Notícias do Desfralde (e video novo no canal!)

🤔 Eu não sei o que tá pegando aqui em casa, talvez esteja atrelado a uma recente regressão na integração sensorial, mas alicinha anda tendo alguns escapes de xixi. 🚽 Ou então esteja conectado a uma mudança na rotina de “número dois” dela, que acabou bagunçando toda sua noção corporal.
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👉🏽 Somado a tudo isso, ela não comunica tão adequadamente quando precisa ir ao banheiro, as vezes tenho impressão que o corpo dela está todo ocupado em não ter escape, e não sobra organização neurológica/corporal para elaborar uma frase comunicando esta mesma necessidade.
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Toni entrou na “festa” 🙃 e anda fazendo xixi direto fora do penico também. Eu pergunto: 👩🏽Toni quer fazer xixi. Ele responde 👦🏻 naaaaaaao! E 3 minutos depois faz na calça 🙍🏽 😒 🙃 Todo esse preambulo pra contextualizar a inspiração para essa minha nova música 🎶 “vamos pedir para ir ao banheiro?” espero que ajude nas suas famílias, auxiliando nesse momento de comunicação.
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👉🏽 Caso seu filho tenha acompanhamento de uma fonoaudióloga, estabeleça com ela metas para seu filho, de acordo com a realidade dele no momento. Seja usar pecs, seja usar somente a palavra xixi, seja já estimular uma frase simples ou até mesmo uma frase mais completa. Eu acabo focando em palavras e frases simples e curtas, pois essa é a nossa realidade do momento, mas fiquem a vontade para usar essa música como base para algo mais complexo ou mais simples dependendo da sua realidade.
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Gente que engraçado, aproveitei um tempinho antes de pegar as crianças na escola para gravar eu cantando uma parte, e quando dou por mim tem pessoas no estacionamento do colégio me olhando com uma cara tipo “pq essa louca tá cantando xixi e cocô pro celular?” 🙃
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Então é isso pessoas, na torcida para que o video incentive meus pequenos a pedirem para ir no banheiro, e espero que seja útil para a família de vocês também!

Dona Candida

Recentemente fizemos uma nova leva de exames com a Alice, para investigar como andava a sua disbiose, sua intoxicação de metais pesados, suas intolerâncias alimentares, e outras questões de nutrição+saúde.

Algumas coisas melhoraram muito, outras melhoraram um pouco e outras estão iguais ou levemente piores. Quem acompanha a nossa vida com Alice pelas redes sociais sabe da nossa luta com a disbiose, especialmente com a candidíase intestinal e a clostridium difficile.

A ótima notícia é que com o tratamento fitoterápico conseguimos curar a clostridium difficile! Não a zeramos, mas já diminuímos para um valor que a médica e o laboratório consideram normal. Yay!

Outra boa notícia é que conseguimos diminuir a candidíase intestinal, apesar de ainda não estar curada. O lado bom de estar melhor, é que poderemos continuar com os tratamentos fitoterápicos. Eu confesso que fiquei surpresa com estes dois resultados, pois ela precisou tomar antibiótico por vários dias por conta da pneumonia.

Uma notícia não tão legal é que ela continua contaminada com níveis altos de metais pesados/elementos nocivos. Estávamos fazendo um tratamento direcionado para alumínio, que de fato ajudou um pouco especificamente nisso, mas apesar desse elemento em si ter diminuído, a soma total dos elementos tóxicos aumentou. Então é algo para focarmos agora com mais atenção.

Uma esperança minha em auxiliá-la em todas essas questões metabólicas e nutricionais é ajudá-la nas questões de integração sensorial, que infelizmente deram uma piorada. Mas esse é um assunto que quero falar com mais calma, me aprofundar mais em um outro post.

Como algumas pessoas me perguntam sobre super crescimento de candidíase intestinal, quais seriam os sintomas, fiz uma tradução de alguns sites que li (como aqui, aqui, aqui). Lembrando o de sempre e o óbvio: não sou médica, sou apenas uma mãe que pesquisa para ajudar na saúde da sua filha, e que divide estas informações com outras famílias. Conversem sempre com um profissional da área da saúde de sua confiança.

