A Alice e o cientista.

Semana passada um famoso cientista deu declarações polêmicas, dizendo ser amoral uma mulher dar a luz a um bebê com síndrome de Down, entre outras bobagens. Várias pessoas postaram a notícia, chocados com tamanho absurdo, e logo a matéria já rodava o facebook. Demorei a fazer um post falando sobre este assunto, pois não queria dar mais ibope e foco para estas declarações. Mas neste caso senti que minha conivência não era construtiva e que eu tinha um compromisso comigo e com minha filha em rebater opiniões como esta.

Obviamente fiquei muito triste com as declarações do sr. Cientista (não citarei seu nome nem sua matéria, ambos já receberam atenção suficiente). Fui inundada de um sentimento de pequeneza, uma sensação de estar fazendo um trabalho de formiguinha, desmistificando a síndrome de Down, e ser esmagada pela visibilidade enorme que uma pessoa pública como a dele tem.

Ao meu ver ele escorrega em dois raciocínios: o de subestimar pessoas com síndrome de Down, tendo uma visão completamente ultrapassada desta alteração genética. Me chateia saber que inúmeras famílias decidirão interromper suas gravidezes, pautadas em declarações como estas, pensando estarem tomando uma decisão informada, sendo que não estão. Estão ouvindo somente um lado dessa história. Um lado falacioso e obsoleto.

O segundo raciocínio equivocado – ainda sob meu ponto de vista – é julgar o valor de uma vida com base no seu desempenho intelectual. Se eu luto por algo aqui no blog, não é para mostrar que a vida de uma pessoa com deficiência é perfeita, e que crianças com síndrome de Down e suas famílias não enfrentarão dificuldades. Luto para mostrar que o amor de uma mãe é maior que isso. E que a validade de uma vida não é e nunca deverá ser pautada no QI desta pessoa.

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Uma das minhas cenas preferidas, de um filme que eu adoro (Gattaca). O irmão “geneticamente inferior” salva o irmão “geneticamente melhorado” de se afogar, pois nada dando tudo de si, ignorando os limites que haviam impostos a ele desde seu nascimento.

Sempre serei defensora dos direitos das mulheres, e nunca julgarei as decisões pessoais que cada família decidir tomar. Eu soube que minha filha tinha síndrome de Down apenas no seu nascimento, então infelizmente nunca saberei com certeza que atitude eu tomaria. Mas assim como defendo a liberdade para que cada família escolha o que fazer nesta situação, também luto para que esta escolha seja iluminada, pautada em informações atuais e verdadeiras.

Então, da próxima vez que vocês lerem alguma declaração sem sentido, retrógrada e preconceituosa como a desse sr. cientista, proponho um acordo. Ao invés de postar o link da matéria dele, divulgue o nosso blog (ou tantos outros legais que existem por aí)! Vem com a gente, escancarar as janelas e pensamentos mundo afora. Você pode estar, sem querer, ajudando uma família a tomar uma decisão de forma mais esclarecida. Já pensou que legal? :)

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Na imagem: Alice brincando com um brinquedo de madeira, feliz da vida, ignorando essa polêmica toda. :)

Estreia: Nossa vida com informação!

Eu estou sempre pesquisando sobre síndrome de Down. Meu interesse é muito diverso: já pesquisei bastante sobre o desenvolvimento da fala das crianças com SD, sobre linguagem de sinais como recurso alternativo e temporário, sobre novos tratamentos e terapias… Mas por uma série de motivos eu nunca me sentia a vontade para falar sobre estas pesquisas pessoais aqui no blog. O primeiro motivo – e mais determinante – é o fato de eu me sentir extremamente desconfortável falando de assuntos dos quais eu não domino completamente. Somado a isso, sempre tive muito medo de que as pessoas encarassem as informações fornecidas aqui como verdade absoluta, e não como um ponto inicial para uma pesquisa pessoal mais aprofundada, em conjunto com um médico ou especialista. E, como terceiro motivo, a maior parte do conteúdo de qualidade que eu encontro, é em inglês. E eu não me sinto a vontade compartilhando um texto que não seja acessível para a maioria das pessoas.

