às mestras, com carinho.

E as aulas da Alice terminaram hoje! Lembro como se fosse hoje o seu primeiro dia na escola. Eu estava ansiosa em saber se ela se adaptaria bem, mas confiante de que o ensino regular inclusivo seria o melhor caminho para ela. E o seu primeiro ano na escola foi realmente muito legal. Sei que estamos apenas no início de uma caminhada cheia de desafios, mas isso não diminui minha satisfação em tê-la iniciado com o pé direito.

E, sendo filha/neta/bisneta/sobrinha/irmã (ufa!) de professoras, sei da importância destas profissionais e do papel que as professoras da Alice tiveram em seu primeiro ano. Obrigada Prof Gi, por todo seu carinho e doçura com a minha pequena. O laço que ela criou com você foi fundamental para sua adaptação à vida escolar. E obrigada também à querida prof Pati, por sua dedicação, acompanhando, torcendo e vibrando junto comigo à cada evolução da bebê pig.

Aliás, agradeço como mãe e ex-aluna, afinal também tive a felicidade de ser sua aluna, com a mesma idade da Alicinha:

Na montagem: na esquerda, eu com mais ou menos a idade da Alice, no colo da professora Pati, na década de 80, e foto tirada hoje, com a Alice no colo também da pati, que também foi sua professora no maternal. :D

Na montagem: na esquerda, eu com mais ou menos a idade da Alice, no colo da professora Pati, na década de 80, e foto tirada hoje, com a Alice no colo também da pati, que também foi sua professora no maternal. :D

(vendo essa foto me veio na cabeça a música do rei leão: é o ciclo sem fiiiiiim que nos guiarááá, hihi :P )

Agradeço também a todos os demais professores da escola, aos inspetores, aos coordenadores, enfim, todo mundo que nos acolheu nesse ano que passou. E que venha 2015 com mais muitos desafios! :D

Estimular é um barato: Livros caseiros!

Na imagem: Livro caseiro feito para a Alice. Na capa está escrito: Alice e o Mano, com um desenho dos dois.

Na imagem: Livro caseiro feito para a Alice. Na capa está escrito: Alice e o Mano, com um desenho dos dois.

Opa, o conselho de hoje é um remix de uma dica já dada aqui anteriormente. Eu já indiquei a ideia de encapar um livro que seu filho não usava mais, mas hoje falo especificamente sobre construir um livro caseiro, do zero! Que tal colocar a sua criatividade para funcionar e bolar uma historinha simples, específica para seu filho?

Estrutura e temas

Escrevi frases curtas e histórias muito simples, para facilitar na compreensão. Escolhi dois temas que queria trabalhar com a Alice: a chegada do irmão e a chegada do penico, hehe. Como ilustrações, usei montagens simples mesmo, com mistura de fotos, desenhos feitos por mim e imagens que peguei da internet. (Atenção, ao utilizar imagens da internet, faça somente para uso particular, em casa).

Humor

O humor é um grande aliado no momento do ensino, não acham? Então no livro do penico, quis abordar o tema de um jeito bem leve e divertido, e coloquei toda a turma da galinha pintadinha sentada no troninho. Ela adorou! Não tenha medo de criar uma história bem maluca :)

Na imagem: Alice lendo o livro, vendo uma ilustração dela e de seu irmão em uma piscina de bolinhas.

Na imagem: Alice lendo o livro, vendo uma ilustração dela e de seu irmão em uma piscina de bolinhas.

Praticidade

Como vocês sabem, eu adoro coisas práticas, baratinhas e com pouco impacto ambiental. Então quis usar uma estrutura que eu pudesse reaproveitar inúmeras vezes, apenas trocando as imagens (o plástico é aberto na lateral, então posso retirar e colocar folhas). Além disso, usei papéis reciclados (versos de papéis já usados) para imprimir os textos e imagens.

