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Óculos: Vitória! (Por enquanto, rs)

Na imagem #paracegover: Montagem de diversas fotos. Nelas, mostro um adaptador para os óculos, que fica atrás da orelha. Escrevo na montagem a frase “O fim da saga?”.

Achei que esse dia nunca ia chegar, mas chegou. A Alicinha adaptou-se aos óculos. Tentamos diversos artifícios, gambiarras, combinados, eu já estava quase cogitando lente de contato. No entanto, acredito que com o tempo, ela foi se acostumando com o grau maior e habituou-se em usá-los. Contudo, fica aqui a dica de duas coisas que acredito terem sido fundamentais para essa adaptação.

1: Adaptador para orelha

Eu não sei o nome disso direito. Mas é uma adaptação que vai na haste dos óculos, fazendo com que ele vista melhor, e não escorregue o tempo todo. Os óculos da Alice escorregavam muito, ela se aborrecia e jogava longe. Os elásticos que prendem atrás, por ela ter o nariz bem pequenino, comum na sd (e na nossa família) machucavam. Compramos um modelo de óculos especial, que podia ser todo ajustado, mas o que deu certo mesmo foi usar o modelo antigo com essa adaptação. A gente já tinha tentado vários modelos de elásticos para prender na nuca, todos causavam irritação e alergia nela, além de deixarem a lente muito próxima de seus olhos. Ela lacrimejava, a lente sujava, ela se irritava e tirava. O adaptador para a ponte nasal ate ajudava para os óculos não ficarem tão próximos aos cílios, mas o elástico apertava e ele acabava machucando. O bom do adaptador da orelha é que podemos já regular de maneira que os óculos fiquem numa distância boa dos olhos. E, sem o elástico, ela consegue tirar e colocar os óculos, tendo mais autonomia, o que eu acho fundamental. (De preferência que não seja autonomia para jogar os óculos no lixo, como ela já fez 😂).

O segundo item que colaborou muito nessa vitória: persistência.

Confesso que eu estava indisciplinada e sem ânimo com os óculos da Alice. É tanta coisa para estudar e colocar em prática que eu acabo me enrolando e deixando de lado alguma coisa (ou várias😅). Ela jogava ele longe e eu guardava e tentava de novo só uma hora depois (e olhe lá). Assim que ficamos sabendo que o grau dela estava bem alto, e seria ótimo para o seu desenvolvimento ficar de óculos o maior tempo possível, meu marido vestiu a camisa e assumiu o desafio. Ele leu em algum lugar que a criança precisava de 10 dias para habituar-se com óculos, então ficou duas semanas seguidas fazendo um intensivo. Se ela tirasse os óculos nada de tv, nada de brincadeira, ia para o cantinho do pensamento… Eu ficava morrendo de pena dela, mas achei que não seria muito legal ou produtivo desautorizá-lo.

O que me leva para o item surpresa número 3: apoio. A mãe não consegue dar conta de todas as demandas sozinha. Foi fundamental ter alguém acreditando que ela se adaptaria e batalhando por isso.

Resumindo: vitória por enquanto! Viva!

Eu preciso escrever um post aqui no blog sobre toda a nossa saga com a visão da Alice, mas nunca consigo me organizar para contar tudo. A visão dela infelizmente é algo que eu não consigo estimular tanto quanto deveria, e me sinto culpada por isso. Hoje em dia noto como isso contribuiu para ela demorar a andar. Então fica a dica para as mães dos bebês com sd: de olho na visão, hehe. 😀

na imagem: montagem com 3 fotos. Na primeira, Antônio de uniforme, brincando com um brinquedo colorido. Na segunda, Alice e Antônio sorrindo, no colo do pai. Na terceira, Alice sorrindo, de uniforme, a caminho da escola. Ela está de ocúlos lilás e o cabelo preso.

Aponta pra fé, e rema.

Ontem foi o primeiro dia de aula do Antônio e a volta às aulas da Alice! Que seja um ano letivo especial, com pessoas iluminadas à nossa volta. Mas ontem foi um dia significativo também por outro motivo: tivemos uma importante consulta médica, onde oficializamos um diagnóstico que já suspeitávamos por alguns meses. (‘guenta firme que já explico).

