #paracegover: Alice com o chapéu de caranguejo, na frente do espelho, com cara de curiosidade, se admirando.

Na imagem #paracegover: Alice com o chapéu de caranguejo, na frente do espelho, com cara de curiosidade, se admirando.

A música com as palavras e desenhos correspondentes, tem para baixar aqui. 🙂

🦀 E fiz uma espécie de passo a passo no vídeo abaixo 🦀

Anúncios

A armadilha da comparação

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

E então seu primeiro filho nasce com deficiência. Uma deficiência moderada porém complexa, que afeta seu crescimento, sua evolução motora, seu desenvolvimento cognitivo. Como pais de primeira viagem, ainda inexperientes, esse mundo que pode parecer diferente para a maioria dos pais, para nós tornou-se comum, nosso referencial. Para nós, o normal era ter um bebê fazendo fisioterapia, correr atrás de ganho de peso, batalhar pelos marcos do desenvolvimento.

Mas aí veio o Antônio, que tem um desenvolvimento típico. Ganha peso fácil, mama direitinho e cresce feito mato, rs. Quando vejo, está rolando. Coloco um dia sentado, por curiosidade, e ele fica sentadinho. Por mais que eu esteja satisfeita, claro, com o bom desenvolvimento dele, a realidade é que não estou acostumada com as coisas acontecendo assim de “graça”, de forma tão natural. Inevitavelmente, comparações entre essas situações passam na minha cabeça.

Mãe que sou, esse ser cheio de culpas, logo passei a me sentir inadequada por ficar fazendo tantas comparações. Afinal, cada filho é único com sua história a ser escrita, com suas características. O Antônio não merece ser moldado a partir de comparações com sua irmã, e a Alice não merece ser reduzida a um paragono de seu irmão mais novo. Por outro lado, percebo que comparações são inevitáveis. É impossível não perceber disparidades entre um filho e o outro, e isso, a meu ver, extrapola a questão deficiência. Pessoas são diferentes, ponto.

Mas se por um lado comparações são inevitáveis e podem ser inofensivas, toda essa reflexão me fez chegar a duas conclusões. A primeira é que mesmo que eu note as diferenças entre um e outro, devo ter sensibilidade e bom senso e evitar compará-los em voz alta. Crianças são super antenadas e ouvem tudo, mesmo quando parecem estar distraídas brincando. A segunda conclusão é que estas diferenças não devem servir como juízo de valor. O fato de alguém ser assim ou assado, precisar de mais ou menos tempo/ajuda para se desenvolver não o torna melhor ou pior. O torna… diferente.

E não somos todos diferentes? 🙂

Um ano e meio

Sempre tive vontade de ter mais de um filho. Pra falar a verdade eu sempre pensei em ter três, acho um barato a casa cheia de crianças. (Crianças: melhores pessoas). Mas depois que a Alice nasceu, caiu aquela ficha básica que cuidar de uma criança é uma responsabilidade gigantesca e dá um trabalho imenso. Não que eu achasse que fosse uma tarefa fácil, mas eu não imaginava que seria algo que mudaria tanto a minha vida.

A ideia de ter mais de um filho, no entanto, nunca desapareceu. Quis logo ter mais um filho, e em seguida veio o Antônio. Mais uma vez o contraste “expectativa x realidade” se fez presente. Eu pensei que ela se animaria com a mamãe dizendo que estava vindo um maninho, que daria beijinhos na barriga, como vejo tantas crianças fazendo… que nada. Não queria nem saber. Imaginei então que quando o Antônio nascesse, ela entenderia melhor a novidade, e ficaria mais animada. Santa inocência. Pelo contrário. Coitado do mano, as reações da Alice em relação a ele transitavam entre incólume desprezo e incansáveis puxões de cabelo.

Fico pensando naquelas fotos lindas que encontro pelas redes sociais ou em propagandas, onde o irmão mais velho conhece o bebê que acabou de chegar, com um olhar inundado de alegria e curiosidade, e vejo as minhas fotos da Alice e do Antônio, com ela tentando beliscá-lo e ele com os olhos arregalados em pânico. #vidareal Percebi logo de cara que o negócio ia demorar um pouquinho para engrenar. Mas não fiquei muito estressada com isso, dei tempo ao tempo e deixei as coisas indo se encaixando naturalmente.