Sintomas de candida overgrowth
(super crescimento de candidíase intestinal)

Candida é um tipo de levedura que naturalmente existe no corpo. É uma parte normal da sua bactéria intestinal, e está presente nas mucosas, na pele e no canal de parto (1). Em circunstâncias normais, candida não é um problema e coexiste com as outras bactérias no trato intestinal. É somente quando a candida cresce e superpopula seu sistema digestivo, que pode se espalhar por todo o resto do corpo e causar uma infecção conhecida como crescimento excessivo de candida (2). Existem mais de 20 tipos diferentes de candida que podem causar uma infecção por fungos, mas o mais comum é candida albicans, ou C. albicans (2). Candida é conhecida como um fungo “oportunista” porque, dada as condições certas, não há limite para onde se espalhará. Isso pode causar sérios danos aos seus órgãos e tecidos, incluindo o cérebro e os rins (2). Uma vez que o crescimento excessivo de candida chega a este ponto, torna-se uma condição de saúde crônica chamada candida sistêmica (3). A cândida também é o fungo responsável por causar sapinho (candidíase oral), que é comum em bebês e infecções vaginais por fungos (4). Olhemos mais de perto os sintomas do crescimento excessivo de candida:

  • Sentir-se cansado e desgastado, fadiga crônica
  • Infecções por fungos na pele e nas unhas
  • Problemas digestivos como inchaço, constipação ou diarréia
  • Doenças auto-imunes, como tireoidite de Hashimoto, artrite reumatóide, colite ulcerativa, lúpus, psoríase, esclerodermia ou esclerose múltipla
  • Dificuldade de concentração, pouca memória, falta de foco
  • Problemas de pele como eczema, psoríase, urticária e erupções cutâneas
  • Irritabilidade, mudanças de humor, ansiedade ou depressão
  • Infecções vaginais, infecções do trato urinário, prurido retal ou coceira vaginal
  • Alergias sazonais graves ou coceira nas orelhas
  • Desejo forte por açúcar ou carboidratos refinados
  • Alergias / intolerâncias alimentares
  • Infecções dos sinus
  • Um sistema imunológico fraco
  • Dores nas articulações

O blog Kettle and Fire também lista itens que favorecem o super crescimento da candida, explicando muito bem um a um (quem entende inglês, ou se anima a usar o google translate, indico a leitura!) Cito eles rapidamente aqui: 1. Um sistema imunológico enfraquecido 2. Uma dieta com alto teor de açúcar 3. Uso freqüente de antibióticos 4. Anticoncepcionais orais 5. Stress Crônico. Além disso, na síndrome de Down, a baixa motilidade intestinal e constipação também favorecem este quadro.

Fiz também uma versão para impressão, caso você queira imprimir e ler com mais calma, ou conversar com o médico/profissional da área da saúde (nutricionista, nutrólogo, etc) que acompanha seu filho. Uma imagem dela abaixo, e link para download aqui.

Então é isso aí! Partiu iniciar mais uma fase do tratamento, voltar a focar na alimentação bem saudável e específica para esse quadro da Alicinha. Eu gostaria de ser mais dedicada, especialmente na questão da alimentação, mas faço o que consigo. E assim vamos caminhando, dando o melhor que podemos dar naquele momento de nossas vidas, e sempre em frente. E como não tem nada a ver ilustrar o post com uma foto de um fungo ou uma bactéria, rs, vai uma foto da minha pequenina linda.

para cego ver: Foto da Alice sorrindo, prestes a comer uma pipoquinha, com óculos vermelhos e dos laços vermelhos no cabelo.

Sobre flores e espinhos

 

 

 

 

 

Há um tempo o facebook começou a colocar nas notificações algumas lembranças de anos que se passaram. E há dias eu esperava por uma lembrança específica: a lembrança do dia que eu contei para todos que a Alicinha tinha nascido com síndrome de Down. Eu estava ansiosa por essa lembrança, queria ver como eu reagiria. Apesar de hoje estarmos completando cinco anos desde dia, ainda não me cicatrizei completamente da experiência de receber a notícia. Antes de ontem eu comentei que me sinto fazendo aniversário junto com a Alice, pois uma nova Carol nasceu naquele dia. E, como num parto, o processo de nascimento dessa nova Carol teve muita beleza, mas também teve dor. E tudo bem. Não tenham medo de sentir tristeza, não tenham medo de sentir dor, não tenham medo de falar sobre isso. Eu sou a favor de termos um olhar positivo sobre a vida, de focarmos no que há de belo nela, mas para algumas pessoas, para isso acontecer de fato, é preciso aceitar e falar também sobre nossas dores. Por uma vida onde a gente pare e veja os espinhos das flores, mas também aprecie o perfume e a beleza delas. E que é essa mistura que faz a nossa caminhada maravilhosa.