Com o início do tratamento da tireóide, a Alicinha fortaleceu a imunidade e passou a se desenvolver melhor de maneira geral. Porém, com o tempo, voltamos a enfrentar problemas com o ganho de peso, o crescimento, e algumas questões comportamentais surgiram. Somado a isso, diversos outros fatores iam se sobrepondo: um refluxo aparentemente intratável, apneia do sono, cansaço, irritabilidade…

Nossa endocrinologista – que também é naturopata – suspeitou de uma doença gastrointestinal. Ela sugeriu um exame específico para entendermos melhor o que se passava. Tentamos primeiramente fazer o teste aqui no Brasil, mas tivemos problemas com o detalhamento do resultado, então optamos por refazê-lo no laboratório americano que ela havia indicado. Depois de tentar entender a papelada burocratica que envolve enviar urina para fora do país, chegou o laudo: 11 páginas especificando como estava a questão gastrointestinal da Alice. (spoiler alert – não era nada boa).

Ao ler todas estas páginas, com ajuda de um amigo bioquímico, já ficou claro que a Alicinha estava com um complexo quadro de disbiose. E, de fato, na consulta de ontem foi oficializado este quadro, que engloba diversas frentes que teremos que atacar (uma delas é a Candidíase intestinal, por exemplo). O tratamento é meio chatinho, longo e envolve muita persistência. Uma das recomendações principais é seguir uma dieta específica e tomar alguns cuidados alimentares, para superar a doença da forma mais natural possível, que é a melhor maneira – e a mais permanente também.

(Pausa para um contexto/desabafo rápido)

2016 já começou com tudo. Já na primeira semana de janeiro precisamos levar a pequena 5 vezes ao ortodontista (tivemos um problema com um tratamento que ela faz, pretendo falar sobre isso no blog assim que o terminarmos). De lá pra cá diversos contratempos foram nos atropelando, por isso mal tenho conseguido atualizar o blog. Sabe aquela sensação que você tem ao voltar à superfície retomar o fôlego e logo tomar o caldo de uma onda novamente? Agora enfrentamos mais este novo desafio, que é superar esta questão gastrointestinal da Alicinha.

Fico pensando em como me esforço para que a Alice tenha uma alimentação saudável, e ainda assim surgem contratempos como estes, que nos estimulam a sermos ainda mais cuidadosos. Por isso, quando eu vejo uma mãe que precisa perder horas de sono para tentar ajudar sua filha, ser rotulada de neurótica, me sinto verdadeiramente triste. Quando vejo uma mãe que precisa levar marmita para seu filho em uma festinha de aniversário ser taxada de ridícula, me sinto pessoalmente ofendida. Há de se ter mais empatia, mais cuidado com as palavras… o que num primeiro momento possa parecer neurose, pode ser simplesmente apenas uma mãe querendo o melhor para seu pequeno.

Eu não vou mentir, seria bem mais fácil não ter que passar por tudo isso, poder relaxar e deixar a vida me levar. Para mim e para a Alice. Sem dúvida seria melhor para a gente não ter que lidar com dietas cuidadosas, passar noites estudando sobre disbiose, candidíase, bactérias… mas essa é a nossa realidade e, assim sendo, nos resta acreditar, apontar pra fé e remar.

E algumas fotos do primeiro dia de aula dos pequenos, pra encerrar o post com um pouco de fofura! 🙂

na imagem: montagem com 3 fotos. Na primeira, Antônio de uniforme, brincando com um brinquedo colorido. Na segunda, Alice e Antônio sorrindo, no colo do pai. Na terceira, Alice sorrindo, de uniforme, a caminho da escola. Ela está de ocúlos lilás e o cabelo preso.

na imagem: montagem com 3 fotos. Na primeira, Antônio de uniforme, brincando com um brinquedo colorido. Na segunda, Alice e Antônio sorrindo, no colo do pai. Na terceira, Alice sorrindo, de uniforme, a caminho da escola. Ela está de ocúlos lilás e o cabelo preso.

Estimular é um barato! Quebra cabeça (e aprendendo com a criança).