O que você vai precisar:

• Plásticos transparentes. Eles servirão para deixar o material durável.
• Papéis com gramatura rígida. Para que as folhas sejam melhor manuseadas pelos pequenos.
• Papéis. Para imprimir a história que você criou, para desenhar, ou colar imagens.
• Argolas articuladas. Para fazer o encadernamento. Preste atenção e feche bem a argola, para ela não se soltar e ser um objeto pequeno na mão do seu bebê.
• Furador de papel.

Algumas fotos dos livrinhos e da bebê pig se divertindo com eles:

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Outras alternativas

Você encontra estas argolas articuladas por centavos na internet ou em lojas de armarinho. Mas você também pode fazer o encadernamento usando fitas, barbantes, elásticos, grampos… Ou até mesmo usar uma pasta plástica, e colocar as folhas dentro. Cuidado ao usar pedaços de fios muito grandes em materiais manuseados por seus bebês. Não custa relembrar, né?

“Penico? A Alice está desfraldando?”

Opa, muita calma nessa hora querido leitor. :) Antes que alguém me peça dicas ou mais informações sobre o desfralde da Alice, sinto informar que sou completamente perdida nesse departamento, hehe :D Estou começando um processo bem lento de desfralde, sem a mínima pressa ou pretensões. Talvez, depois que eu consiga de fato desfraldá-la, eu reúna algumas dicas que funcionaram para a gente e poste aqui no blog, que tal? Mas por enquanto sou completamente inexperiente no assunto.

Nossa vida com informação » Biologia da pessoa com SD

Para quem não acompanhou a estreia desta série, relembro que agora no blog teremos um espaço para pesquisas e novidades sobre a síndrome de Down! Já traduzi e publiquei aqui dois textos sobre a tireóide e a SD, e agora iniciarei uma série falando sobre bioquímica e a síndrome de Down.

Neste primeiro texto, a autora Ginger Houston-Ludlam discute as várias partes da célula, com atenção especial para as partes que parecem ser mais afetadas pelo cromossomo extra em questão. Ela dá detalhes suficientes sobre as questões básicas na síndrome de Down, descrevendo as coisas em um nível de detalhamento preciso e descritivo, porém simples o suficiente para ser compreendido. Por esta razão, algumas coisas podem estar um tanto simplificadas e muitos detalhes foram omitidos.

O texto já tem quase 15 anos, e mesmo assim sinto que este tipo de informação ainda não é acessível e difundida aqui no Brasil. Muitos pais, médicos, familiares e terapeutas não conhecem a fundo estas implicações celulares, causadas pela trissomia do cromossomo 21. No artigo, a autora fala diversas vezes sobre TNI (Targeted Nutrition Intervention), que – resumidamente – seria uma terapia que procura minimizar efeitos negativos de uma síndrome, doença, condição, etc, através de uma nutrição adequada. Caso você se interesse sobre o assunto, pesquise, vá em médicos, se informe, busque opinião de profissionais.

Mas chega de enrolation! Segue abaixo o texto traduzido:

1. Biologia celular básica para pais de uma criança com síndrome de Down
Faça o download aqui do artigo traduzido.
Para quem domina inglês, segue o link para o artigo original:
http://einstein-syndrome.com/biochemistry_101/cell_biology/


Na imagem: Desenho da Alice, dentro de um balde, falando "oi!".

Na imagem: Desenho da Alice, dentro de um balde, falando “oi!”.

Opa, mais um texto para a sessão de bioquímica sobre SD. Desta vez traduzi e revisei um texto que fala sobre os ciclos bioquímicos em pessoas com síndrome de Down, e alguns problemas que eles enfrentam. Sei que muitas vezes textos científicos podem nos intimidar, mas o conhecimento é uma maneira formidável de ajudarmos nossos filhos. Como foi citado em um comentário: informados estamos mais preparados! Caso você ache o texto muito complexo, imprima e leve na sua próxima consulta ao pediatra ou geneticista. :)

2. Para a compreensão dos ciclos de SAM e Ácido Fólico
ou “O furo no balde” por Ginger Houston-Ludlam
Faça o download aqui do artigo traduzido.
Para quem domina inglês, segue o link para o artigo original:
http://einstein-syndrome.com/biochemistry_101/hole_bucket/


 

Vale lembrar que todos os artigos indicados e traduzidos pelo blog NVCA não devem ser encarados como conselhos médicos ou diagnósticos finais. Consulte sempre o seu médico. Ele é o profissional adequado para auxiliá-lo no melhor diagnóstico e tratamento.