E depois de um ano e meio de convivência, posso finalmente testemunhar uma relação de amizade e parceria brotando. Eles brigam, brincam e se adoram. Adoro ver o olhar da Alice para o Antônio, como quem diz “Esse meu mano é uma peça”, quando ele está aprontando algo. É mágico e um privilégio poder acompanhar essa cumplicidade nascendo entre os dois.

E, no dia do irmão, não consigo imaginar em um presente melhor do que este.

descrição da imagem: Montagem com elementos do site, e uma foto da Alice abraçando o Antônio, enquanto ambos assistem televisão.

Descrição da imagem: Montagem com elementos e ilustrações do blog NVCA, e uma foto da Alice abraçando o Antônio, enquanto ambos assistem televisão.

Site novo!

header01.jpg

Primeiro cabeçalho do blog, feito às pressas, com a Alice ainda carequinha 🙂 #paracegover: Desenho azul, com ornamentações geométricas, com uma ilustração da mamãe, do papai e da Alice. Ela segura um cartaz escrito “Nossa vida com Alice”.

Assim que a Alice nasceu, enquanto eu criava o NVCA eu pensei: “vou só fazer uma coisinha simples e rapidinha, depois eu arrumo com calma”. 3 ANOS E MEIO se passaram, rs, e só agora consegui arrumar um pouco esse espaço. Eu gostaria de deixar isso daqui ainda mais ajeitado… quem sabe daqui a outros 3 anos eu consiga, hehe.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Faz tempo que eu estou bolando o site novo! Quando esses desenhos foram feitos o Antônio nem tinha nascido ainda! Percebam que eu imaginava um bebê careca, rs. #sabiadenada. Enfim, eram muitos os motivos que me animavam a arrumar o espaço:

1. Foco
Pode parecer pouco tempo, mas muita coisa mudou de 3 anos e meio pra cá. Quando a Alice nasceu, eram raros os blogs e páginas que falavam sobre e desmistificavam a realidade da pessoa com síndrome de Down. Hoje em dia existem várias páginas com este foco (inclusive depois quero fazer uma lista com todos que conheço para divulgar aqui! Se você tiver um blog/instagram/face/twitter/snap/qualquercoisa sobre isso, deixa o link nos comentários!). E isso é muito bom! Quanto mais famílias mostrarem que é uma rotina desafiadora, mas também possível e feliz, melhor. No entanto esse novo cenário me animou a ampliar o foco deste espaço, e trazer outros conteúdos, além do relato do nosso dia a dia. Pretendo fazer mais vídeos, disponibilizar mais materiais para download, e trazer mais informações relevantes para a saúde da pessoa com síndrome de Down.

Na imagem #paracegover: Alice roendo uma girafa de borracha, no meu colo.

Na imagem #paracegover: Alice roendo uma girafa de borracha, no meu colo.

2. Volume de informação
Aliás, o blog já estava migrando de relatos e reflexões sobre nosso dia a dia para um lugar onde eu coloco também recursos e materiais para download. E o formato anterior não estava favorecendo a organização de todo esses documentos. Então imaginei que o NVCA ficaria mais maneiro virando um site, onde o blog é o link principal, mas também com outras partes. Vou arrumando aos poucos o material que eu já havia colocado aqui, e espero que assim tudo fique mais organizado.

#paracegover: Antônio, ainda bebê, sorrindo e a frase "Primeiro mês do Antônio".

#paracegover: Antônio, ainda bebê, sorrindo e a frase “Primeiro mês do Antônio”.

3. Antônio
Toninho nasceu! Meu caçulinha lindo, cacheado e que roubou meu coração. Como o blog fala da nossa vida, então é natural que esta outra realidade também pinte por aqui. Mesmo porque o blog nunca teve a pretensão de ser somente sobre síndrome de Down, e sim um espaço falando sobre meus aprendizados como mãe, sobre a nossa rotina e descobertas. Então: ilustração e marca nova, agora também com o crespo! 😀

#paracegover: Ilustração nova do topo do blog, agora com Antônio junto! Finalmente!

 

 

 

Além de todos estes motivos, também queria um template que funcionasse melhor em plataformas mobiles, como tablets e celulares, pois eu percebia pelas estatísticas que vocês conferiam o blog frequentemente por eles! 😀

Nos próximos dias ficarei arrumando todo o conteúdo, então não repara a bagunça. Se acharem algum erro muito grotesco, ou ficarem em dúvida em algo, não hesitem em me avisar. Então é isso! Blog/Site novo! Finalmente 🙂 Espero que gostem.