Meu conhecimento com estimulação vem muito de observação e tentativa e erro, com minha própria filha. Não tenho formação nessa área, mas através da nossa vivencia consigo extrapolar alguns aprendizados para as crianças em geral.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Um desses aprendizados é: se a criança não está se interessando por uma brincadeira, não tem curiosidade, joga o brinquedo longe… Volte duas casas e observe bem se aquela situação é adequada para ela. Muitas vezes a gente cai na tentação de achar logo que o problema é com a criança: ai, fulana é distraída! Ciclano não para quieto! Julgamentos rápidos e que rotulam a criança prematuramente.

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Na imagem: Alice com 11 meses, brincando na grama da casa da vovó. Ela está com duas maria chiquinhas.

Eliminando as observações básicas, (está doente/com sono/com fome) as questões a serem refletidas são inúmeras: O tema é do seu interesse? É algo compatível com sua motricidade fina? Ela consegue enxergar e entender as imagens? A sua explicação foi compatível com seu processamento auditivo? A brincadeira está muito devagar, deixando a criança entediada? O adulto (pai, mãe, TO, professora…) está interferindo demais? O ambiente não está bem elaborado?

As atividades e brincadeiras que eu acho mais divertidas e bem sucedidas são aquelas que eu preciso me envolver o mínimo possível, onde a Alice e o Antônio possam explorar sem minha constante intromissão e interferência.

Mas gente! Como eu divago. 😂 Todo esse preambulo para dizer que tive a ideia de fazer um quebra cabeça pra Alice, pois esses prontos, de 20 peças, eram ao meu ver ainda inapropriados para a motricidade fina dela. Então eu fiz uma atividade de encaixe, usando frutas que ela gosta, e uma estrutura mais grossa.

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Mas ela continuou não se interessando muito, como vocês podem ver pela foto abaixo, rs

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito "Quebra cabeça".

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito “Quebra cabeça”.

Então simplifiquei mais ainda: deixei os pedaços maiores e escolhi apenas um desenho. Escolhi algo que fosse de alto interesse para ela: patati patata. E dai ela finalmente curtiu e teve o estalo de encaixar as partes! 🎉Frente e verso são iguais, para ajudar. Bolei uma estrutura que eu consigo trocar a imagem, deixando o brinquedo mais sustentável.

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Espero que tenham gostado da dica! Quer tentar em casa? Segue abaixo os arquivos das frutas para download! Você pode brincar de quebra cabeça, de jogo da memória, usar para ensinar as frutas, para ensinar as cores, para ensinar o conceito de “dentro/fora”, sílabas… ou seja: usem como quiserem 🙂 » Imagens em JPG | Imagens em PDF

Beijos,
Carol.

Domini 

Existe “vergonha alheia… de si mesmo”? Inventei essa expressão, pois ela define bem o que eu estou sentindo agora. Explico: a Alicinha tem atraso no desenvolvimento da fala, estamos cogitando inclusive um segundo diagnóstico, mas isso eu explico melhor outra hora.”E onde entra a vergonha alheia nisso, Carol?”

Nos vídeos amadores que eu criei para ajudá-la a desenvolver a fala! 😅Existe muito material legal em inglês mas eu não encontrava nada do jeito que eu queria em português, então decidi eu mesma criar. Eu já criei dezenas de vídeos, mas sempre tive vergonha de colocar aqui no blog porque: a) detesto minha voz, b) tenho vergonha das musicas e animações toscas que eu crio e c) como são para uso pessoal, eu utilizo imagens que não são de minha propriedade intelectual. Mas como vi que os vídeos estão ajudando a pequena me forcei a botar a vergonha de lado para de repente ajudar outras famílias também. E, conversando com uma amiga advogada, ela me explicou que como o uso das imagens é pessoal e não visa lucro, não tem problema.

Eu queria vídeos com o ritmo bem lento e com bastante repetição, pois noto que em músicas assim que ela interage mais. Queria também imagens e palavras mais claras e simples, sem tanta poluição visual. Sigo algumas orientações do método Doman (fonte em caixa baixa, grande, com bastante contraste, etc) mas também incorporei um pouco do método Gemiini, que as mães americanas têm elogiado muito. Este último consiste em vídeos também com muita repetição e foco na pronúncia, com o apoio de vídeos de pessoas falando. E dessa mistura meio louca de Doman e Gemiini saiu meu… Domini, rs.

