Primeiro corte de cabelo da Alice :)

Eu enrolei quase dois anos, mais por inércia do que por convicção, mas este dia finalmente chegou: o primeiro corte de cabelo da Alicinha! Na realidade eu morria de medo de ir em um profissional que fizesse alguma besteira no cabelo dela, por isso me enrolei tanto tempo. Mas em breve a pequenina está fazendo dois anos, e achei que estava mais do que na hora de ganhar um corte decente. Fora que eu estava doida para fazer uma franjinha nela, hihi.

Tive ideia então de ir no Austin, que corta a crina da minha irmã, da sobrinha e da minha mãe, e que é bem atencioso, para cortar o cabelo da pequena. E deu certo! Ele foi super atencioso e carinhoso, e a alicinha-pig adorou. A furacãozinho jogou todos os pentes no chão, mandou beijo pra todo mundo, fez a festa. No final ele ainda fez questão de dar o corte de presente pra ela, um querido mesmo. Olha a bagunça:

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Chegando em casa não resisti e cortei mais um pouquinho, hihi. Tirem as tesouras de perto de mim, eu sou um perigo! :) Ainda não consegui tirar nenhuma foto decente do resultado final, mas seguem algumas fotos de como ficou:

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Estimular é um barato: Tinta comestível!

Opa, fazia tempo que não pintava um “estimular é um barato” por aqui, né? Andei um tempo meio desanimada, mas agora voltei com tudo, baby! ;) No post de hoje vou falar especificamente sobre tinta comestível, sugerir algumas receitas e dar algumas dicas.

Não sei como é aí na casa de vocês, mas a minha pequena aqui ama lanchar o giz de cera, aperitivar uma massinha colorida e de sobremesa saborear uma tinta cor de rosa. Como eu gosto de deixá-la bem livre brincando, ao invés de ficar “Não come! Cospe isso! Não é papá!” o tempo todo, por aqui a solução são os materiais comestíveis.

Seguem algumas receitas que encontrei pela internet e já testei aqui em casa:

Tinta Neve:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 xícara de sal
  • 1 xícara de água

Atenção para o modo de preparo, veja que complicado: misture tudo! :D Você pode dividir em potes diferentes e usar diferentes corantes alimentícios em cada porção.

Tinta de farinha:

  • farinha de trigo
  • água
  • corante alimentício

Misture 1 xícara de farinha e 3 xícaras de água em uma panela. Ferva até que a mistura esteja densa. Espere esfriar e acrescente os corantes alimentares.

Tinta de maizena (minha preferida!)

  • amido de milho (maizena)
  • água
Misture 4 colheres de amido de milho, três colheres de água e mexa em uma xícara com água fervendo. Quando a mistura esfriar, acrescente corante para alimentos e coloque na geladeira ou deixe esfriar naturalmente.
Cores naturais! :)
Caso seu bebê seja muito pequeno, ou você queira ser mais natural ainda, existem várias opções naturais de coloração, como beterraba, abóbora, café, chás.

Como brincar?

Algumas sugestões de brincadeira “dirigida”: você pode brincar conceitos de temperatura, fazendo uma tinta gelada, uma em temperatura ambiente e uma morna. Você também pode brincar com densidades, fazendo uma tinta mais espessa e uma mais rala. Além disso, você pode mostrar como as cores formam outras cores quando misturadas, desenhar a inicial do nome da criança no papel, etc. Ao brincar com tinta você estimula a criatividade, a propriocepção, o vocabulário…

Vantagens da tinta caseira:

Segurança: A vantagem principal é a segurança. São materiais bem menos tóxicos para nossos pequenos. E essa segurança se traduz em liberdade de deixá-los brincar livremente, fazendo com que o momento fique bem mais descontraído (sem precisar virar a mãe da propaganda do batom: “não-não-não-não-não“, aliás odeio essa propaganda.)