Estimular é um barato: Caixas de papelão!

Nosso outubro aqui em casa foi um tsunami :( Teve uma tia muito querida que faleceu, uma outra tia que precisou ser operada, vovó pig também precisou ser operada, sem contar Alicinha com suspeita de pneumonia (outra! mas que acabou sendo somente uma bronquite) e eu barriguda com a casa debaixo de obras! Ufa!

Com tamanho tsunami, estou cheia de posts atrasados para escrever e colocar por aqui. Eu queria ter colocado este post, por exemplo, no ar na semana que antecedeu o dia das crianças, para estimular que a data tivesse menos consumismo e mais brincadeira, e  mais presença no lugar dos presentes.

Na imagem: Foto de 3 caixas: uma com o desenho de uma casa, uma com o desenho de uma escola e uma simulando um ônibus.

Na imagem: Foto de 3 caixas: uma com o desenho de uma casa, uma com o desenho de uma escola e uma simulando um ônibus.

A dica não é mirabolante nem genial, mas aqui em casa faz o maior sucesso: caixas de papelão! A Alice adora, é eco friendly, pode usar e abusar a vontade, sem medo de ser feliz e e ótima para estimulação infantil… Você pode brincar com as caixas sem decoração mesmo, que os pequenos já adoram. Ou então pode virá-las do avesso e decorá-las com ajuda das crianças. Aqui em casa fizemos uma escola, um ônibus e uma casa.

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Mas as possibilidades são infinitas, neste link tem várias outras ideias legais.

E percebam quanta estimulação envolvida: a criança ajuda a pintar (criatividade e motricidade fina), brinca de faz de conta (imaginação), aprende conceitos (entrar na caixa, sair da caixa, colocar dentro, tirar). Além disso a criança cria noções corporais – a criança vai entendendo a dimensão de seu próprio corpo entrando em caixas pequenas, médias e grandes. Aqui em casa também fez com que a bebê pig ficasse em pé sem apoio cada vez mais. Você também pode estimular o vocabulário, apontando para os itens e os nomeando: janela, luz, porta, telhado…

Mas todo esse embasamento teórico na realidade para mim é só um incentivo a mais, fico feliz no fundo mesmo em ver minha pequena se divertindo! Adoro brinquedo assim, estilo sucata mesmo, que a criança pode brincar sem medo de ser feliz! Já notaram como criança muitas vezes gosta mais da caixa do presente do que do presente? É por isso! Porque ela pode brincar de verdade, sem medo de estragar, usando a imaginação.

Com a caixa de papelão da escola, colei figurinhas dos colegas dela dentro das janelas, e fotos das professoras dentro das portas. A Alice adorava abrir e descobrir quem estava ali dentro! Com a caixa do ônibus, eu aproveitava para cantar a música “a roda do ônibus”. E com a casa, aproveitei para desenhar a Alice com o papai, a mamãe e o seu mano, para ela entender que um irmãozinho estava chegando, e criar noção do núcleo familiar dela.

Falando em irmãozinho… tá quase, né? :)

Reconhecendo potenciais

(Texto publicado originalmente no blog Janela com Vista. Confira o belo projeto Outro Olhar, criado pelo Instituto Alana)

Com o tempo seu filho vai crescendo e vocês vão se conhecendo melhor. E você vai notando que ele tem suas preferências e aptidões. Aqui em casa, por exemplo, tenho notado que a Alice tem o ouvido bom e gosta muito de música. Ela canta junto com suas canções preferidas (na base do enrolation, mas canta) e só de ouvir o primeiro riff de guitarra de uma música ela já começa a balbuciar o refrão. Esse seu lado musical tem sido um bom aliado no desenvolvimento da fala.