Eu crio as melodias em um aplicativo chamado Garage Band (as aulas de piano que eu fiz com 7 anos finalmente serviram para algo!) depois faço uma animação simples no After Effects. O video eu gravo pelo iPad mesmo, não fica com tanta qualidade mas é mais prático.

Hoje vou colocar aqui 3 animações que eu fiz sobre cores! Como eu falei lá em cima, me incomodava a poluição visual e quantidade de informações nos vídeos que a gente vê pelo YouTube. Você dificilmente acha um vídeo só sobre uma cor, por exemplo, normalmente a animação fala sobre todas, e rapidamente – o contrário do que eu queria.

https://www.youtube.com/watch?v=H0siHA4R_D4

Percebam que são vídeos bem focados para a Alicinha – escolho coisas do universo de interesse dela para deixar o momento mais lúdico. Então, se seu filho for mais velho e não curtir, de repente tenta fazer alguma coisa similar, mas usando personagens e desenhos que ele goste! Em tempo: eu coloco os vídeos no iPad, no computador, mas fica legal mostrar na televisão também! 😎

Bom, era isso. Espero que seja útil para outras famílias também. Em breve posto outros por aqui.

Edit: criei uma playlist no youtube para os videos! Estão neste link.

Beijos,
Carol.

Terceiro ano da alice!

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Legenda #ParaCegoVer: Thomas, Antônio, Alice e Carol. Estão segurando uma vela acesa com a Minnie. Na imagem uma montagem com o texto: Terceiro ano Alice.

E nossa linda e querida Alicinha completou 3 anos! 🙂 O Antônio não tem me dado folga, mas consegui achar um tempinho para pelo menos vir aqui colocar algumas fotos da festinha pequena que fizemos em casa. Escolhi fazer da Minnie (a Mimi, segundo ela) pois é uma das sensações do momento aqui com a Alicinha. Gente… como sou grata por estar ao lado dessa garotinha linda, todos os dias. E por isso faço questão de fazer festa mesmo, ainda que simples, pra comemorar a felicidade de mais um ano de sua vida.

Logo menos eu volto a postar mais no blog, pessoal ❤

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O óculos lilás (e o maior problema em ensinar uma pessoa com síndrome de Down).

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Descrição #ParaCegoVer: Alice vestida de lilás, brincando de tinta, com uma flor rosa no cabelo e seus óculos novos.

Alicinha está de óculos novos! “Perdeu” seu antigo então precisamos comprar um novo par. Além disso tivemos que mudar sua lente – sua hipermetropia aumentou – e aproveitei a ocasião. Eu quis variar um pouco o vermelho e pedi um lilás. Logo depois me arrependi, mas já não tinha volta. Mas até que ficou bonitinho, não acham? A Alicinha adorou a novidade*, acho que estava com saudade de usar óculos, e precisando também. Com a correria aqui de casa acabou ficando 3 semanas sem usar. Quando provou o modelo novo deu uma gargalhada e foi se olhar no espelho.

Ela tem uma hipermetropia considerável e devia estar incômodo ficar sem. Além da hipermetropia ela tem estrabismo e provavelmente algum nível de ambliopia. Fazemos um acompanhamento muito legal com um instituto de optometria aqui de floripa. Eles têm uma visão mais ampla da saúde visual e eu curto bastante essa abordagem. Eu não dou conta de fazer todos os exercícios que eles pedem, mas me esforço para fazer pelo menos o mínimo.

Mas e como Alicinha “perdeu” seus queridos óculos vermelhos? Não tenho certeza, mas tenho uma forte suspeita que a pequena fez uma sapequice e os jogou no lixo da escola. Ocorre que estamos a ensinando a usar o lixo reciclado aqui em casa, e ela adora. Gosta tanto que de vez em quando a pego indo colocar o controle remoto ou o estojo de lápis ou o babador na lixeira. As professoras já salvaram um tênis novo do lixo também. #tenso

E esse episódio tragicômico me fez lembrar de uma frase ótima que eu ouvi uma vez: “Cuidado ao ensinar seu filho com síndrome de Down… ele aprende. ;)”