Seis meses de Antônio.

(Um preâmbulo. Gente, peço desculpas pelo texto longo. Quando vou escrevendo acabo me empolgando, e quando eu vejo os parágrafos estão se reproduzindo e parindo novos paragrafos, descontrole total. Abre o post aí numa abinha do seu navegador e vai lendo por partes. 🙂 Que tal?)

Hoje bebê Antônio completa seis meses. Sei que tenho vários motivos para ser grata e comemorar o dia de hoje, mas queria celebrar especificamente uma conquista muito especial nossa, que sempre sonhei: seis meses de amamentação exclusiva e em livre demanda! *dancinha da alegria* Tentei isso por muito tempo com a Alice, inclusive falei sobre nossa luta aqui no blog, mas depois de meses me esforçando acabei desistindo. Com o Antônio o início também não foi fácil. Sofri mais uma vez com hiperlactação, com fissuras nos seios, empedramento… Todos estes problemas decorrentes de orientações confusas que fui recebendo e pela minha insegurança.

Pausa para explicar minha insegurança: minha apojadura demorou um pouco (a da Alice foi imediatamente após o parto… a do Antônio demorou um pouco mais. Minhas lembranças após a cesárea são meio confusas – #doRgas – mas acredito que deva ter demorado 24 horas. O suficiente para a louca aqui já ficar ansiosa e desesperada. Eu coloquei tanto ele no seio para estimular a decida, que acabei detonando com meus seios. E ele sugava super bem, quando saímos da maternidade ele não somente não havia perdido peso, como saiu mais gordinho.

Depois de 10 dias de sofrimento, chamei a querida Carol Scheuer, consultora em amamentação, que foi me acalmando, me orientando e dando dicas para que o aleitamento do Antônio corresse bem. Ela me passou uma série de leituras do Dr. Carlos Gonzáles que me ajudaram imensamente. Ler sobre criação com apego me auxiliou muito. É tão bom ter um embasamento de qualidade para tudo aquilo que você já se identifica intuitivamente. Se consegui sobreviver a estes seis meses sem ter virado um zumbi foi graças à cama compartilhada.

Amamentar um bebê e ao mesmo tempo trabalhar e cuidar de uma filha de dois anos não é tarefa fácil. Preciso estar disposta durante o dia, para dar atenção à Alicinha e fazer as atividades que preparo para ela. (Como ela anda numa fase sem tanto acompanhamento terapêutico, tenho feito algumas atividades em casa com ela, para compensar). Sou grata por toda ajuda que recebo. Aliás minha família tem sido bem legal, em especial minha minha mãe e minhas tias (além da minha querida ajudante Maussa!)

E agora, seis meses depois, tenho um menininho de 9 quilos e meio, um fofo, prestes a conhecer o maravilhoso e colorido mundo da introdução alimentar. Mais um novo desafio para descobrirmos juntos. A mamãe que adora inventar uma moda aqui tem lido sobre BLW. O conceito me agrada, será que conseguiremos colocar em prática? Depois conto por aqui. 🙂

Na imagem: Antônio sorri, brincando no colo do seu papai Thomas.

Na imagem: Antônio sorri, brincando no colo do seu papai Thomas.

Na imagem: Antônio com chapéu de cachorrinho, no colo do seu padrinho Gustavo.

Na imagem: Antônio com chapéu de cachorrinho, no colo do seu padrinho Gustavo.

Na imagem: Antônio olhando para a câmera, no meu colo!

Na imagem: Antônio olhando para a câmera, no meu colo!

Na imagem: Antônio sorrindo no colo do seu tio Robson.

Na imagem: Antônio com o cabelo despenteado, sorrindo no colo do seu tio Robson.

Feliz 6 meses, Antônio!

Dois meses de Antônio!

Na imagem: montagem de fotos da Alice e do Antônio, com a frase "Dois meses de Antônio".

Na imagem: montagem de fotos da Alice e do Antônio, com a frase “Dois meses de Antônio”.

Ontem o Antônio completou dois meses! Tenho um sentimento conflitante: ao mesmo tempo parece que estes dois meses passaram voando, também sinto que milhões de coisas aconteceram neste período. O “pequeno” está enorme, já dobrou o peso do nascimento e, com um mês e meio, já tinha crescido inacreditáveis 8 centímetros. É, tudo indica que Antônio é um projetinho de papai Thomas mesmo. Até o cabelo que tinha nascido pretinho e cheio, como o meu, já afinou e ficou castanho. Ele é um bebê muito querido, chora pouquinho e é muito simpático.