O legal de ir descobrindo do que o seu filho gosta é que você pode aproveitar isso para interagir de uma maneira divertida com ele. Seja brincando, estimulando ou educando (se é que esta tríade possa ser separada :)) Mas e como saber do que um bebê gosta? Uma boa dica é utilizar o método OWL – Observe, Wait, Listen  (observe / espere / escute). Sinais como olhos brilhando, perninhas chutando, barulhinhos com a boca –  todos esses podem ser bons indicativos.

Isso me lembrou uma ótima palestra, chamada “ O mundo precisa de todos os tipos de mentes“ da Temple Grandin, onde ela fala: “Temos que absolutamente trabalhar com todos estes tipos de mentes, porque absolutamente precisaremos destes tipos de pessoas no futuro. (…) Digamos que a criança é fixada em Legos. Vamos colocá-lo trabalhando em construir coisas diferentes. A coisa sobre a mente autista é que tende a se fixar em algo. Se um garoto ama carros de corrida, vamos usar carros de corrida para matemática. Vamos descobrir quanto tempo leva para um carro de corrida percorrer uma certa distância. Em outras palavras, use esta fixação para motivar aquela criança.”

Eu adoro essa palestra. Assim com a T. Grandin, acredito que a neurodiversidade da humanidade não somente deva ser respeitada, como encarada como algo essencial à nossa sobrevivência.

E a diversidade em aptidões não se resume aos nossos filhos. Nós, enquanto pais e mães, também temos nossos talentos. E reconhecer quais são eles é tão divertido e útil quanto descobrir o dos nossos filhos. Se você é bom com instrumentos musicais, pode explorar isso. Se você é bom em contar histórias, pode aproveitar esse seu lado. Uma das partes mais legais da maternidade é justamente essa: descobrir lados seus, e inclusive qualidades suas, que você nem sabia que existiam :)

100 happy posts! :)

Olha que marco legal: o blog da Alice está no seu 100º post! Sei que para alguns blogs este número é super pequeno, mas para a gente é um número bem grande e especial, tendo em vista o carinho que procuro escrever cada texto. Quando eu comecei o blog, dois anos atrás, eu não imaginava a proporção que ele tomaria. Ainda hoje me assusto quando vejo o impacto que temos na vida de tanta gente.

Na imagem: montagem com fotos dos 10 principais posts do blog.

Na imagem: montagem com fotos dos 10 principais posts do blog.

Em comemoração, decidi separar os 10 posts que mais tiveram acesso aqui no blog, para relembrarmos.

1. Obrigada, Alice.

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2012/09/28/hello-world/

O primeiro texto do blog. Texto que escrevi tão rapidinho, sem pensar tanto, mas que até hoje é o mais acessado do NVCA. Ainda me emociono quando o leio, apesar de não me identificar mais com diversos trechos (como o trecho “bem vindo a holanda”, por exemplo).

2. Vencendo a hipotonia.

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2012/12/10/hipotonia/

Sempre fico surpresa quando vejo a quantidade de visitas que este post tem. Acho que é um assunto que interessa muito às novas mães, estudantes, profissionais, e ao pesquisar no google por hipotonia as pessoas encontram nosso blog. Tenho que fazer mais posts falando sobre isso, né?

3. O primeiro não.

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2012/11/15/o-primeiro-nao/

Neste post eu faço um desabafo sobre ter a matrícula da Alice negada em um colégio religioso daqui de Floripa. Passaram-se quase dois anos, mas práticas como essa continuam acontecendo pelo Brasil todo. Depois que escrevi o post, acabei decidindo por colocar a Alice na escola somente com um ano e meio (ao invés de 6 meses), e a matriculei no colégio que eu estudei a vida toda. O ano letivo está quase no final, e adoramos a experiência e as professoras.