O bolso: vocês já viram o preço dos potes de tinta ultimamente? Eu quase caio pra trás! Nessa etapa que está a Alice, o legal é brincar sem medo de gastar a tinta, se melecando mesmo, então quanto mais em conta for o material melhor. A tinta de farinha, por exemplo, fica super barata e rende bastante.

Natureza: por não utilizar diversas embalagens e potes, e sim materiais biodegradáveis, a nossa tinta ainda por cima é ecofriendly :D talvez por ser bem natural, a tinta sai com facilidade das mãos e das roupas! Mas também não vai se animar e brincar em cima daquele seu sofá branco preferido, hein? Não me responsabilizo, hehe.

Dicas:

Compre poucos corantes, e vá brincando com a combinação de tons que eles proporcionam! Sugiro comprar apenas 3, nas cores rosa, azul e amarelo, pois elas são primárias e dão origem a diversas outras tonalidades. E coloque pouco corante! Um pote grande precisa de apenas 3 gotinhas para ficar com uma cor super bonita.

Escolha um espaço onde a criança se sinta segura e confortável. Eu brinquei algumas vezes com a Alice no chão, em cima de uma grande folha de papel craft, e outras com ela sentadinha em sua mesa nova.

Utilize um papel com uma gramatura mais robusta, dessa forma a umidade da tinta não rasga a folha. Ainda sobre o papel, escolha um bem grande, de forma que ele não fique “patinando”, atrapalhando os movimentos da criança. Alguns pais costumam grudar o papel com fita adesiva na mesa, também funciona.

Caso seu filho já seja um pouco maior e/ou habilidoso manualmente, você pode escolher uma receita de tinta que não vá ao fogo e pedir sua ajuda para fazê-la! É uma boa maneira de entreter de repente aquele irmão mais velho com a brincadeira do mano mais novo. Eles podem também a ajudar a limpar os pincéis e os potes, aprendendo assim responsabilidades.

E agora algumas fotos da pequena lanchando se divertindo! :)

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Duck Face

Minha irmã Stella mora bem pertinho de mim, e então de vez em quando eu gosto de ir lá a pé, passear com a bebê pig, acordar a prima Rafa, e incomodar um pouco, hehe. Semana passada fui lá em uma manhã, e fiquei conversando com as duas (Rafa e Stella), enquanto a Alice brincava obcecada entretida com os controles remotos no sofá. Conversa vai conversa vem, eu e minha irmã começamos a rir de pessoas que tem mania de fazer “Duck Face“.

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Na imagem: montagem da monalisa segurando um iPhone e fazendo “duck face”.

(pausa para explicação: já ouviram falar na expressão “Duck Face”? é o apelido engraçado que deram para meninas que fazem um bico exagerado quando estão tirando uma selfie, tentando ficar bonitas, mas que ficam na realidade parecendo um pato). Minha sobrinha não sabia exatamente o que era, então eu e minha irmã ficamos imitando, para explicar.

No mesmo dia, a tarde, estava brincando com a Alice aqui em casa, e aproveitei para fazer umas fotos dela. E, toda vez que eu apontava a câmera para ela, e pedia uma pose ela fazia uma careta muito engraçada. Eu pensava “de onde a Alice tirou isso, será que ela tá com dor de barriga?” Em seguida caiu minha ficha: Ela estava imitando nossa duck face! Era só eu mirar a câmera nela, e pimba: ela fazia essa carinha linda (sim, porque até tentando fazer duck face bebê pig consegue ser fofa).

Na imagem: Alice fazendo duck face comendo, brincando, no meu colo...