Mas fica aqui registrado meu desabafo:
eu não tô dando conta.

Talvez no futuro eu ache que foi a melhor decisão do mundo ter engravidado logo, assim tão perto da Alice. Mas no momento eu só consigo pensar: onde fui me meter? A sensação que eu tenho é que não consigo cuidar bem de nenhum dos dois. Todas as atividades que eu fazia com a Alice estão basicamente paradas há dois meses. Tenho vários “deveres de casa” para fazer com ela, que seus terapeutas nos passam (como exercícios para seu estrabismo, por exemplo), que eu não estou conseguindo fazer de jeito nenhum. O desfralde, que eu também tinha iniciado, está em câmera lenta quase parando. E, coitado do Antônio, não consigo fazer com ele nem metade das brincadeiras estimulantes que fazia com a Alice em sua época de bebê pig.

Aos poucos as coisas vão se ajeitando, eu sei. O ciúme da Alice, por exemplo: antigamente ela chegava perto do irmão e já ia mordendo e arranhando. Agora ela se aproxima do Antônio e dá um beijinho, brinca com o pézinho dele (e em seguida arranha, hihi). Mas evoluiu, não acham? Eu obviamente não deixo que ela o machuque e quando ela o faz sempre explico que é errado. Mas por outro lado eu tenho uma empatia enorme pelo ciúme dela, sei que é normalíssimo. Como falaram em um grupo do facebook que eu participo: Imagine se seu marido chegasse em casa com outra esposa? Então eu procuro ter paciência, ensiná-la e mentalizo que em breve os dois serão bem amigos e parceiros.

Abaixo algumas fotos deste mês que passou.
Um “muah!” da Alice e um “angu” do Antônio para vocês! 🙂

O primeiro mês.

Na imagem: Antônio sorrindo e a frase "Primeiro mês do Antônio".

Na imagem: Antônio sorrindo e a frase “Primeiro mês do Antônio”.

Sexta passada o nosso querido Antônio comemorou seu primeiro mês, viva! Não vou mentir, os primeiros dias foram bem difíceis. Passamos a véspera de natal e o natal na maternidade, tive reação à anestesia (enxaqueca), estava com diversos curativos e a sonda urinária era extremamente desconfortável. Além disso, assim como com a Alice, tive hiperlactação, e fissuras nos seios. Hiperlactação é uma coisa tão chata, que o desconforto da sonda ficou até em segundo plano, em termos de incômodo. Mas foram os 10 primeiros dias, com o tempo as coisas foram melhorando. 🙂 Ainda bem!

O pequeno nasceu mamando super bem! Ele já nasceu morto de fome e com a pega perfeita, do jeito que eu tanto torci durante a gestação. Não consegui amamentar direito a Alice, e queria muito que desta vez desse certo, e deu. Aliás deu super certo: o bebê é super esfomeado e quer comer o tempo todo. A fome era tanta que ele nem perdeu peso ao sair da maternidade, já saiu 100 gramas mais pesado do que nasceu! 😮 Nunca tinha visto disso.

Neste primeiro mês tive uma rede de apoio enorme. Tios, padrinhos, avós, e sobrinhos, vários familiares e amigos se revezando para me ajudar a cuidar da Alice, da casa e de mim mesma. Se já foi difícil com toda essa ajuda, fico só imaginando quem não tem apoio nenhum… (fica aqui meu agradecimento por toda a ajuda, vocês foram demais). Acredito que ter essa rede seja fundamental para o sucesso da amamentação, pra reduzir as chances de baby blues, entre outras vantagens. Se a mulher está completamente esgotada física e emocionalmente, não há produção de leite que dure.

O Antônio é uma figurinha, um bebê muito tranquilo. Como eu torci por um bebê suave na nave para equilibrar um pouco com a Alice-ligada-na-tomada. Tem pouca cólica, chora pouco e tira várias sonequinhas. Ainda não tem o sorriso muito fácil, está frequentemente com uma carinha de desconfiado. Mas quando abre um sorriso é uma graça, me derreto toda. Ele está engordando e esticando bastante também, tem roupinhas que nem usou e já não estão servindo mais. Eu, miuda que sou (assim como a Alice), acho tudo isso muito diferente e engraçado.