*dois dias depois a Alicinha passou a não querer mais colocar os óculos. Não sei se perdeu o costume ou está estranhando as lentes novas… 😦 Féun

Sobre Festas Juninas e Representatividade

Ando tão enrolada que só consegui colocar as fotos da Alice na festa junina agora em JULHO! Com a chegada do Antônio meu tempo para atualizar o blog ficou mais apertado. Além disso, de um tempo para cá, tenho ficado um pouco desanimada em colocar tanta foto da Alice na internet e expor tanto nossa vida. Tudo isso porque li um texto que mexeu muito comigo, de uma mãe contando que usaram a foto da filha dela (sem autorização, claro) para um teste pré-natal. Além de ser super chato usarem uma foto de um filho seu sem autorização, ainda tinha o agravante de que a propaganda em si era depreciativa.

Eu trabalho com ilustração, então estou habituada a lidar com imagens minhas sendo usadas sem permissão, mas só de pensar em usarem a foto da Alice em um contexto assim negativo me deixou muito triste. Fotos dela já são usadas sem crédito ou liberação, e talvez seja apenas uma questão de tempo até eu achar um post que utilize sua imagem de maneira pejorativa.

Alguns dias se passaram, e vi um post no facebook sobre um ensaio que questionava a representatividade de pessoas negras na cultura pop. O projeto foi idealizado por Noemia Oliveira e Orlando Caldeira e clicado por Guilherme Silva. O objetivo do trabalho era aflorar a reflexão sobre os valores estéticos impostos na sociedade brasileira e a falta de referência negra na TV, cinema e mídia em geral. (fonte: Catraca Livre). Aliás, isso me fez lembrar de uma outra discussão, de como é importante que as meninas novas vejam mulheres nas mais variadas profissões e em posições de poder, para conseguirem enxergarem estas possibilidades como alternativas reais. Sabe, exemplos concretos servindo como um norte para moldar e guiar sonhos.

E daí me veio um estalo que o NVCA é isso. Mais que dicas de estimulação, mais que artigos científicos traduzidos, mais que minhas divagações maternas. Nosso blog é sobre REPRESENTATIVIDADE. É uma maneira de mostrar para as outras famílias que é possível ter uma vida feliz com um filho com deficiência. Procurei tanto por isso assim que a Alice nasceu, então sei da importância disso para os pais que acabaram de receber o diagnóstico.

Então o que parecia ser um post simples e trivial sobre uma festinha junina, na realidade é algo muito maior. É nossa representatividade da possibilidade de amor e alegria. 🙂 Então fiquem com várias fotos da nossa pequena arrasando no arraiá da escolinha, e seu mano meio liso meio crespo se divertindo junto.

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Seis meses de Antônio.

(Um preâmbulo. Gente, peço desculpas pelo texto longo. Quando vou escrevendo acabo me empolgando, e quando eu vejo os parágrafos estão se reproduzindo e parindo novos paragrafos, descontrole total. Abre o post aí numa abinha do seu navegador e vai lendo por partes. 🙂 Que tal?)

Hoje bebê Antônio completa seis meses. Sei que tenho vários motivos para ser grata e comemorar o dia de hoje, mas queria celebrar especificamente uma conquista muito especial nossa, que sempre sonhei: seis meses de amamentação exclusiva e em livre demanda! *dancinha da alegria* Tentei isso por muito tempo com a Alice, inclusive falei sobre nossa luta aqui no blog, mas depois de meses me esforçando acabei desistindo. Com o Antônio o início também não foi fácil. Sofri mais uma vez com hiperlactação, com fissuras nos seios, empedramento… Todos estes problemas decorrentes de orientações confusas que fui recebendo e pela minha insegurança.

Pausa para explicar minha insegurança: minha apojadura demorou um pouco (a da Alice foi imediatamente após o parto… a do Antônio demorou um pouco mais. Minhas lembranças após a cesárea são meio confusas – #doRgas – mas acredito que deva ter demorado 24 horas. O suficiente para a louca aqui já ficar ansiosa e desesperada. Eu coloquei tanto ele no seio para estimular a decida, que acabei detonando com meus seios. E ele sugava super bem, quando saímos da maternidade ele não somente não havia perdido peso, como saiu mais gordinho.