Na imagem: Alice fazendo duck face comendo, brincando, no meu colo…

Naturalmente, alguns dias se passaram, e ela se esqueceu disso (e voltou a me ignorar quando peço uma pose para a foto). Mas, com a ajuda desse episódio, relembrei duas coisas: 1: Seu filho pode ter deficiência intelectual, pode ter atraso no desenvolvimento da fala, mas nunca subestime o poder de compreensão de uma criança! 2: O exemplo é mesmo a melhor forma de educar. Nós podemos ensinar nossos filhos a serem pessoas legais, mas nada como dar o exemplo. Afinal, eles são umas esponjinhas! :)

Educação amorosa e Disciplina Positiva

Educar um filho com disciplina positiva pode ser complicado. Afinal, quebrar antigos paradigmas, sair do lugar comum e repensar tudo aquilo que você acreditava ser certo (ou pelo menos normal) é sempre um desafio. Mas eu sempre tive essa mania de refletir sobre tudo e com a educação da Alice não foi diferente. Antes mesmo de engravidar eu já era contra violência física, principalmente como recurso educativo voltado para crianças. O que eu não sabia é que existem tantas maneiras e mecanismos de educar de forma inversa a isso, combinando disciplina e afeto.

(Uma pausa para uma explicação necessária: não quero aqui impor minha forma de educar a ninguém, não sou especialista nisso e acho que nem é o foco deste blog. Sou mãe há tão pouco tempo, e tenho tanto a aprender… Este post é para quem já acredita na ideia de que podemos educar nossos filhos sem recorrer a violência, ou tem vontade de mudar e não sabe como. :))

Voltando ao assunto: mas se na teoria falar sobre paciência e compreensão é fácil, nós sabemos que na prática é muito mais complicado. É filho indo colocar a mão na panela quente, é uma montanha de roupas para lavar, são contas se acumulando para pagar, irmão mais velho chorando por atenção… Quando você vê, está completamente assoberbada e o jogo de cintura para lidar com um “chilique” do seu filho *puf!* desaparece.

Além disso, de maneira geral, educar um filho com deficiência pode deixar este processo mais desafiador ainda. É um conjunto complexo de fatores: uma comunicação que pode não ser tão eficaz devido um atraso no processo de fala, uma rotina com terapias que pode muitas vezes esgotar uma mãe, uma possível deficiência intelectual mais acentuada, que compromete a compreensão… Ou seja, se normalmente as famílias precisam de suporte e orientação para conseguir colocar em prática uma disciplina afetuosa, para mães/pais de filhos com deficiência esta rede de apoio se torna imprescindível.

Nem vou me arriscar a dar dicas sobre esse assusto por aqui, pois estou apenas começando a aprender sobre isso. Mas existem vários locais onde encontramos orientações sobre como praticar uma criação com apego e respeito: blogs, grupos de discussão, livros, que esclarecem que educar com respeito vai muito além de “não bater”. É ter empatia com os sentimentos dos nossos filhos, ser respeitoso com a alimentação de nossas crianças, é pensar bem nas palavras que usamos… Para você que teve paciência de ler meu post até aqui, então ficam duas dicas de lugares que tenho buscado inspiração neste sentido recentemente.

educar_sem_violenciaPrimeiramente o livro “Educar sem violência – Criando filhos sem palmadas” das autoras Ligia Sena e Andreia Mortensen. “Com artigos científicos, experiências pessoais e depoimentos de mães e pais, as autoras mostram que a disciplina positiva pode levar nossos filhos muito mais longe (e felizes).” (resumo da revista Crescer).

E tem também o ótimo blog “Paizinho, vírgula!” do Thiago, pai do Dante. “Thiago Queiroz é marido, pai e engenheiro. Após o nascimento de seu filho, passou a se envolver, ativa e intuitivamente, com a Criação com Apego. Sua logo_paizinho_h250pxdedicação à paternagem o levou a criar o grupo Criação com Apego no Facebook, oferecendo apoio e acolhimento virtual (e, muitas vezes, também presencial) a muitos pais. É também autor do blog Paizinho, Vírgula!, um dos poucos blogs atuais escritos por pais em busca de uma forma mais amorosa e conectada de criar os filhos.

Ah! E para quem é de Floripa, amanhã será o lançamento do livro Educar sem violência na livraria Saraiva do Shopping, com direito a sessão de autógrafos da autora Ligia aka Cientista que virou mãe. :)

Nossa vida com Alice… e baby! :)

Monster High? Galinha Pintadinha de pelúcia? Furby? Que nada! :) O presente da bebê pig de Natal já foi encomendado: Um irmãozinho! :D ho ho ho!

