Sobre flores e espinhos

 

 

 

 

 

Há um tempo o facebook começou a colocar nas notificações algumas lembranças de anos que se passaram. E há dias eu esperava por uma lembrança específica: a lembrança do dia que eu contei para todos que a Alicinha tinha nascido com síndrome de Down. Eu estava ansiosa por essa lembrança, queria ver como eu reagiria. Apesar de hoje estarmos completando cinco anos desde dia, ainda não me cicatrizei completamente da experiência de receber a notícia. Antes de ontem eu comentei que me sinto fazendo aniversário junto com a Alice, pois uma nova Carol nasceu naquele dia. E, como num parto, o processo de nascimento dessa nova Carol teve muita beleza, mas também teve dor. E tudo bem. Não tenham medo de sentir tristeza, não tenham medo de sentir dor, não tenham medo de falar sobre isso. Eu sou a favor de termos um olhar positivo sobre a vida, de focarmos no que há de belo nela, mas para algumas pessoas, para isso acontecer de fato, é preciso aceitar e falar também sobre nossas dores. Por uma vida onde a gente pare e veja os espinhos das flores, mas também aprecie o perfume e a beleza delas. E que é essa mistura que faz a nossa caminhada maravilhosa.

Na imagem #paracegover Uma foto da Alice recém nascida, dormindo, envolta por uma manta rosa. Escrevo no post “Amigos, esta é a Alice, nasceu e é LINDA, pequeninha, saudável e muito especial. Veio para nos trazer muitas alegrias. Depois de uma cesárea de emergência, tivemos outra surpresa: nossa princesinha trouxe com ela uma dose a mais de alegria, em um cromossomo a mais: nossa linda tem síndrome de down. Estamos dando muito amor e carinho para ela, que é o novo sentido da nossa vida. Agradecemos todo o carinho! <3”

De mão cheia ✨🖐🏽✨

Cinco anos atrás essa menininha moreninha adorável, opiniosa, de narizinho arrebitado, conhecida como Alicinha, chegava 👧🏽 Nestes cinco anos passamos por tantas coisas, aprendemos tanto, que de certa forma me sinto fazendo aniversário junto com ela! Sem brincadeira, o aniversário dela é muito significativo pra mim: nasceu não só uma menininha maravilhosa… nasceu uma mãe, nasceu com ela uma Carol diferente, com um olhar que mudou tanto para tanta coisa. Enxergo a infância de outra maneira, a maternidade, as mulheres, as pessoas com deficiência. Parece que passou uma vida, em cinco anos. E passou mesmo, a ✨ Nossa vida com Alice ✨. Me sinto tão sortuda por ter uma filha querida que tem tanta paciência comigo… eu vivo enfiando os pés pelas mãos, erro mesmo me esforçando em acertar, sofro diariamente com a sensação que não estou conseguindo dividir direito minha atenção entre os dois filhos… e ela todo dia está lá, com seu rostinho fofo, me olhando com ternura, me dando mais uma chance para aprender, para errar, acertar, para ser a mãe dela. Uma querida amiga hoje me parabenizou pela “mão cheia” que a Alice está completando. E não é? completamos uma mão cheia “de mão cheia” ❤️🖐🏼

#paracegover eu e alicinha, no bolinho que rolou aqui em casa no final de semana. Ela está abraçadinha em mim, comendo uma pipoca. Nós duas estamos sorrindo.

Quanto cabe em um metro?

Olhei a Alice hoje pela manhã e pensei: hmmmm essa calça está bem curtinha, hein? Ela pareceu ter dado uma crescidinha, e fiquei logo intrigada em saber quanto ela estava medindo. Mil tentativas depois de tentar medi-la, vi que ela estava com um metro! Viva!!! Nossa que alegria. 🙏

Na mesma hora parece que rebobinou toda uma história na minha cabeça. De tudo que já passamos até chegar nesse metro. Quantas alegrias, quantas vezes que segurei o choro em uma consulta com um médico e voltei com um nó na garganta pra casa. Mas também a alegria e sorte de já ter encontrado tantos médicos, dentistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc, maravilhosos. Acho que muitas pessoas podem ler isso e pensar: “nossa que exagero, essa emoção toda por um metro?” Mas é que batalhamos tanto por ele que esse metro conquistado tem a sensação de uma maratona! 😀