Quem acompanha a Alice pelo facebook, sabe que ela ficou alguns dias internada por causa de uma pneumonia. Enquanto eu a acompanhava no hospital (durante suas sonecas, claro), aproveitei para ler uma série de textos fantásticos, indicados pela Christiane Aquino (uma das fundadoras do Movimento Down). Minha animação com aqueles textos foi tão grande, que eu decidi traduzi-los, para mostrar para minha família. Quando a Chris ficou sabendo que eu estava fazendo estas traduções, me incentivou a colocar o conteúdo aqui no blog também, para outras famílias terem acesso a estes textos. E, assim, eu finalmente criei coragem de utilizar este espaço para falar também sobre estes assuntos médicos/terapêuticos.

Entendendo a Tireóide

O primeiro texto que eu traduzi, e que está sendo bem útil para mim neste momento, é sobre o metabolismo do hormônio da tireóide na síndrome de Down. Através dele percebi que precisamos ter uma visão muito mais integrada ao diagnosticar, tratar e monitorar a função da tireóide dos nossos filhos com SD. Para facilitar, preparei um PDF com o texto traduzido. Caso encontrem algum errinho de português ou de tradução, peço que me avisem que corrigirei prontamente. Espero que seja útil e que gostem! :)

1. O metabolismo do hormônio da tireóide na síndrome de Down.
Faça o download aqui do artigo traduzido.
Para quem domina inglês, segue o link para o artigo original:
http://www.downsyndrometreatment.net/thyroid.html

Para complementar o artigo acima, traduzi mais um texto interessante.

2. O seu médico conhece os novos patamares para testes laboratoriais de TSH?
Faça o download aqui do artigo traduzido.
Para quem domina inglês, segue o link para o artigo original:
http://www.downsyndrometreatment.net/thyroid.html

Aviso Importante: Todos os artigos indicados e traduzidos pelo blog NVCA não devem ser encarados como conselhos médicos ou diagnósticos finais. Consulte sempre o seu médico. Ele é o profissional adequado para auxiliá-lo no melhor diagnóstico e tratamento.

Caindo pelas tabelas

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Na imagem: desenho da alice presa dentro das barras de uma tabela de desenvolvimento.

Quando ele vai olhar para mim? Quando ele vai sorrir? E “mamãe”, com quantos meses ele irá falar? Quando se é pai de primeira viagem, todas essas dúvidas são muito comuns, e as famosas tabelas do desenvolvimento servem como um bom guia para nos oferecer uma noção geral do que é uma evolução típica. Estas referências também são úteis para indicar se algo não está correndo bem, e iniciar o quanto antes a estimulação essencial, aproveitando um momento único de plasticidade cerebral.

Mas e quando algo que foi feito para nos orientar de forma geral, oferecendo uma noção básica de desenvolvimento, apontando eventuais áreas onde podemos oferecer estímulos direcionados e saudáveis, começa a se tornar um grilhão? E todo e qualquer pequeno atraso já serve como motivo de aflição e desespero? E quando percebemos, aquela tabela que inicialmente foi criada para nos ajudar, virou uma verdadeira prisão.

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Na imagem: Alice achando uma brecha e conseguindo escapar.

Quando recebemos a notícia que seremos pais de crianças com deficiência ou atraso no desenvolvimento, o perigo de nos atermos excessivamente às tabelas se torna maior ainda. Nossos filhos mal nasceram e nós já indagamos aos médicos: quando ele irá andar? irá falar? dirigir um carro? Ufa! Esquecemos que mesmo com deficiência ou atraso, cada criança é única e tem um ritmo próprio, muitas vezes projetamos esta ansiedade nos nossos filhos e acabamos… caindo pelas tabelas!

Proponho uma brincadeira para aliviarmos um pouco a nossa ansiedade em relação ao desenvolvimento dos nossos pequenos: uma tabelada bem humorada e personalizada! Bolei aqui rapidamente uma para a minha Alice, e vejam que divertido.

Primeiro dia de vida: Virou o amor das nossas vidas.
8 meses: Inventa o 360º da alegria, gira sentada quando está muito feliz.
1 ano: Não joga mais a mamadeira longe quando termina de beber o suco.
1 ano: Começa a se locomover parecendo um touro.
1 ano e 7 meses: Come todos o gizes de cera da casa.
1 ano e 9 meses: Começou a engatinhar no estilo moon walking, de ré.
1 ano e 9 meses: Começou a falar em código morse.

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Na imagem: Alice se divertindo, usando as linhas do gráfico como um escorregador.