Na imagem #paracegover Uma foto da Alice recém nascida, dormindo, envolta por uma manta rosa. Escrevo no post “Amigos, esta é a Alice, nasceu e é LINDA, pequeninha, saudável e muito especial. Veio para nos trazer muitas alegrias. Depois de uma cesárea de emergência, tivemos outra surpresa: nossa princesinha trouxe com ela uma dose a mais de alegria, em um cromossomo a mais: nossa linda tem síndrome de down. Estamos dando muito amor e carinho para ela, que é o novo sentido da nossa vida. Agradecemos todo o carinho! <3”

De mão cheia ✨🖐🏽✨

Cinco anos atrás essa menininha moreninha adorável, opiniosa, de narizinho arrebitado, conhecida como Alicinha, chegava 👧🏽 Nestes cinco anos passamos por tantas coisas, aprendemos tanto, que de certa forma me sinto fazendo aniversário junto com ela! Sem brincadeira, o aniversário dela é muito significativo pra mim: nasceu não só uma menininha maravilhosa… nasceu uma mãe, nasceu com ela uma Carol diferente, com um olhar que mudou tanto para tanta coisa. Enxergo a infância de outra maneira, a maternidade, as mulheres, as pessoas com deficiência. Parece que passou uma vida, em cinco anos. E passou mesmo, a ✨ Nossa vida com Alice ✨. Me sinto tão sortuda por ter uma filha querida que tem tanta paciência comigo… eu vivo enfiando os pés pelas mãos, erro mesmo me esforçando em acertar, sofro diariamente com a sensação que não estou conseguindo dividir direito minha atenção entre os dois filhos… e ela todo dia está lá, com seu rostinho fofo, me olhando com ternura, me dando mais uma chance para aprender, para errar, acertar, para ser a mãe dela. Uma querida amiga hoje me parabenizou pela “mão cheia” que a Alice está completando. E não é? completamos uma mão cheia “de mão cheia” ❤️🖐🏼

#paracegover eu e alicinha, no bolinho que rolou aqui em casa no final de semana. Ela está abraçadinha em mim, comendo uma pipoca. Nós duas estamos sorrindo.

Quanto cabe em um metro?

Olhei a Alice hoje pela manhã e pensei: hmmmm essa calça está bem curtinha, hein? Ela pareceu ter dado uma crescidinha, e fiquei logo intrigada em saber quanto ela estava medindo. Mil tentativas depois de tentar medi-la, vi que ela estava com um metro! Viva!!! Nossa que alegria. 🙏

Na mesma hora parece que rebobinou toda uma história na minha cabeça. De tudo que já passamos até chegar nesse metro. Quantas alegrias, quantas vezes que segurei o choro em uma consulta com um médico e voltei com um nó na garganta pra casa. Mas também a alegria e sorte de já ter encontrado tantos médicos, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc, maravilhosos. Acho que muitas pessoas podem ler isso e pensar: “nossa que exagero, essa emoção toda por um metro?” Mas é que batalhamos tanto por ele que esse metro conquistado tem a sensação de uma maratona! 😀

Vale comentar que mesmo com nosso empenho, nas tabelas de crescimento típicas ela está lá na base (mas pra mim ela ainda estar dentro já é motivo de comemoração), e nas tabelas atuais específicas de sd ela está no percentil 50, ou seja, está na média. Mas uma amiga hoje me deu uma lembrada básica de que eu sou minúscula, hehe (eu não chego nem a 1,60), e que ela mesmo sem ter sd talvez puxasse mais a mim do que ao Thomas (que tem quase 1,90). Aliás, jamais imaginei que eu pensaria isso, mas se a Alice crescer e ficar do meu tamanho eu ficarei felicisssisssississisima. 😂

Na foto: Alice de pé, sorrindo, com duas chiquinhas, de óculos lilás, com roupa do colégio. o fundo é colorido. Ela está sorrindo.