Depois de 10 dias de sofrimento, chamei a querida Carol Scheuer, consultora em amamentação, que foi me acalmando, me orientando e dando dicas para que o aleitamento do Antônio corresse bem. Ela me passou uma série de leituras do Dr. Carlos Gonzáles que me ajudaram imensamente. Ler sobre criação com apego me auxiliou muito. É tão bom ter um embasamento de qualidade para tudo aquilo que você já se identifica intuitivamente. Se consegui sobreviver a estes seis meses sem ter virado um zumbi foi graças à cama compartilhada.

Amamentar um bebê e ao mesmo tempo trabalhar e cuidar de uma filha de dois anos não é tarefa fácil. Preciso estar disposta durante o dia, para dar atenção à Alicinha e fazer as atividades que preparo para ela. (Como ela anda numa fase sem tanto acompanhamento terapêutico, tenho feito algumas atividades em casa com ela, para compensar). Sou grata por toda ajuda que recebo. Aliás minha família tem sido bem legal, em especial minha minha mãe e minhas tias (além da minha querida ajudante Maussa!)

E agora, seis meses depois, tenho um menininho de 9 quilos e meio, um fofo, prestes a conhecer o maravilhoso e colorido mundo da introdução alimentar. Mais um novo desafio para descobrirmos juntos. A mamãe que adora inventar uma moda aqui tem lido sobre BLW. O conceito me agrada, será que conseguiremos colocar em prática? Depois conto por aqui. 🙂

Na imagem: Antônio sorri, brincando no colo do seu papai Thomas.

Na imagem: Antônio sorri, brincando no colo do seu papai Thomas.

Na imagem: Antônio com chapéu de cachorrinho, no colo do seu padrinho Gustavo.

Na imagem: Antônio com chapéu de cachorrinho, no colo do seu padrinho Gustavo.

Na imagem: Antônio olhando para a câmera, no meu colo!

Na imagem: Antônio olhando para a câmera, no meu colo!

Na imagem: Antônio sorrindo no colo do seu tio Robson.

Na imagem: Antônio com o cabelo despenteado, sorrindo no colo do seu tio Robson.

Feliz 6 meses, Antônio!

Dois meses de Antônio!

Na imagem: montagem de fotos da Alice e do Antônio, com a frase "Dois meses de Antônio".

Na imagem: montagem de fotos da Alice e do Antônio, com a frase “Dois meses de Antônio”.

Ontem o Antônio completou dois meses! Tenho um sentimento conflitante: ao mesmo tempo parece que estes dois meses passaram voando, também sinto que milhões de coisas aconteceram neste período. O “pequeno” está enorme, já dobrou o peso do nascimento e, com um mês e meio, já tinha crescido inacreditáveis 8 centímetros. É, tudo indica que Antônio é um projetinho de papai Thomas mesmo. Até o cabelo que tinha nascido pretinho e cheio, como o meu, já afinou e ficou castanho. Ele é um bebê muito querido, chora pouquinho e é muito simpático.

Mas fica aqui registrado meu desabafo:
eu não tô dando conta.

Talvez no futuro eu ache que foi a melhor decisão do mundo ter engravidado logo, assim tão perto da Alice. Mas no momento eu só consigo pensar: onde fui me meter? A sensação que eu tenho é que não consigo cuidar bem de nenhum dos dois. Todas as atividades que eu fazia com a Alice estão basicamente paradas há dois meses. Tenho vários “deveres de casa” para fazer com ela, que seus terapeutas nos passam (como exercícios para seu estrabismo, por exemplo), que eu não estou conseguindo fazer de jeito nenhum. O desfralde, que eu também tinha iniciado, está em câmera lenta quase parando. E, coitado do Antônio, não consigo fazer com ele nem metade das brincadeiras estimulantes que fazia com a Alice em sua época de bebê pig.