Primeiro corte de cabelo da Alice :)

Eu enrolei quase dois anos, mais por inércia do que por convicção, mas este dia finalmente chegou: o primeiro corte de cabelo da Alicinha! Na realidade eu morria de medo de ir em um profissional que fizesse alguma besteira no cabelo dela, por isso me enrolei tanto tempo. Mas em breve a pequenina está fazendo dois anos, e achei que estava mais do que na hora de ganhar um corte decente. Fora que eu estava doida para fazer uma franjinha nela, hihi.

Tive ideia então de ir no Austin, que corta a crina da minha irmã, da sobrinha e da minha mãe, e que é bem atencioso, para cortar o cabelo da pequena. E deu certo! Ele foi super atencioso e carinhoso, e a alicinha-pig adorou. A furacãozinho jogou todos os pentes no chão, mandou beijo pra todo mundo, fez a festa. No final ele ainda fez questão de dar o corte de presente pra ela, um querido mesmo. Olha a bagunça:

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Chegando em casa não resisti e cortei mais um pouquinho, hihi. Tirem as tesouras de perto de mim, eu sou um perigo! :) Ainda não consegui tirar nenhuma foto decente do resultado final, mas seguem algumas fotos de como ficou:

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Estimular é um barato: Tinta comestível!

Opa, fazia tempo que não pintava um “estimular é um barato” por aqui, né? Andei um tempo meio desanimada, mas agora voltei com tudo, baby! ;) No post de hoje vou falar especificamente sobre tinta comestível, sugerir algumas receitas e dar algumas dicas.

Não sei como é aí na casa de vocês, mas a minha pequena aqui ama lanchar o giz de cera, aperitivar uma massinha colorida e de sobremesa saborear uma tinta cor de rosa. Como eu gosto de deixá-la bem livre brincando, ao invés de ficar “Não come! Cospe isso! Não é papá!” o tempo todo, por aqui a solução são os materiais comestíveis.

Seguem algumas receitas que encontrei pela internet e já testei aqui em casa:

Tinta Neve:

  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 xícara de sal
  • 1 xícara de água

Atenção para o modo de preparo, veja que complicado: misture tudo! :D Você pode dividir em potes diferentes e usar diferentes corantes alimentícios em cada porção.

Tinta de farinha:

  • farinha de trigo
  • água
  • corante alimentício

Misture 1 xícara de farinha e 3 xícaras de água em uma panela. Ferva até que a mistura esteja densa. Espere esfriar e acrescente os corantes alimentares.

Tinta de maizena (minha preferida!)

  • amido de milho (maizena)
  • água
Misture 4 colheres de amido de milho, três colheres de água e mexa em uma xícara com água fervendo. Quando a mistura esfriar, acrescente corante para alimentos e coloque na geladeira ou deixe esfriar naturalmente.
Cores naturais! :)
Caso seu bebê seja muito pequeno, ou você queira ser mais natural ainda, existem várias opções naturais de coloração, como beterraba, abóbora, café, chás.

Como brincar?

Algumas sugestões de brincadeira “dirigida”: você pode brincar conceitos de temperatura, fazendo uma tinta gelada, uma em temperatura ambiente e uma morna. Você também pode brincar com densidades, fazendo uma tinta mais espessa e uma mais rala. Além disso, você pode mostrar como as cores formam outras cores quando misturadas, desenhar a inicial do nome da criança no papel, etc. Ao brincar com tinta você estimula a criatividade, a propriocepção, o vocabulário…

Vantagens da tinta caseira:

Segurança: A vantagem principal é a segurança. São materiais bem menos tóxicos para nossos pequenos. E essa segurança se traduz em liberdade de deixá-los brincar livremente, fazendo com que o momento fique bem mais descontraído (sem precisar virar a mãe da propaganda do batom: “não-não-não-não-não“, aliás odeio essa propaganda.)

O bolso: vocês já viram o preço dos potes de tinta ultimamente? Eu quase caio pra trás! Nessa etapa que está a Alice, o legal é brincar sem medo de gastar a tinta, se melecando mesmo, então quanto mais em conta for o material melhor. A tinta de farinha, por exemplo, fica super barata e rende bastante.

Natureza: por não utilizar diversas embalagens e potes, e sim materiais biodegradáveis, a nossa tinta ainda por cima é ecofriendly :D talvez por ser bem natural, a tinta sai com facilidade das mãos e das roupas! Mas também não vai se animar e brincar em cima daquele seu sofá branco preferido, hein? Não me responsabilizo, hehe.