Aprendendo o nome

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

A psicopedagoga da Alicinha, a querida Deisi, pediu para que eu elaborasse um material para elas trabalharem o pareamento das letrinhas do nome da Alice. Ela explicou mais ou menos como queria, e eu produzi o material que mostro abaixo no vídeo, e explico um pouco melhor em seguida nesse post. 😉

Quem acompanha o blog há um tempo já deve ter notado que eu gosto de ir me virando com as coisas que eu tenho em casa mesmo. Então como eu não tinha uma prancha com a rigidez que eu precisava, reuni várias folhas mais espessas e as fixei com fita adesiva larga. Para não ficar somente um material simples, sem nenhum atrativo, pensei em colocar um enunciado, com o desenho que fiz da Alice e do Antônio. Este trecho, e a parte da referência das letras, foram fixadas em adesivo sob adesivo, o que me permitiria movê-los para a segunda etapa de uso do material ou até mesmo no reaproveitamento desta mesma base para outra atividade. (Na segunda etapa a Deisi explicou que retiraríamos a referência do nome de cima do espaço do velcro, e colocaríamos em uma outra prancha, para irmos progressivamente desafiando a criança. No vídeo, em uma das fotos, dá para ver esse momento. Acredito que em uma terceira etapa, seriam retiradas todas as referências, e a criança montaria o nome sozinha, sem pareamento).

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Para ajudar no pareamento, pensei em velcro, que é um material bem prático e eu já tinha disponível aqui em casa. Esta parte que ficaria mais exposta usei o lado macio do velcro, pois a minha pequena tem transtorno de integração sensorial, e é louquinha pela parte áspera do velcro. Em fases onde ela está muito muito muito desorganizada sensorialmente, chega a passar os dedinhos nesse lado áspero até quase sangrar. 😟

As palavras e os enunciados foram impressos em papel sulfite normal. O nome de referência adesivei diretamente na prancha, e as letras móveis adesivei em retângulos rígidos que criei no mesmo estilo da base grande (grudando diversos papeis espessos até chegar na gramatura que eu queria). Coloquei duas fitas de velcro no verso deste retângulo, para facilitar o posicionamento destes, com ajuda de uma cola quente. Para a segunda etapa, reposicionei o enunciado para ficar mais próximo do velcro, e colei o nome de referência em uma segunda prancha, que fiz com restinhos de papelão que eu tinha aqui em casa.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Espero que o post seja útil 🙂 Se tiverem alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários que posso respondê-las ou encaminhá-las para a psicopedagoga da Alice. Um abraço!

A armadilha da comparação

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

E então seu primeiro filho nasce com deficiência. Uma deficiência moderada porém complexa, que afeta seu crescimento, sua evolução motora, seu desenvolvimento cognitivo. Como pais de primeira viagem, ainda inexperientes, esse mundo que pode parecer diferente para a maioria dos pais, para nós tornou-se comum, nosso referencial. Para nós, o normal era ter um bebê fazendo fisioterapia, correr atrás de ganho de peso, batalhar pelos marcos do desenvolvimento.

Mas aí veio o Antônio, que tem um desenvolvimento típico. Ganha peso fácil, mama direitinho e cresce feito mato, rs. Quando vejo, está rolando. Coloco um dia sentado, por curiosidade, e ele fica sentadinho. Por mais que eu esteja satisfeita, claro, com o bom desenvolvimento dele, a realidade é que não estou acostumada com as coisas acontecendo assim de “graça”, de forma tão natural. Inevitavelmente, comparações entre essas situações passam na minha cabeça.

Mãe que sou, esse ser cheio de culpas, logo passei a me sentir inadequada por ficar fazendo tantas comparações. Afinal, cada filho é único com sua história a ser escrita, com suas características. O Antônio não merece ser moldado a partir de comparações com sua irmã, e a Alice não merece ser reduzida a um paragono de seu irmão mais novo. Por outro lado, percebo que comparações são inevitáveis. É impossível não perceber disparidades entre um filho e o outro, e isso, a meu ver, extrapola a questão deficiência. Pessoas são diferentes, ponto.

Mas se por um lado comparações são inevitáveis e podem ser inofensivas, toda essa reflexão me fez chegar a duas conclusões. A primeira é que mesmo que eu note as diferenças entre um e outro, devo ter sensibilidade e bom senso e evitar compará-los em voz alta. Crianças são super antenadas e ouvem tudo, mesmo quando parecem estar distraídas brincando. A segunda conclusão é que estas diferenças não devem servir como juízo de valor. O fato de alguém ser assim ou assado, precisar de mais ou menos tempo/ajuda para se desenvolver não o torna melhor ou pior. O torna… diferente.