Vale comentar que mesmo com nosso empenho, nas tabelas de crescimento típicas ela está lá na base (mas pra mim ela ainda estar dentro já é motivo de comemoração), e nas tabelas atuais específicas de sd ela está no percentil 50, ou seja, está na média. Mas uma amiga hoje me deu uma lembrada básica de que eu sou minúscula, hehe (eu não chego nem a 1,60), e que ela mesmo sem ter sd talvez puxasse mais a mim do que ao Thomas (que tem quase 1,90). Aliás, jamais imaginei que eu pensaria isso, mas se a Alice crescer e ficar do meu tamanho eu ficarei felicisssisssississisima. 😂

Na foto: Alice de pé, sorrindo, com duas chiquinhas, de óculos lilás, com roupa do colégio. o fundo é colorido. Ela está sorrindo.

Mudando a Narrativa

No início do ano tive a alegria em colaborar em dois projetos muito muito legais: o Mudando a Narrativa e o MultiGestos, idealizados por pessoas muito especiais. Aproveito o momento para agradecer o convite e a confiança. 😀

O Mudando a Narrativa foca na contação de histórias com recursos de acolhimento e acessibilidade, produção de elementos multisensoriais para experimentação e apreensão de conceitos estruturantes do conto/história e na criação de materiais de apoio para compreensão da história e da estrutura do texto narrativo, ilustração e sistema de escrita alfabética, em braile e em libras.

Marca criada para o projeto Mudando a Narrativa, um livro virando a página, revelando uma nova página colorida, com diversos elementos lúdicos.

Marca criada para o projeto Mudando a Narrativa, um livro virando a página, revelando uma nova página colorida, com diversos elementos lúdicos.

Desenvolvi uma série de materiais focando na acessibilidade de ENTRADA de informação para o projeto. Mas lá pelas tantas eu pensei, puxa vida, podemos também trabalhar na acessibilidade de SAÍDA de informação! Logo lembrei das crianças com sd ou apraxia, e em como ajudá-las a contar as histórias. Foi quando eu tive o estalo: e se eu unisse os dois projetos? Utilizar as ilustrações que desenvolvi para o Mudando a Narrativa e combinar com as pistas do método MultiGestos? Sugeri para as autoras de ambos os projetos, e elas permitiram! Viva!

Então aos poucos irei produzir vídeos com esse enfoque, como este abaixo, da bruxa! No canal do Nossa Vida com Alice já coloquei outros, corre lá para espiar. 🎬

https://www.youtube.com/c/nossavidacomalice

#paracegover: Video da minha boca, com batom colorido, falando a palavra Bruxa. Em seguida surge, de maneira animada, a palavra Bruxa, escrita em preto sob fundo branco. Depois surge a ilustração de uma bruxa. Em seguida, novamente aparece um video da minha boca falando a palavra, dessa vez com o auxílio das pistas do método MultiGestos. Para finalizar, uma tela parabenizando a criança, com a ilustração da bruxa novamente.

Aprendendo o nome

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

A psicopedagoga da Alicinha, a querida Deisi, pediu para que eu elaborasse um material para elas trabalharem o pareamento das letrinhas do nome da Alice. Ela explicou mais ou menos como queria, e eu produzi o material que mostro abaixo no vídeo, e explico um pouco melhor em seguida nesse post. 😉

Quem acompanha o blog há um tempo já deve ter notado que eu gosto de ir me virando com as coisas que eu tenho em casa mesmo. Então como eu não tinha uma prancha com a rigidez que eu precisava, reuni várias folhas mais espessas e as fixei com fita adesiva larga. Para não ficar somente um material simples, sem nenhum atrativo, pensei em colocar um enunciado, com o desenho que fiz da Alice e do Antônio. Este trecho, e a parte da referência das letras, foram fixadas em adesivo sob adesivo, o que me permitiria movê-los para a segunda etapa de uso do material ou até mesmo no reaproveitamento desta mesma base para outra atividade. (Na segunda etapa a Deisi explicou que retiraríamos a referência do nome de cima do espaço do velcro, e colocaríamos em uma outra prancha, para irmos progressivamente desafiando a criança. No vídeo, em uma das fotos, dá para ver esse momento. Acredito que em uma terceira etapa, seriam retiradas todas as referências, e a criança montaria o nome sozinha, sem pareamento).