Dicas:

Compre poucos corantes, e vá brincando com a combinação de tons que eles proporcionam! Sugiro comprar apenas 3, nas cores rosa, azul e amarelo, pois elas são primárias e dão origem a diversas outras tonalidades. E coloque pouco corante! Um pote grande precisa de apenas 3 gotinhas para ficar com uma cor super bonita.

Escolha um espaço onde a criança se sinta segura e confortável. Eu brinquei algumas vezes com a Alice no chão, em cima de uma grande folha de papel craft, e outras com ela sentadinha em sua mesa nova.

Utilize um papel com uma gramatura mais robusta, dessa forma a umidade da tinta não rasga a folha. Ainda sobre o papel, escolha um bem grande, de forma que ele não fique “patinando”, atrapalhando os movimentos da criança. Alguns pais costumam grudar o papel com fita adesiva na mesa, também funciona.

Caso seu filho já seja um pouco maior e/ou habilidoso manualmente, você pode escolher uma receita de tinta que não vá ao fogo e pedir sua ajuda para fazê-la! É uma boa maneira de entreter de repente aquele irmão mais velho com a brincadeira do mano mais novo. Eles podem também a ajudar a limpar os pincéis e os potes, aprendendo assim responsabilidades.

E agora algumas fotos da pequena lanchando se divertindo! :)

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Duck Face

Minha irmã Stella mora bem pertinho de mim, e então de vez em quando eu gosto de ir lá a pé, passear com a bebê pig, acordar a prima Rafa, e incomodar um pouco, hehe. Semana passada fui lá em uma manhã, e fiquei conversando com as duas (Rafa e Stella), enquanto a Alice brincava obcecada entretida com os controles remotos no sofá. Conversa vai conversa vem, eu e minha irmã começamos a rir de pessoas que tem mania de fazer “Duck Face“.

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Na imagem: montagem da monalisa segurando um iPhone e fazendo “duck face”.

(pausa para explicação: já ouviram falar na expressão “Duck Face”? é o apelido engraçado que deram para meninas que fazem um bico exagerado quando estão tirando uma selfie, tentando ficar bonitas, mas que ficam na realidade parecendo um pato). Minha sobrinha não sabia exatamente o que era, então eu e minha irmã ficamos imitando, para explicar.

No mesmo dia, a tarde, estava brincando com a Alice aqui em casa, e aproveitei para fazer umas fotos dela. E, toda vez que eu apontava a câmera para ela, e pedia uma pose ela fazia uma careta muito engraçada. Eu pensava “de onde a Alice tirou isso, será que ela tá com dor de barriga?” Em seguida caiu minha ficha: Ela estava imitando nossa duck face! Era só eu mirar a câmera nela, e pimba: ela fazia essa carinha linda (sim, porque até tentando fazer duck face bebê pig consegue ser fofa).

Na imagem: Alice fazendo duck face comendo, brincando, no meu colo...

Na imagem: Alice fazendo duck face comendo, brincando, no meu colo…

Naturalmente, alguns dias se passaram, e ela se esqueceu disso (e voltou a me ignorar quando peço uma pose para a foto). Mas, com a ajuda desse episódio, relembrei duas coisas: 1: Seu filho pode ter deficiência intelectual, pode ter atraso no desenvolvimento da fala, mas nunca subestime o poder de compreensão de uma criança! 2: O exemplo é mesmo a melhor forma de educar. Nós podemos ensinar nossos filhos a serem pessoas legais, mas nada como dar o exemplo. Afinal, eles são umas esponjinhas! :)

Educação amorosa e Disciplina Positiva

Educar um filho com disciplina positiva pode ser complicado. Afinal, quebrar antigos paradigmas, sair do lugar comum e repensar tudo aquilo que você acreditava ser certo (ou pelo menos normal) é sempre um desafio. Mas eu sempre tive essa mania de refletir sobre tudo e com a educação da Alice não foi diferente. Antes mesmo de engravidar eu já era contra violência física, principalmente como recurso educativo voltado para crianças. O que eu não sabia é que existem tantas maneiras e mecanismos de educar de forma inversa a isso, combinando disciplina e afeto.