Na imagem: ultrassom com um bebê usando um chapéu de papai noel.

Na imagem: ultrassom com o bebê usando um chapéu de papai noel.

É com muita alegria que divido com vocês esta novidade! A nossa família vai aumentar! :) Nossa vida agora é com Alice e… baby! (ainda estamos decidindo o nome, aceitamos sugestões, hihi). Eu e o Thomas sempre quisemos mais de um filho, por isso logo nos animamos em formar uma duplinha. E do jeito que esse pequeno se mexe na barriga, essa duplinha vai ser do barulho! Minha intuição materna erra pela segunda vez: na primeira achei que era menino e dessa vez jurava que era menina. Estava tão certa que levei um susto quando descobri que era um guri. Adorei!

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Na imagem: Alice sorrindo com um balão de fala escrito “Eba! Vou ganhar um irmãozinho!”

- “Eu sou tão fofa que meus pais decidiram fabricar mais um!” :}

Código Morse

Tenho dado poucas novidades sobre o desenvolvimento da Alice por aqui, né? Em se tratando de ganho motor temos poucas novidades, em compensação no desenvolvimento da fala a bebê pig tá que tá. Tem dias em que ela acorda inspirada e passa o dia inteiro tagarelando (na lingua dela, claro). Já forma várias frases de duas palavras e de vez em quando até arrisca algumas de três (além de vários sinais em asl). Tenho que criar vergonha na cara e organizar um Alicionário, para registrar todas as pérolas que ela solta. Devo deixar claro que na maioria das vezes ela fala uma lingua só dela, o bebêpiguês, mas que eu, por passar o dia inteiro todo com ela, já passei a entender quase tudo. Por exemplo:

Quando ela fala: amamã-dê-mmm-papá
Eu sei que ela quer dizer: Mamãe, cadê meu papai?

Ou então quando ela fala: ó! uta! auauá!
Eu já sei que é: Ó mãe, escuta o cachorrinho latindo!

Mas daí ela achou que o bebêpiguês estava ficando muito fácil para mim, e agora fala também em código morse. (Ela passou o dia inteiro fazendo isso, mas claro que quando peguei a câmera só consegui filmar um pouquinho).

Alice falando em código morse from Nossa vida com Alice on Vimeo.

“Decifra essa, mamãe! hihi”

Quando eu fico ansiosa por não ver muitas novidades no seu desenvolvimento motor, tento focar nos tantos outros ganhos que ela tem apresentado. Não é ignorar nem negligenciar suas dificuldades, e sim dar o merecido valor aos seus talentos. :)

Anjinha, eu?

Na barriga ela fazia uma bagunça imensa. Decidiu quando ia nascer, 3 semanas antes do previsto, só pra mostrar quem mandava na parada. E já nasceu se esgoelando de tanto chorar, pra dar aquele choque de realidade para os pais novatos. Hipotonia? Há, só os mais habilidosos conseguiam trocar a fralda daquela recém nascida que mais parecia uma perereca! Esse bebê parece um anjinho caído do céu para você? Pois é, pra mim também não :)

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Na imagem: Alice fantasiada de anjo, com os dizeres: Anjinha? Sabe nada, Inocente! :)

Sabem, eu estou há um tempo querendo escrever este post. Tenho um pouco de receio de escrever temas ~polêmicos~ aqui no blog, pois gosto de manter o astral do NVCA leve e alegre. E eu acredito que cada família tem seus valores, sua realidade, e longe de mim querer impor minhas opiniões na criação de outras crianças. Não tenho nem formação para isso :) Mas algo que eu sempre tive vontade de debater aqui no blog é sobre o grande mito de que todas as crianças com SD são “Anjinhos”.