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Para ajudar no pareamento, pensei em velcro, que é um material bem prático e eu já tinha disponível aqui em casa. Esta parte que ficaria mais exposta usei o lado macio do velcro, pois a minha pequena tem transtorno de integração sensorial, e é louquinha pela parte áspera do velcro. Em fases onde ela está muito muito muito desorganizada sensorialmente, chega a passar os dedinhos nesse lado áspero até quase sangrar. 😟

As palavras e os enunciados foram impressos em papel sulfite normal. O nome de referência adesivei diretamente na prancha, e as letras móveis adesivei em retângulos rígidos que criei no mesmo estilo da base grande (grudando diversos papeis espessos até chegar na gramatura que eu queria). Coloquei duas fitas de velcro no verso deste retângulo, para facilitar o posicionamento destes, com ajuda de uma cola quente. Para a segunda etapa, reposicionei o enunciado para ficar mais próximo do velcro, e colei o nome de referência em uma segunda prancha, que fiz com restinhos de papelão que eu tinha aqui em casa.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Espero que o post seja útil 🙂 Se tiverem alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários que posso respondê-las ou encaminhá-las para a psicopedagoga da Alice. Um abraço!

Estimular é um barato! » Biscoitos

Oba, mais um Estimular é um barato 🙂 Estava querendo reunir essas fotos tem quase um ano 😂Esse final de semana separei um tempinho e consegui fazer um video simples mostrando como não precisamos de nada muito mirabolante para estimular nossos pequenos. Uma atividade corriqueira como preparar biscoitinhos já é uma oportunidade legal para estimular vários sentidos. Seja mostrando diferentes cores, nomeando texturas, apresentando novos odores, estimulando autonomia… Enfim, essas tarefas do dia a dia são um prato cheio para o neurodesenvolvimento dos nossos pequenos.

Descrição resumida do video, #paracegover: Mostro em uma edição de videos e fotos, a Alice preparando biscoitos! Ela usa um batedor manual para misturar a massa, adiciona ingredientes, fica toda suja de farinha de arroz, rs. No fim do video, mostro algumas fotos da atividade, como formas coloridas, Alice sorrindo, espalhando a massa.

Round 2 – fight!

Um mês atrás refizemos os exames específicos (ácidos orgânicos) para investigar como vai o sistema digestivo da Alicinha. De uns meses pra cá sua integração sensorial decaiu muito, me deixando de cabelo em pé, então decidi fazer um mineralograma também, mesmo sabendo que o exame é um pouco controverso. Segundo a médica que nos acompanha nestas questões, este exame não é totalmente confiável (espero ter entendido direito a explicação em inglês dela, e não estar falando nenhuma bobagem aqui), pois muitas vezes a pessoa pode estar contaminada, mas não estar colocando pra fora, não aparecendo, assim, em seu cabelo. Resumindo, falsos negativos acontecem. Mas eu cheguei num ponto de desespero que mesmo assim quis fazer, para ter uma luz do que estava acontecendo com minha pequena. No dia de enviar as amostras eu tinha desistido de fazer o teste 😅 – fiquei com pena de tirar uma mechinha de seu cabelo – mas eu teria que refazer toda a papelada alfandegária, uma trabalheira, então acabei no impulso fazendo. A Alice está particularmente alterada com a questão oral e tátil. A questão vestibular era muito significativa quando ela era menor, mas com o tempo foi melhorando. Visão e audição parecem estar dentro da normalidade.

Nossa, esse era para ser um post rápido dando notícias, mas já estou aqui divagando e escrevendo bastante. Mas gosto de contar sobre nossa experiência por aqui para poder quem sabe trazer luz ao assunto, e alertar outras famílias sobre problemas intestinais, e como eles muitas vezes são a raiz de outros problemas. Então, como falei da última vez, alicinha estava com um quadro complexo de disbiose, que envolvia parasitas, bactérias, fungos, etc. Enfim, seguimos o tratamento que a medica nos propôs, algumas coisas seguimos à risca, outras não conseguimos fazer plenamente por falta de tempo e organização da nossa parte. E na consulta de ontem descobri que uma parte do tratamento eu entendi errado, ops. 😁 Era para eu ter introduzido uma suplementação de uso contínuo, e eu introduzi apenas por seis semanas, o tempo do tratamento específico que fizemos para candida.