Foi bom enquanto durou, acabou a folga: terminaram as férias da minha irmã e da minha mãe, e minhas tias viajaram para casa de praia, então as ajudinhas estão ficando cada vez mais escassas. A Alice ainda está de férias, então fico com os dois pequenos o dia inteiro. Gente… que canseira. E isso que conto com a super Maússa para me ajudar com a arrumação da casa. Eu fico pensando na ‘Carol que trabalhava o dia todo’, e na ‘Carol mãe de um filho só’, e que se achava super cansada e penso: Sabia de nada, inocente… (e provavelmente alguma leitora que é mãe de 3 está pensando isso da Carol atual).

Queria comentar sobre o desafio que está sendo lidar com os ciúmes da Alice, e a dificuldade que estou tendo em dividir a atenção entre duas crianças. Mas isso é um assunto tão complexo, que farei um post somente para ele. Sabe como é, com um recém nascido e uma pequena na fase “terrible two” de férias em casa, mais que 15 minutos na frente do computador é luxo!

Abaixo algumas fotos dos pequenos neste primeiro mês 🙂

Este slideshow necessita de JavaScript.

O parto.

O nascimento (ou: senta que lá vem história…)

Quem me conhece ou me acompanha pelo facebook sabe como violência obstétrica é algo que me tira do sério, e como eu admiro e defendo partos humanizados. Eu já gostaria de ter parido a Alice na água, sem intervenções, mas por uma série de fatores precisei fazer uma cesárea. Desta vez eu estava animada em tentar um VBAC (parto natural após cesárea).

Minha cicatriz uterina não estava muito espessa, mas o obstetra que me acompanhava topou encarar o desafio. (Em tempo, critérios como espessura da cicatriz uterina não impedem necessariamente que você tente o vbac. Leia este link!) Ele apenas me esclareceu que seria mais seguro para mim e para o bebê que não fosse utilizada analgesia durante o trabalho de parto, pois a dor no local da cicatriz seria um indicativo de perigo, e se eu estivesse sem sensibilidade na região, não seria capaz de oferecer este feedback.

Escuto muitos relatos falando de trabalhos de parto rápidos e intensos, não foi o caso do meu. Passei 3 dias em um “trabalho de parto” cansativo, mas administrável. As contrações eram espaçadas e com uma dor moderada. Eu já estava me achando, crente que tiraria de letra e que se aquilo ali eram contrações, então a mulherada exagerava, pois não doía tanto. Aham Claudia, senta lá…

Até que chegou a madrugada de segunda feira, dia 22. Foi quando o trabalho de parto engatou para valer. Aí sim conheci o que eram contrações de fato. Passei a madrugada inteira cronometrando as contrações e tentando burlar a dor. Eu já não dormia há alguns dias, então estava muito cansada. Minha amiga e obstetra veio cedo na minha casa ver como eu estava, e aproveitou para ver qual era minha dilatação. Eu jurava que já estava com pelo menos 6 cm mas, para meu pânico, estava apenas com 3 cm.

Conforme eu havia planejado, procurei ficar em casa o máximo que pude, e assim o fiz, ficando até as 5 da tarde, quando a dor começou a ficar insuportável. Sim, neste momento eu já estava em 17 horas de trabalho de parto ativo, e jurava que o pequeno estava prestes a chegar. Eu, que sempre fui durona com dor, estava completamente fora da casinha de tanto sofrimento, mal conseguia caminhar e ficar em pé. Além disso o Antônio me chutava muito entre as contrações, de forma que eu não conseguia descansar. Chegando na maternidade fui levada para a sala de triagem onde fui avaliada, e estava ainda com apenas 6 cm de dilatação (eu jurava que estava com o bebê quase coroando).

(Pausa para agradecimento: Não sei nem como agradecer minha querida amiga Juliany, que mais uma vez foi uma presença tão especial no nascimento de um filho. Se a experiência deste parto foi desafiadora e difícil, não consigo nem imaginar em como teria sido sem ela. Não dá nem para listar aqui tudo o que ela fez por mim. Mas eu sei. Ju, tu é demais. Te amo. Gratidão!)