Se ser um anjo é ser uma pessoa sem defeitos, acima do bem e do mal, superior, não tenho o mínimo interesse de que a bebê pig seja chamada assim. Que pressão enorme para uma criança, ser considerada perfeita e sem defeitos. A Alice não é um anjinho, ela é uma criança normal, sapeca, como qualquer outra. É uma figura e tem uma personalidade que só. Conseguir vesti-la é um desafio. Aprendeu rapidinho a usar seu charme para conseguir o que quer.

Aliás, eu tenho o prazer de conviver com algumas crianças com síndrome de Down, e entre o que derruba energético na cabeça um minuto antes de sair de casa, o outro que estica o pé para o amiguinho tropeçar e cair (para citar alguns exemplos rápidos que vieram em minha cabeça), posso dizer que são pessoas comuns, com seus defeitos e qualidades, aptidões e deficiências.

O perigo de encarar uma pessoa como perfeita, incapaz de cometer erros, é que nós podemos cair equívoco de não a disciplinarmos corretamente, de a infantilizarmos, de não educarmos um cidadão que faça parte da sociedade, com noções de economia, educação sexual, deveres e responsabilidades. E criança, independente de ter deficiência intelectual ou não, é um serzinho bem inteligente, sabe? Se ele nota que está sendo tratado de forma diferente, logo arquiteta em como usar isso ao seu favor. ;)

E como será que o irmãozinho, priminho, coleguinha desse “anjinho” se sente, ao ser deixado de fora desse pedestal? Será que ele não se sente inferiorizado? Será que ele não transmitirá esse ressentimento para a outra criança? São questões a se pensar. Não quero desrespeitar a crença e religião de ninguém. Se você considera que crianças são anjos e presentes de Deus, acho o pensamento maravilhoso, mas principalmente quando inclui todas as crianças.

Nossa vida com… Isadora!

Opa, mais um post “Nossa vida com…” :) O texto dessa semana me emocionou, pois pela primeira vez ele não foi contado pela mãe, e sim por uma irmã! Me encantei com o carinho que a querida Letícia me procurou, querendo fazer uma surpresa para sua família e contar a sua história com a Isadora, sua irmã mais nova.

isadora

“É uma história um tanto quanto complicada e graças a Deus com um final feliz. Bom, em 2003 minha mãe (Ana) resolveu fazer uma cirurgia para não ter mais filhos, pois ela já estava com uma idade mais avançada, depois de 1 ano e 6 meses (mais ou menos) dessa cirurgia aconteceu algo que realmente não esperávamos. Tivemos a notícia de que teríamos mais um membro em nossa família.

Foi uma notícia que nos deixou um pouco assustados, mas felizes. A gravidez de minha mãe não foi nada tranquila, pois como ela já havia passado por essa cirurgia houve algumas complicações. Aos 7 meses de gestação, minha mãe já não aguentava mais, sua pressão estava sempre muito alta, assim deixando em risco a si mesma e a do bebê. Com 7 meses de gravidez veio ao mundo Isadora.

Durante a gestação minha mãe fez exames para averiguar se o bebê viria com alguma síndrome, mas todos deram negativos. Após o parto, a médica veio dar a notícia de que Isadora havia nascido com SD. Depois de dias na encubadora Isadora finalmente foi para casa, onde foi recepcionada com várias visitas e com muito amor de sua família.

Com 1 mês de vida, Isadora já estava frequentando fono e até hoje ela frequenta, desde muito cedo minha mãe corre atrás de vários meios para ajudar no estimulo de nossa pequena. Hoje com 8 anos, Isadora estuda em um colégio convencional, faz judô, natação, fono, psicopedagoga e brinca MUITO! É uma criança muito ativa e esperta. Sempre pega as coisas com muita facilidade. Tenho muito orgulho de ter uma pessoa com SD em minha família. Tenho certeza de que um dia ela irá ler isso e se sentir muito amada.