Os resultados dos exames chegaram após um mês e percebemos, já com ajuda do laudo detalhado que acompanha o resultado, que ela ainda tinha um quadro bem complexo de disbiose, ligeiramente melhor, mas ainda bem complicado. Não foi nenhuma surpresa… clinicamente era o que eu percebia. Existe a possibilidade de que ela estivesse melhorando, mas a cirurgia 3 em 1 que ela fez dois meses atrás tenha feito essa situação regredir. (muitos medicamentos, anestesia, etc). O resultado do mineralograma também foi preocupante. Ela está contaminada com vários elementos tóxicos, com destaque especial para alumínio, que está super alto.

– Mas onde a alicinha se contaminou, Carol?

Bom, eu estou com diversas suspeitas, que incluem a água da casan, que foi autuada por excesso de alumínio em dezembro, uma máquina que eu uso para fazer leites vegetais, que preciso investigar bem a composição, alguns produtos industrializados que eu até já parei de usar, mas que podem a ter contaminado. Além disso, a sua disbiose promove uma situação chamada leaky gut, onde o sistema digestivo fica poroso, deixando passar para seu organismo elementos que não deveriam estar ali (a comunidade médica deve ficar de cabelo em pé com meu jeito tosco de explicar as coisas, rs) Então curando esse seu quadro, a quantidade de alumínio vazando e contaminando seu corpo diminuiria. Assim esperamos. Aparentemente água que contenha naturalmente sílica ajuda a fazer o detox. Irei atrás de uma que não me deixe à beira da falência.

E quanto a disbiose, lá vamos nós para uma segunda fase de tratamento. Dessa vez um pouco mais intensiva, ainda que seja toda baseada em componentes botânicos (a médica que nos acompanha é naturopata). A boa notícia é que fizemos amplos exames de tireóide, e está tudo – pela primeira vez – super controlado. Ao menos uma coisa boa 😄 Então fica aqui mais um capítulo da nossa saga, espero que ajude a trazer mais atenção para essa questão, alertar outras famílias. Problemas de pele, questões comportamentais, dificuldade em crescer e em ganhar peso, transtorno de integração sensorial, entre outras várias questões: investiguem o intestino. 😊

Na foto: Papai thomas com uma chuquinha rosa no cabelo, Alice dando uma gargalhada e Antônio com o boné do seu avô. Para terminar o post com uma dose de alegria :)

Na foto: Papai thomas com uma chuquinha rosa no cabelo, Alice dando uma gargalhada e Antônio com o boné do seu avô. Para terminar o post com uma dose de alegria 🙂

Apraxia.

Vocês já devem ter notado que de um tempo pra cá tenho falado sobre apraxia da fala na página do Facebook e no blog. Eu fiquei desconfiada que a Alicinha se encaixava no quadro quando li uma matéria no Movimento Down sobre o tema e ao conhecer o conjunto de características que descreviam a Apraxia de fala na infância. Mas o diagnóstico profissional e oficial só veio recentemente, há algumas semanas. Além disso, ela também tem algumas questões ligadas ao desenvolvimento da linguagem, que eu pretendo falar em outro post.

Mas o que é apraxia da fala, afinal? A querida fonoaudióloga de Cinthia Azevedo, de Belo Horizonte, explica nesta entrevista, que ela gentilmente gravou para o NVCA:

Começaremos agora uma terapia fonoaudióloga focada nisso e nas questões de linguagem que a Alice apresenta. Mais um desafio, sem dúvidas, mais coisas para estudar e aprender. O novo pode ser assustador, mas estou querendo resgatar um olhar mais otimista e confiante, que já foi mais presente em mim, para superar essa nova fase.

Existe a possibilidade de em alguns anos eu notar que o caso dela não era de fato Apraxia de fala? Existe, claro. Mas amanhã, dia 14, é o dia da conscientização da Apraxia de fala, e quis aproveitar o momento para trazer luz ao tema e, quem sabe, ajudar outras famílias a investigar se esse seria um possível motivo para o atraso de fala de seu filho também.