4. Estimular é um barato: Livro personalizado!

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2014/10/01/estimular-e-um-barato-livro-personalizado/

Ufa, finalmente um post recente, achei que só meus textos antigos faziam sucesso :) Nesse post eu dou a dica da criação de um livro personalizado, reutilizando um antigo como base. A Alice ainda não enjoou do livro! De vez em quando pego ela lá folheando, apontando os rostinhos e falando (ou enrolando) os nomes.

5. Olhos Amendoados

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2012/10/21/ctrl-c-ctrl-v/

Tem tanto tempo que escrevi este texto, que nem lembrava mais direito dele. Fui reler agora ao montar este post e achei de todos os textos o mais atual, e fiquei impressionada em como eu ainda me identificava com ele. A única coisa que mudou é que, infelizmente, a Alice puxou meu pé sim. Puxa vida!

6. Um mês de Alice!

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2012/09/29/um-mes-de-alice/

Neste post eu conto de forma resumida como foi o primeiro mês da bebê pig. Ela estava prestes a entrar na APAE e iniciar a estimulação essencial (fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional…). Saímos da APAE alguns meses depois, mas tenho bastante gratidão pelo carinho que recebemos enquanto estávamos lá! :)

7. O portador caiu.

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2014/01/22/o-portador-caiu/

Este post teve participação especial da querida Patrícia Almeira. Pra variar eu batendo na tecla: utilizar um vocabulário correto é demonstrar respeito. É praticar o bem e a inclusão. :) Na mesma linha deste texto, escrevi um outro post, falando especificamente sobre “a palavra R“.

8. Nossa vida com Alice e… baby!

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2014/06/29/nossa-vida-com-alice-e-baby/

Óin, post falando da chegada do mano da Alice. Naquela época faltava tanto tempo ainda, agora já está quase quase. Um outro texto, mais recente, que também fala sobre a chegada de um irmão após o primogênito ter nascido com uma deficiência é o “Sobre ter filhos e ter coragem“.

9. O primeiro corte de cabelo da Alice.

http://nossavidacomalice.wordpress.com/2014/08/04/primeiro-corte-de-cabelo-da-alice/

Esse daqui acho que faz sucesso por conta da fofura da bebê pig, né? Que saudades do cabelo dela bem curtinho, já está comprido de novo.

10. Como é ser mãe de uma bebê com síndrome de Down.
http://nossavidacomalice.wordpress.com/2013/06/20/como-e-ser-mae-de-uma-bebe-com-sindrome-de-down/
Neste post falo sobre minha perspectiva individual de como é ser mãe de uma criança com síndrome de Down, e de como vejo a minha pequena Alice como muito mais que a soma de seus cromossomos.

Obrigada por acompanharem nossa vida, nossos aprendizados e descobertas.
E que venham os próximos 100 posts! :)

Mudaram as perguntas

Fiquei esperando as fotos da festinha da Alice para fazer um post especial sobre seu aniversário de dois anos, mas não contava que elas demorariam tanto para chegar! Agora já passou tanto tempo… mas foi um ano tão especial que não posso deixar a data passar em branco no blog. :)

E que ano movimentado que foi! Parece que passou ainda mais rápido que seu primeiro ano. A pequenina venceu diversos etapas em seu desenvolvimento motor, fala cada vez mais palavrinhas e até arrisca algumas frases simples. Foi ano de entrar na escola, de descobrir que ama milho, de passear bastante, de ganhar quarto novo, do seu primeiro corte de cabelo e de ganhar um irmão.

O primeiro ano da Alice foi cheio de dúvidas, e elas foram aos pouco sendo respondidas. Mas isso não significa que seu segundo ano tenha sido mais tranquilo. Como diz aquela famosa frase “assim que eu achei que sabia todas as respostas, mudaram as perguntas“. Continuo na luta para tentar ser uma boa mãe, oferecer boas oportunidades para minha pequena, e batalhar por um mundo mais inclusivo.

E que venha mais um ano cheio de dúvidas, respostas, e mais dúvidas ainda.
E, como prometido, algumas fotos de sua festinha :)

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Sobre ter filhos e ter coragem.