Pra mim, Letícia Gabriela, se fosse para escolher entre pessoas sem SD e pessoas com SD eu escolheria uma população cheia desses anjos! Pois o carinho que eles transmitem é algo excepcional!

Fica aqui um pouquinho da história da Isadora, o meu maior amor.
Um grande beijo de sua irmã, Letícia.”

Demais, né pessoal? Espero que a história tenha acalentado o coração das mães que possuem mais de um filho, com e sem SD. Com carinho tudo dá certo! Abaixo na galeria várias fotos Isadora :)

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Nossa vida com óculos!

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Semana passada a Alice começou a usar óculos para hipermetropia. Seu estrabismo continua evidente e estes óculos foram uma indicação de sua oftalmo para somar no tratamento já feito com oclusor visual (conhecido como tampão), pois há uma possibilidade de que sua hipermetropia esteja contribuindo para seu estrabismo.

Eu geralmente levo essas novidades com leveza, mas confesso que dessa vez fiquei apreensiva. Meu maior medo era a recusa da Alice (a pessoinha tem personalidade forte, socorro) em usar os óculos e o processo ser cansativo para ambas as partes. Assim que os óculos voltaram da ótica, já com as lentes, tentei colocá-los na bebê Pig. Mas era tarde, ela estava cansada e irritada e meu medo virou realidade: os óculos voaram para o outro lado da sala (aliás, meu investimento em uma armação resistente provou-se acertado logo de cara).

No outro dia tentamos novamente e, para a nossa surpresa, ela ficou um pouco com ele! E desde então ela tem ficado cada dia um pouco mais e mais habituada, em alguns momentos até esquece que está usando e passa horas com ele. Não sei se foi coincidência, mas notei até que seu movimento de pinça – um marco do desenvolvimento motor infantil – ficou mais frequente.

E Falando em tratamentos visuais, agora Alice será oficialmente bebê pirata: passará o dia todo com ele. Estamos dando uma intensificada no tratamento antes de optarmos definitivamente pela cirurgia (mas tudo indica que teremos que fazê-la). Além disso, semana que vem iremos visitar um optometrista aqui em Floripa. Depois eu conto como foi!

Tampão, óculos, cirurgia… tudo isso é cansativo? É. Mas procuro ter pensamento positivo e focar na alegria que é poder cuidar da Alice e ter acesso a estes tratamentos. Aliás, se eu não enxergasse dessa forma, eu é que estaria precisando de óculos. :)

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Uma vida sem deficiências

Outro dia li um comentário no facebook que me chamou a atenção. Uma mãe comentava para a outra o seguinte: “espero que sua filha se recupere logo e fique sem nenhuma deficiência“. Obviamente sei que esta mãe falou isto com a melhor das intenções e de maneira nenhuma me senti ofendida com a frase. Mas como tudo que ouço, leio e vivencio, este fato acabou despertando em mim uma série de reflexões sobre o que seria afinal uma vida sem deficiências.

Imediatamente lembrei algo que uma tia minha, que foi diretora de escola por muitos anos, me falou certa vez. Ela conta que sempre que alguém apontava uma característica negativa de um aluno, ela tentava enxergar ali uma oportunidade. Será que o “aluno bagunceiro” não teria instinto de liderança? Será que o aluno tagarela não possuía qualidades de comunicação? Eu por exemplo sou um fiasco quando o assunto é mapas e localização espacial. Meu cérebro é muito mais eficiente desenhando e ilustrando um mundo cheio de espirais, folhas e passarinhos.

Que todas as pessoas possuem talentos e deficiências nós sabemos. Mas o que eu nunca tinha parado para refletir é como estas estão muitas vezes diretamente interligadas. Desejar que você ou seu filho seja isento de deficiências, é privá-lo também de descobrir possíveis talentos. Não estou incentivando que fechemos os olhos para as deficiências e dificuldades, tanto nossas quanto dos nossos filhos. Incentivo, no entanto, que tenhamos um outro olhar sobre elas. De repente escondido naquele “defeito”, está um talento, esperando para aflorar.