E não somos todos diferentes? 🙂

Apraxia.

Vocês já devem ter notado que de um tempo pra cá tenho falado sobre apraxia da fala na página do Facebook e no blog. Eu fiquei desconfiada que a Alicinha se encaixava no quadro quando li uma matéria no Movimento Down sobre o tema e ao conhecer o conjunto de características que descreviam a Apraxia de fala na infância. Mas o diagnóstico profissional e oficial só veio recentemente, há algumas semanas. Além disso, ela também tem algumas questões ligadas ao desenvolvimento da linguagem, que eu pretendo falar em outro post.

Mas o que é apraxia da fala, afinal? A querida fonoaudióloga de Cinthia Azevedo, de Belo Horizonte, explica nesta entrevista, que ela gentilmente gravou para o NVCA:

Começaremos agora uma terapia fonoaudióloga focada nisso e nas questões de linguagem que a Alice apresenta. Mais um desafio, sem dúvidas, mais coisas para estudar e aprender. O novo pode ser assustador, mas estou querendo resgatar um olhar mais otimista e confiante, que já foi mais presente em mim, para superar essa nova fase.

Existe a possibilidade de em alguns anos eu notar que o caso dela não era de fato Apraxia de fala? Existe, claro. Mas amanhã, dia 14, é o dia da conscientização da Apraxia de fala, e quis aproveitar o momento para trazer luz ao tema e, quem sabe, ajudar outras famílias a investigar se esse seria um possível motivo para o atraso de fala de seu filho também.

E encerro com uma foto dos pequenos com a querida vovó Soninha, sempre ao nosso lado me ouvindo, apoiando e ajudando. Amamos você!

Na imagem: Alice e Antônio, no colo da Vovó Soninha. Eles sorriem.

Na imagem: Alice e Antônio, no colo da Vovó Soninha. Eles sorriem.

Links úteis:
Página sobre treinamento em Apraxia
Matéria sobre Apraxia no site Movimento Down
Grupos no facebook sobre o tema:
https://www.facebook.com/groups/ApraxiaKidsBrasil/
https://www.facebook.com/groups/994664287256710/

Estimular é um barato! Quebra cabeça (e aprendendo com a criança).

Meu conhecimento com estimulação vem muito de observação e tentativa e erro, com minha própria filha. Não tenho formação nessa área, mas através da nossa vivencia consigo extrapolar alguns aprendizados para as crianças em geral.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Um desses aprendizados é: se a criança não está se interessando por uma brincadeira, não tem curiosidade, joga o brinquedo longe… Volte duas casas e observe bem se aquela situação é adequada para ela. Muitas vezes a gente cai na tentação de achar logo que o problema é com a criança: ai, fulana é distraída! Ciclano não para quieto! Julgamentos rápidos e que rotulam a criança prematuramente.

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Na imagem: Alice com 11 meses, brincando na grama da casa da vovó. Ela está com duas maria chiquinhas.

Eliminando as observações básicas, (está doente/com sono/com fome) as questões a serem refletidas são inúmeras: O tema é do seu interesse? É algo compatível com sua motricidade fina? Ela consegue enxergar e entender as imagens? A sua explicação foi compatível com seu processamento auditivo? A brincadeira está muito devagar, deixando a criança entediada? O adulto (pai, mãe, TO, professora…) está interferindo demais? O ambiente não está bem elaborado?

As atividades e brincadeiras que eu acho mais divertidas e bem sucedidas são aquelas que eu preciso me envolver o mínimo possível, onde a Alice e o Antônio possam explorar sem minha constante intromissão e interferência.

Mas gente! Como eu divago. 😂 Todo esse preambulo para dizer que tive a ideia de fazer um quebra cabeça pra Alice, pois esses prontos, de 20 peças, eram ao meu ver ainda inapropriados para a motricidade fina dela. Então eu fiz uma atividade de encaixe, usando frutas que ela gosta, e uma estrutura mais grossa.

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Mas ela continuou não se interessando muito, como vocês podem ver pela foto abaixo, rs

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito "Quebra cabeça".

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito “Quebra cabeça”.