Fiquei mais algumas horas com contrações fortíssimas e infelizmente a dilatação havia parado. Foi quando implorei para o meu obstetra por analgesia pois não aguentava mais. Como eu já estava com 7 cm, ele decidiu me dar, pois o risco de ruptura uterina já era menor. Com isso consegui dormir, me alimentar (estava sentindo tanta dor que não tinha conseguido comer o dia todo) e descansar um pouco. Quando acordei, já estava com dilatação completa e pronta para a etapa expulsiva. Que coisa maravilhosa que foi a analgesia. ❤ ❤ ❤ Eu estava descansada, calma e feliz em começar a fazer força. Pelo ultrassom eu sabia que o Antônio era grande, e que esta seria uma etapa difícil, mas estava preparada para isso.

Eu estava emocionada, e já estava começando a fazer força, quando comecei a sentir uma dor no lado direito do meu corpo. A cada minuto que passava a dor ia ficando maior e mais intensa. Logo descobri o que estava acontecendo: a analgesia havia passado completamente em metade do meu corpo! Ou seja, de um lado fiquei completamente anestesiada e sem movimentos, e do outro fiquei sentindo dores fortíssimas. Isto me desestabilizou muito física e emocionalmente.

As dores foram ficando cada vez maiores, e depois de 5 horas sem muito progresso no expulsivo (o Antônio “emperrou” em um ossinho meu, e parou de descer) eu pedi por aquilo que tanto temia a gravidez inteira: uma nova cesárea. Eu já estava há muito tempo com a bolsa rota, mas confesso que o que mais me motivou foi meu total esgotamento físico e psicológico. Eu só queria que aquilo terminasse.

Então lá fomos de madrugada rapidamente para a sala de cirurgia. Eu precisava ficar imóvel para aplicação de uma nova anestesia, mas a dor era tanta que eu não conseguia ficar parada. Logo em seguida as dores começaram a se amenizar e fui ficando mais calma novamente. Ufa! Estava lúcida e conseguindo ver tudo pelo reflexo do refletor que fica em cima da cama. De repente ouço um comentário do meu obstetra “que estranho, o que era isso?”. A princípio achamos que meu útero estava com uma aderência e a cirurgia continuou normalmente.

O Antônio nasceu e assim como com a Alice fiquei surpresa com o rostinho dele, bem diferente do que eu imaginava! Ele nasceu bem comprido e com o cabelo bem preto, e com um narizinho diferente do meu. Sempre relacionei esta surpresa/estranhamento com a síndrome de Down da Alice, mas acho que num primeiro momento a gente se surpreende com o nosso filho mesmo (bom, pelo menos eu). Mas eu mal pude olhá-lo direito, pegá-lo, amamentá-lo, pois o pediatra imediatamente o tirou da sala e o levou para longe de mim, demorando o que pareceu uma eternidade para retornar.

Se por um lado eu tive a sorte de ser acompanhada por dois obstetras maravilhosos minha gravidez inteira, que me respeitaram e me apoiaram na minha tentativa de VBAC, em contrapartida eu, meu filho e meu marido fomos desrespeitados pelo pediatra de plantão que acompanhou o nascimento. Não pude ver meu filho direito, não pude amamentá-lo, não pude acalmar seu choro. O pediatra realizou diversos procedimentos que eu havia solicitado para que não fossem feitos no meu plano de parto e tratou meu filho sem o mínimo cuidado e carinho. Não quero me alongar muito sobre esse assunto, pois ainda fico triste quando lembro da situação.

Eu estava ainda triste por estar afastada do meu filho, quando meu obstetra veio conversar comigo, ainda na mesa de cirurgia. Ele me explicou que provavelmente devido à minha cesárea anterior, minha bexiga estava posicionada na frente do útero e, ao iniciar a cesárea, ele havia feito acidentalmente um grande corte nela, e que estava tentando entrar em contato com um urologista. Por sorte o marido de uma das médicas que o estava acompanhando era urologista, e foi de madrugada na maternidade para auxiliá-lo na cirurgia de reparação da bexiga.

Passada a cirurgia, ele me informou que tinha corrido tudo bem, mas que eu teria que usar uma sonda urinária por pelo menos uma semana e ficar de repouso. Acho que nesta hora meu nervosismo juntou-se a reação a analgesia e eu comecei a chacoalhar de tanto tremer na mesa de operação. Mas logo me administraram algo (nem sei o que foi), e fui ficando calma novamente.

E este foi o parto do Antônio. Naquela madrugada não consegui dormir direito, pois ainda tinha medo (irracional, eu sei) de uma nova contração. Durante alguns dias fiquei abalada emocionalmente, traumatizada com tudo o que eu tinha passado. Peço desculpas se decepcionei quem esperava um relato fofo e fotos lindas, mas a vida é assim, com bons momentos e outros nem tanto. Mas o que importa é que o Antônio nasceu muito bem eu agora já estou melhor.