E encerro com uma foto dos pequenos com a querida vovó Soninha, sempre ao nosso lado me ouvindo, apoiando e ajudando. Amamos você!

Na imagem: Alice e Antônio, no colo da Vovó Soninha. Eles sorriem.

Na imagem: Alice e Antônio, no colo da Vovó Soninha. Eles sorriem.

Links úteis:
Página sobre treinamento em Apraxia
Matéria sobre Apraxia no site Movimento Down
Grupos no facebook sobre o tema:
https://www.facebook.com/groups/ApraxiaKidsBrasil/
https://www.facebook.com/groups/994664287256710/

Óculos: Vitória! (Por enquanto, rs)

Na imagem #paracegover: Montagem de diversas fotos. Nelas, mostro um adaptador para os óculos, que fica atrás da orelha. Escrevo na montagem a frase “O fim da saga?”.

Achei que esse dia nunca ia chegar, mas chegou. A Alicinha adaptou-se aos óculos. Tentamos diversos artifícios, gambiarras, combinados, eu já estava quase cogitando lente de contato. No entanto, acredito que com o tempo, ela foi se acostumando com o grau maior e habituou-se em usá-los. Contudo, fica aqui a dica de duas coisas que acredito terem sido fundamentais para essa adaptação.

1: Adaptador para orelha

Eu não sei o nome disso direito. Mas é uma adaptação que vai na haste dos óculos, fazendo com que ele vista melhor, e não escorregue o tempo todo. Os óculos da Alice escorregavam muito, ela se aborrecia e jogava longe. Os elásticos que prendem atrás, por ela ter o nariz bem pequenino, comum na sd (e na nossa família) machucavam. Compramos um modelo de óculos especial, que podia ser todo ajustado, mas o que deu certo mesmo foi usar o modelo antigo com essa adaptação. A gente já tinha tentado vários modelos de elásticos para prender na nuca, todos causavam irritação e alergia nela, além de deixarem a lente muito próxima de seus olhos. Ela lacrimejava, a lente sujava, ela se irritava e tirava. O adaptador para a ponte nasal ate ajudava para os óculos não ficarem tão próximos aos cílios, mas o elástico apertava e ele acabava machucando. O bom do adaptador da orelha é que podemos já regular de maneira que os óculos fiquem numa distância boa dos olhos. E, sem o elástico, ela consegue tirar e colocar os óculos, tendo mais autonomia, o que eu acho fundamental. (De preferência que não seja autonomia para jogar os óculos no lixo, como ela já fez 😂).

O segundo item que colaborou muito nessa vitória: persistência.

Confesso que eu estava indisciplinada e sem ânimo com os óculos da Alice. É tanta coisa para estudar e colocar em prática que eu acabo me enrolando e deixando de lado alguma coisa (ou várias😅). Ela jogava ele longe e eu guardava e tentava de novo só uma hora depois (e olhe lá). Assim que ficamos sabendo que o grau dela estava bem alto, e seria ótimo para o seu desenvolvimento ficar de óculos o maior tempo possível, meu marido vestiu a camisa e assumiu o desafio. Ele leu em algum lugar que a criança precisava de 10 dias para habituar-se com óculos, então ficou duas semanas seguidas fazendo um intensivo. Se ela tirasse os óculos nada de tv, nada de brincadeira, ia para o cantinho do pensamento… Eu ficava morrendo de pena dela, mas achei que não seria muito legal ou produtivo desautorizá-lo.

O que me leva para o item surpresa número 3: apoio. A mãe não consegue dar conta de todas as demandas sozinha. Foi fundamental ter alguém acreditando que ela se adaptaria e batalhando por isso.

Resumindo: vitória por enquanto! Viva!

Eu preciso escrever um post aqui no blog sobre toda a nossa saga com a visão da Alice, mas nunca consigo me organizar para contar tudo. A visão dela infelizmente é algo que eu não consigo estimular tanto quanto deveria, e me sinto culpada por isso. Hoje em dia noto como isso contribuiu para ela demorar a andar. Então fica a dica para as mães dos bebês com sd: de olho na visão, hehe. 😀

Aponta pra fé, e rema.