Então simplifiquei mais ainda: deixei os pedaços maiores e escolhi apenas um desenho. Escolhi algo que fosse de alto interesse para ela: patati patata. E dai ela finalmente curtiu e teve o estalo de encaixar as partes! 🎉Frente e verso são iguais, para ajudar. Bolei uma estrutura que eu consigo trocar a imagem, deixando o brinquedo mais sustentável.

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Espero que tenham gostado da dica! Quer tentar em casa? Segue abaixo os arquivos das frutas para download! Você pode brincar de quebra cabeça, de jogo da memória, usar para ensinar as frutas, para ensinar as cores, para ensinar o conceito de “dentro/fora”, sílabas… ou seja: usem como quiserem 🙂 » Imagens em JPG | Imagens em PDF

Beijos,
Carol.

Estimular é um barato: brincando com cores!

Estou cheia de fotos e dicas para a sessão “Estimular é um barato” aqui do blog, mas minha rotina anda de cabeça para baixo #ficandomaluca. Voltei a pesquisar e ler muito sobre síndrome de Down, e isso tem consumido o pouco tempo livre que sobra por aqui. Mimimis à parte, vamos ao que interessa: mais uma dica envolvendo caixas de papelão! Eu sou a louca das caixas. Adoro. Enquanto a maioria das pessoas olha uma caixa de papelão e pensa “entulho” eu penso “oba, que que dá pra inventar?” 😀

Dessa vez criei uma brincadeira onde cada face da caixa ensinava as cores de uma maneira diferente. Na realidade vi algo parecido no pinterest e copiei a ideia na maior cara de pau. 🙂 aliás, alguém bloqueia o pinterest no meu computador? Fico vendo essas blogueiras fazendo um monte de atividades legais e lindas para os filhos e tenho vontade de largar tudo e só fazer isso o dia todo.

Sobre a brincadeira:
Gosto de movimento, de aprender e ensinar de maneiras multi-sensoriais, então a ideia de uma caixa onde você estimula a criança a ficar de pé, a agachar, a pegar, jogar, bater, pra mim é mais legal que um brinquedo caro que você aperta um botão e faz tudo sozinho. Com o bônus de ser um brinquedo mais eco-amigável.

Face #01: Acerte a bola!
Nada de muito mirabolante: a criança pega uma bola colorida e coloca no buraco respectivo! Dessa forma ela aprende a parear, encaixar, as cores, treina e estimula seu movimento motor amplo e fino. Perceba que mesmo que a criança coloque a bolinha no lugar errado, olha quanta coisa ela conseguiu! Eu acho que brincadeira tem que ser legal, então não fico corrigindo muito nem apontando os erros. Se ela acerta as cores eu faço uma festa, mas se não, eu nem me esquento. As vezes só falo “que legal filha, você colocou a bolinha laranja no buraco vermelho!”, mas deixo ela brincar bem solta. Quer enfiar a boneca dentro da caixa? Pode. A popó de pelúcia? Pode. A gente vive querendo que nossos filhos tenham criatividade e pensem fora da caixa, mas quando eles ousam mudar o script de uma brincadeira muitas vezes os podamos.

Face #02: high five!
Desenhei mãos coloridas para a Alice fazer high 5 conforme eu fosse falando os tons. Bem bom para a coordenação motora também: levanta, agacha, estica, bate. A Alice da uma ignorada básica nos meus comandos, rs, mas eu vou batendo junto e falando o nome das cores, alguma coisa ela deve absorver.

Face #03: Animais coloridos!
Eu queria fazer uma atividade que envolvesse pareamento, que grudasse, mas que fosse bem fácil tanto de preparar quanto de brincar. Velcro logo me veio à mente, mas relutei um pouco pois Alice tem um pouco de desequilíbrio sensorial tátil (ela é, no campo tátil, sensory seeker. Se ela vê um velcro ou uma lixa ou algo com muita textura ela fica hashtag-obcecada). Mas na falta de uma opção melhor acabei usando velcro mesmo, tomando cuidado para a parte áspera ficar na caixa, para dificultar pelo menos um pouco o comportamento auto estimulante.

A Face #04… eu ainda não fiz, rs. Eu tive algumas ideias, mas ou eram coisas muito complexas para ela, ou coisas que ela destruiria em 5 minutos, rs. Alguma sugestão? 🙂

Espero que tenham gostado! Abaixo as referências que eu usei como inspiração e algumas fotos da caixa. Em breve coloco umas fotos da Alicinha brincando, que ainda não consegui baixar da câmera.

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