(Uma pausa para uma explicação necessária: não quero aqui impor minha forma de educar a ninguém, não sou especialista nisso e acho que nem é o foco deste blog. Sou mãe há tão pouco tempo, e tenho tanto a aprender… Este post é para quem já acredita na ideia de que podemos educar nossos filhos sem recorrer a violência, ou tem vontade de mudar e não sabe como. :))

Voltando ao assunto: mas se na teoria falar sobre paciência e compreensão é fácil, nós sabemos que na prática é muito mais complicado. É filho indo colocar a mão na panela quente, é uma montanha de roupas para lavar, são contas se acumulando para pagar, irmão mais velho chorando por atenção… Quando você vê, está completamente assoberbada e o jogo de cintura para lidar com um “chilique” do seu filho *puf!* desaparece.

Além disso, de maneira geral, educar um filho com deficiência pode deixar este processo mais desafiador ainda. É um conjunto complexo de fatores: uma comunicação que pode não ser tão eficaz devido um atraso no processo de fala, uma rotina com terapias que pode muitas vezes esgotar uma mãe, uma possível deficiência intelectual mais acentuada, que compromete a compreensão… Ou seja, se normalmente as famílias precisam de suporte e orientação para conseguir colocar em prática uma disciplina afetuosa, para mães/pais de filhos com deficiência esta rede de apoio se torna imprescindível.

Nem vou me arriscar a dar dicas sobre esse assusto por aqui, pois estou apenas começando a aprender sobre isso. Mas existem vários locais onde encontramos orientações sobre como praticar uma criação com apego e respeito: blogs, grupos de discussão, livros, que esclarecem que educar com respeito vai muito além de “não bater”. É ter empatia com os sentimentos dos nossos filhos, ser respeitoso com a alimentação de nossas crianças, é pensar bem nas palavras que usamos… Para você que teve paciência de ler meu post até aqui, então ficam duas dicas de lugares que tenho buscado inspiração neste sentido recentemente.

educar_sem_violenciaPrimeiramente o livro “Educar sem violência – Criando filhos sem palmadas” das autoras Ligia Sena e Andreia Mortensen. “Com artigos científicos, experiências pessoais e depoimentos de mães e pais, as autoras mostram que a disciplina positiva pode levar nossos filhos muito mais longe (e felizes).” (resumo da revista Crescer).

E tem também o ótimo blog “Paizinho, vírgula!” do Thiago, pai do Dante. “Thiago Queiroz é marido, pai e engenheiro. Após o nascimento de seu filho, passou a se envolver, ativa e intuitivamente, com a Criação com Apego. Sua logo_paizinho_h250pxdedicação à paternagem o levou a criar o grupo Criação com Apego no Facebook, oferecendo apoio e acolhimento virtual (e, muitas vezes, também presencial) a muitos pais. É também autor do blog Paizinho, Vírgula!, um dos poucos blogs atuais escritos por pais em busca de uma forma mais amorosa e conectada de criar os filhos.

Ah! E para quem é de Floripa, amanhã será o lançamento do livro Educar sem violência na livraria Saraiva do Shopping, com direito a sessão de autógrafos da autora Ligia aka Cientista que virou mãe. :)

Nossa vida com Alice… e baby! :)

Monster High? Galinha Pintadinha de pelúcia? Furby? Que nada! :) O presente da bebê pig de Natal já foi encomendado: Um irmãozinho! :D ho ho ho!

Na imagem: ultrassom com um bebê usando um chapéu de papai noel.

Na imagem: ultrassom com o bebê usando um chapéu de papai noel.

É com muita alegria que divido com vocês esta novidade! A nossa família vai aumentar! :) Nossa vida agora é com Alice e… baby! (ainda estamos decidindo o nome, aceitamos sugestões, hihi). Eu e o Thomas sempre quisemos mais de um filho, por isso logo nos animamos em formar uma duplinha. E do jeito que esse pequeno se mexe na barriga, essa duplinha vai ser do barulho! Minha intuição materna erra pela segunda vez: na primeira achei que era menino e dessa vez jurava que era menina. Estava tão certa que levei um susto quando descobri que era um guri. Adorei!

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Na imagem: Alice sorrindo com um balão de fala escrito “Eba! Vou ganhar um irmãozinho!”