Ontem foi o primeiro dia de aula do Antônio e a volta às aulas da Alice! Que seja um ano letivo especial, com pessoas iluminadas à nossa volta. Mas ontem foi um dia significativo também por outro motivo: tivemos uma importante consulta médica, onde oficializamos um diagnóstico que já suspeitávamos por alguns meses. (‘guenta firme que já explico).

Com o início do tratamento da tireóide, a Alicinha fortaleceu a imunidade e passou a se desenvolver melhor de maneira geral. Porém, com o tempo, voltamos a enfrentar problemas com o ganho de peso, o crescimento, e algumas questões comportamentais surgiram. Somado a isso, diversos outros fatores iam se sobrepondo: um refluxo aparentemente intratável, apneia do sono, cansaço, irritabilidade…

Nossa endocrinologista – que também é naturopata – suspeitou de uma doença gastrointestinal. Ela sugeriu um exame específico para entendermos melhor o que se passava. Tentamos primeiramente fazer o teste aqui no Brasil, mas tivemos problemas com o detalhamento do resultado, então optamos por refazê-lo no laboratório americano que ela havia indicado. Depois de tentar entender a papelada burocratica que envolve enviar urina para fora do país, chegou o laudo: 11 páginas especificando como estava a questão gastrointestinal da Alice. (spoiler alert – não era nada boa).

Ao ler todas estas páginas, com ajuda de um amigo bioquímico, já ficou claro que a Alicinha estava com um complexo quadro de disbiose. E, de fato, na consulta de ontem foi oficializado este quadro, que engloba diversas frentes que teremos que atacar (uma delas é a Candidíase intestinal, por exemplo). O tratamento é meio chatinho, longo e envolve muita persistência. Uma das recomendações principais é seguir uma dieta específica e tomar alguns cuidados alimentares, para superar a doença da forma mais natural possível, que é a melhor maneira – e a mais permanente também.

(Pausa para um contexto/desabafo rápido)

2016 já começou com tudo. Já na primeira semana de janeiro precisamos levar a pequena 5 vezes ao ortodontista (tivemos um problema com um tratamento que ela faz, pretendo falar sobre isso no blog assim que o terminarmos). De lá pra cá diversos contratempos foram nos atropelando, por isso mal tenho conseguido atualizar o blog. Sabe aquela sensação que você tem ao voltar à superfície retomar o fôlego e logo tomar o caldo de uma onda novamente? Agora enfrentamos mais este novo desafio, que é superar esta questão gastrointestinal da Alicinha.

Fico pensando em como me esforço para que a Alice tenha uma alimentação saudável, e ainda assim surgem contratempos como estes, que nos estimulam a sermos ainda mais cuidadosos. Por isso, quando eu vejo uma mãe que precisa perder horas de sono para tentar ajudar sua filha, ser rotulada de neurótica, me sinto verdadeiramente triste. Quando vejo uma mãe que precisa levar marmita para seu filho em uma festinha de aniversário ser taxada de ridícula, me sinto pessoalmente ofendida. Há de se ter mais empatia, mais cuidado com as palavras… o que num primeiro momento possa parecer neurose, pode ser simplesmente apenas uma mãe querendo o melhor para seu pequeno.

Eu não vou mentir, seria bem mais fácil não ter que passar por tudo isso, poder relaxar e deixar a vida me levar. Para mim e para a Alice. Sem dúvida seria melhor para a gente não ter que lidar com dietas cuidadosas, passar noites estudando sobre disbiose, candidíase, bactérias… mas essa é a nossa realidade e, assim sendo, nos resta acreditar, apontar pra fé e remar.

E algumas fotos do primeiro dia de aula dos pequenos, pra encerrar o post com um pouco de fofura! 🙂

na imagem: montagem com 3 fotos. Na primeira, Antônio de uniforme, brincando com um brinquedo colorido. Na segunda, Alice e Antônio sorrindo, no colo do pai. Na terceira, Alice sorrindo, de uniforme, a caminho da escola. Ela está de ocúlos lilás e o cabelo preso.

na imagem: montagem com 3 fotos. Na primeira, Antônio de uniforme, brincando com um brinquedo colorido. Na segunda, Alice e Antônio sorrindo, no colo do pai. Na terceira, Alice sorrindo, de uniforme, a caminho da escola. Ela está de ocúlos lilás e o cabelo preso.