Aos poucos as coisas vão se ajeitando, eu sei. O ciúme da Alice, por exemplo: antigamente ela chegava perto do irmão e já ia mordendo e arranhando. Agora ela se aproxima do Antônio e dá um beijinho, brinca com o pézinho dele (e em seguida arranha, hihi). Mas evoluiu, não acham? Eu obviamente não deixo que ela o machuque e quando ela o faz sempre explico que é errado. Mas por outro lado eu tenho uma empatia enorme pelo ciúme dela, sei que é normalíssimo. Como falaram em um grupo do facebook que eu participo: Imagine se seu marido chegasse em casa com outra esposa? Então eu procuro ter paciência, ensiná-la e mentalizo que em breve os dois serão bem amigos e parceiros.

Abaixo algumas fotos deste mês que passou.
Um “muah!” da Alice e um “angu” do Antônio para vocês! 🙂

O primeiro mês.

Na imagem: Antônio sorrindo e a frase "Primeiro mês do Antônio".

Na imagem: Antônio sorrindo e a frase “Primeiro mês do Antônio”.

Sexta passada o nosso querido Antônio comemorou seu primeiro mês, viva! Não vou mentir, os primeiros dias foram bem difíceis. Passamos a véspera de natal e o natal na maternidade, tive reação à anestesia (enxaqueca), estava com diversos curativos e a sonda urinária era extremamente desconfortável. Além disso, assim como com a Alice, tive hiperlactação, e fissuras nos seios. Hiperlactação é uma coisa tão chata, que o desconforto da sonda ficou até em segundo plano, em termos de incômodo. Mas foram os 10 primeiros dias, com o tempo as coisas foram melhorando. 🙂 Ainda bem!

O pequeno nasceu mamando super bem! Ele já nasceu morto de fome e com a pega perfeita, do jeito que eu tanto torci durante a gestação. Não consegui amamentar direito a Alice, e queria muito que desta vez desse certo, e deu. Aliás deu super certo: o bebê é super esfomeado e quer comer o tempo todo. A fome era tanta que ele nem perdeu peso ao sair da maternidade, já saiu 100 gramas mais pesado do que nasceu! 😮 Nunca tinha visto disso.

Neste primeiro mês tive uma rede de apoio enorme. Tios, padrinhos, avós, e sobrinhos, vários familiares e amigos se revezando para me ajudar a cuidar da Alice, da casa e de mim mesma. Se já foi difícil com toda essa ajuda, fico só imaginando quem não tem apoio nenhum… (fica aqui meu agradecimento por toda a ajuda, vocês foram demais). Acredito que ter essa rede seja fundamental para o sucesso da amamentação, pra reduzir as chances de baby blues, entre outras vantagens. Se a mulher está completamente esgotada física e emocionalmente, não há produção de leite que dure.

O Antônio é uma figurinha, um bebê muito tranquilo. Como eu torci por um bebê suave na nave para equilibrar um pouco com a Alice-ligada-na-tomada. Tem pouca cólica, chora pouco e tira várias sonequinhas. Ainda não tem o sorriso muito fácil, está frequentemente com uma carinha de desconfiado. Mas quando abre um sorriso é uma graça, me derreto toda. Ele está engordando e esticando bastante também, tem roupinhas que nem usou e já não estão servindo mais. Eu, miuda que sou (assim como a Alice), acho tudo isso muito diferente e engraçado.

Foi bom enquanto durou, acabou a folga: terminaram as férias da minha irmã e da minha mãe, e minhas tias viajaram para casa de praia, então as ajudinhas estão ficando cada vez mais escassas. A Alice ainda está de férias, então fico com os dois pequenos o dia inteiro. Gente… que canseira. E isso que conto com a super Maússa para me ajudar com a arrumação da casa. Eu fico pensando na ‘Carol que trabalhava o dia todo’, e na ‘Carol mãe de um filho só’, e que se achava super cansada e penso: Sabia de nada, inocente… (e provavelmente alguma leitora que é mãe de 3 está pensando isso da Carol atual).

Queria comentar sobre o desafio que está sendo lidar com os ciúmes da Alice, e a dificuldade que estou tendo em dividir a atenção entre duas crianças. Mas isso é um assunto tão complexo, que farei um post somente para ele. Sabe como é, com um recém nascido e uma pequena na fase “terrible two” de férias em casa, mais que 15 minutos na frente do computador é luxo!

Abaixo algumas fotos dos pequenos neste primeiro mês 🙂

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