Um adendo importante: que este meu relato não desanime quem sonha com um parto normal! Continuo defendendo os partos humanizados, a informação de qualidade e o empoderamento feminino. O meu parto foi difícil, mas existem diversas histórias lindas para vocês se inspirarem.

na imagem: Antônio com um dia de vida :)

na imagem: Antônio com um dia de vida 🙂

E o próximo post será sobre o primeiro mês do pequeninho! 🙂

A gravidez.

Na imagem: Eu (carol) segurando uma bandeirinha escrito Antônio.

Na imagem: Eu (carol) segurando uma bandeirinha escrito Antônio.

2014 foi um ano muito agitado. Entre trabalhar, reformar a casa e cuidar da Alice, mal tive tempo de curtir minha gravidez. Percebi inclusive que mal falei da gestação aqui no blog e quase não coloquei fotos do meu barrigão no facebook. Vou aproveitar que o querido Antônio está completando um mês hoje (viva!) e farei uma sequencia de posts dedicados a ele, falando sobre a gravidez, contando sobre o parto e com imagens do primeiro mês do pequeninho (e da sua mana, claro!)

A gravidez

Na gravidez da Alice eu tirei uma foto por dia da minha barriga, fazendo um timelapse do crescimento da pança (o resultado final eu postei aqui no blog). Percebi que peripécias como esta são luxos de mãe de primeira viagem, hehe. Dessa vez eu mal tive tempo de registrar em fotos legais o barrigão, a maior parte das fotos que eu tenho foram feitas com o iPhone em frente ao espelho mesmo. Minha barriga ficou bem maior dessa vez! Também, o mano nasceu bem maior e mais pesado que a Alice.

A correria no entanto foi boa para uma coisa: não sobrou tempo para ficar pensando muito se o bebê também teria síndrome de Down ou outra alteração genética. Aliás, não encuquei com quase nada nessa gestação, comi o que queria, esquecia de fazer os exames, não me estressei com peso… Estava tão focada na Alice, que não prestei muita atenção em mim mesma (e por consequência na gestação). Mas talvez isso seja em virtude de ser o segundo filho, acho que vamos ficando menos preocupadas mesmo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O café de bebê

Infelizmente minha família teve alguns casos de doença e de falecimento perto do final da minha gravidez, então nem tive clima de organizar um chá de bebê. Mas a dinda do Antônio não quis deixar passar em branco e marcou um café para os pais e tios, para pelo menos celebrar a vinda do pequeno. Foi um café bem simples, em uma pousada aqui de Floripa, muito bonito o lugar! As fotos ficaram tão bonitinhas, sofri para escolher só algumas para postar. (apesar de que eu estava enorme esse dia, maior do que nas últimas semanas de gravidez, não sei o que tinha acontecido).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Eu ia continuar o texto falando sobre o parto, mas o post começou a ficar muito gigante! Então decidi dividí-lo em 3 partes. Amanhã coloco no ar o relato do nascimento do Antônio 🙂 E o terceiro post será sobre o primeiro post do pequeno. Beijinhos!

Nossa vida com Alice… e baby! :)

Monster High? Galinha Pintadinha de pelúcia? Furby? Que nada! 🙂 O presente da bebê pig de Natal já foi encomendado: Um irmãozinho! 😀 ho ho ho!

Na imagem: ultrassom com um bebê usando um chapéu de papai noel.

Na imagem: ultrassom com o bebê usando um chapéu de papai noel.

É com muita alegria que divido com vocês esta novidade! A nossa família vai aumentar! 🙂 Nossa vida agora é com Alice e… baby! (ainda estamos decidindo o nome, aceitamos sugestões, hihi). Eu e o Thomas sempre quisemos mais de um filho, por isso logo nos animamos em formar uma duplinha. E do jeito que esse pequeno se mexe na barriga, essa duplinha vai ser do barulho! Minha intuição materna erra pela segunda vez: na primeira achei que era menino e dessa vez jurava que era menina. Estava tão certa que levei um susto quando descobri que era um guri. Adorei!

irmaozinho2

Na imagem: Alice sorrindo com um balão de fala escrito “Eba! Vou ganhar um irmãozinho!”

– “Eu sou tão fofa que meus pais decidiram fabricar mais um!” :}