- “Eu sou tão fofa que meus pais decidiram fabricar mais um!” :}

Código Morse

Tenho dado poucas novidades sobre o desenvolvimento da Alice por aqui, né? Em se tratando de ganho motor temos poucas novidades, em compensação no desenvolvimento da fala a bebê pig tá que tá. Tem dias em que ela acorda inspirada e passa o dia inteiro tagarelando (na lingua dela, claro). Já forma várias frases de duas palavras e de vez em quando até arrisca algumas de três (além de vários sinais em asl). Tenho que criar vergonha na cara e organizar um Alicionário, para registrar todas as pérolas que ela solta. Devo deixar claro que na maioria das vezes ela fala uma lingua só dela, o bebêpiguês, mas que eu, por passar o dia inteiro todo com ela, já passei a entender quase tudo. Por exemplo:

Quando ela fala: amamã-dê-mmm-papá
Eu sei que ela quer dizer: Mamãe, cadê meu papai?

Ou então quando ela fala: ó! uta! auauá!
Eu já sei que é: Ó mãe, escuta o cachorrinho latindo!

Mas daí ela achou que o bebêpiguês estava ficando muito fácil para mim, e agora fala também em código morse. (Ela passou o dia inteiro fazendo isso, mas claro que quando peguei a câmera só consegui filmar um pouquinho).

Alice falando em código morse from Nossa vida com Alice on Vimeo.

“Decifra essa, mamãe! hihi”

Quando eu fico ansiosa por não ver muitas novidades no seu desenvolvimento motor, tento focar nos tantos outros ganhos que ela tem apresentado. Não é ignorar nem negligenciar suas dificuldades, e sim dar o merecido valor aos seus talentos. :)

Anjinha, eu?

Na barriga ela fazia uma bagunça imensa. Decidiu quando ia nascer, 3 semanas antes do previsto, só pra mostrar quem mandava na parada. E já nasceu se esgoelando de tanto chorar, pra dar aquele choque de realidade para os pais novatos. Hipotonia? Há, só os mais habilidosos conseguiam trocar a fralda daquela recém nascida que mais parecia uma perereca! Esse bebê parece um anjinho caído do céu para você? Pois é, pra mim também não :)

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Na imagem: Alice fantasiada de anjo, com os dizeres: Anjinha? Sabe nada, Inocente! :)

Sabem, eu estou há um tempo querendo escrever este post. Tenho um pouco de receio de escrever temas ~polêmicos~ aqui no blog, pois gosto de manter o astral do NVCA leve e alegre. E eu acredito que cada família tem seus valores, sua realidade, e longe de mim querer impor minhas opiniões na criação de outras crianças. Não tenho nem formação para isso :) Mas algo que eu sempre tive vontade de debater aqui no blog é sobre o grande mito de que todas as crianças com SD são “Anjinhos”.

Se ser um anjo é ser uma pessoa sem defeitos, acima do bem e do mal, superior, não tenho o mínimo interesse de que a bebê pig seja chamada assim. Que pressão enorme para uma criança, ser considerada perfeita e sem defeitos. A Alice não é um anjinho, ela é uma criança normal, sapeca, como qualquer outra. É uma figura e tem uma personalidade que só. Conseguir vesti-la é um desafio. Aprendeu rapidinho a usar seu charme para conseguir o que quer.

Aliás, eu tenho o prazer de conviver com algumas crianças com síndrome de Down, e entre o que derruba energético na cabeça um minuto antes de sair de casa, o outro que estica o pé para o amiguinho tropeçar e cair (para citar alguns exemplos rápidos que vieram em minha cabeça), posso dizer que são pessoas comuns, com seus defeitos e qualidades, aptidões e deficiências.

O perigo de encarar uma pessoa como perfeita, incapaz de cometer erros, é que nós podemos cair equívoco de não a disciplinarmos corretamente, de a infantilizarmos, de não educarmos um cidadão que faça parte da sociedade, com noções de economia, educação sexual, deveres e responsabilidades. E criança, independente de ter deficiência intelectual ou não, é um serzinho bem inteligente, sabe? Se ele nota que está sendo tratado de forma diferente, logo arquiteta em como usar isso ao seu favor. ;)

E como será que o irmãozinho, priminho, coleguinha desse “anjinho” se sente, ao ser deixado de fora desse pedestal? Será que ele não se sente inferiorizado? Será que ele não transmitirá esse ressentimento para a outra criança? São questões a se pensar. Não quero desrespeitar a crença e religião de ninguém. Se você considera que crianças são anjos e presentes de Deus, acho o pensamento maravilhoso, mas principalmente quando inclui todas as crianças.