Eu sempre me imaginei mãe de 3 filhos. Depois que a Alice nasceu, foi caindo a minha ficha de que criar um filho não é uma tarefa simples, demanda muita energia/tempo/dimdim da gente, e acabei reajustando minhas expectativas. Mas eu sempre simpatizei com a ideia de ter mais de um filho, curto muito a experiência de vida e os ensinamentos que a convivência entre irmãos proporciona.

Optar por mais de um filho não é uma decisão fácil. Para mim, por exemplo, ter um segundo filho significaria mais tempo afastada (ainda que parcialmente) do meu trabalho que eu adoro, menos noites de sono, menos tempo livre, o orçamento mais apertado… fora todas as mudanças no corpo que acontecem durante a gestação. Resumindo: é preciso ter coragem para tomar essa decisão.

E se normalmente essa opção já é feita com cautela, para nós, mães de primogênitos com uma condição genética, ela costuma vir acompanhada de uma reflexão maior ainda. Novas perguntas surgem: será que o próximo também terá esta ou outra deficiência? Darei conta de mais de um filho com necessidades específicas e adicionais? Este segundo filho fará com que eu tenha menos tempo para me dedicar ao primeiro?

No final deste ano a Alice ganhará um irmãozinho. :) Depois de refletir um pouco, percebi que a Alice veio para me mostrar que eu não posso e nem consigo controlar tudo. Por isso, eu e meu marido decidimos encomendá-lo (hehe) naturalmente e não realizar exames invasivos. Só saberemos com certeza se ele terá ou não síndrome de Down no seu nascimento.

Talvez parte da graça e do desafio de ter filhos seja isso mesmo, o mistério do que virá, o processo de abrir o coração para receber o que nos será enviado. Se ter um primogênito com uma alteração genética nos fez ter mais cautela, que nos faça também ter mais coragem e confiança para aceitar novos desafios.

Mas isso não signifique que ache que exista maneira certa ou errada de agir nessas situações ou eu julgue pessoas que decidem optar por outros caminhos. Por ter passado por essa experiência de vida, eu realmente tenho empatia pelas famílias que optam por não ter mais filhos, ou que recorrem à recursos atuais de fertilização assistida. Para mim, esta é uma decisão tão pessoal quanto ter filhos ou não.

Quanto ao irmãozinho da Alice, sou como toda grávida e torço para que seja um bebê saudável. Mas daí eu lembro que torcer por uma criança perfeita é algo injusto e impossível. Então eu torço para aquilo que de fato é mais tangível: que eu tenha sabedoria para receber este novo presente de cabeça, coração e braços abertos.

(Texto publicado originalmente no blog Janela com Vista)

Estimular é um barato: livro personalizado!

Desenvolvimento da fala
Pessoas com síndrome de Down apresentam dificuldade no desenvolvimento da fala, por uma série de motivos. Com a nossa pequena Alice não é diferente: por mais que o seu atraso não seja tão expressivo, já podemos observar que ela precisa de apoio extra e incentivo dirigido neste campo. Pensando nela e em pessoas com dificuldade na fala, minha dica de estimulação desta vez é a criação de um livro personalizado, reciclando um livro antigo que sua criança não use mais!

Temas próximos e de interesse
Mas e como escolher um bom tema? Bom, não sou especialista em estimulação infantil, mas me parece que uma boa maneira de envolver a criança em uma atividade seja trazer aquilo para a realidade dela, apostando no que ela gosta e conhece. Um exemplo: para minha Alice é muito mais fácil compreender o conceito “P de popó” do que “P de palhaço”. Por mais infantil e lúdico que seja o tema circo, ainda não faz parte de seu repertório, sendo assim menos interessante que a galinha azul.

Na image: livro da alice com páginas coloridas e uma foto sua na capa.

Na imagem: livro da alice com páginas coloridas e uma foto sua na capa.

Livrinho da alice
Para a minha pequena decidi bolar um livro com as palavras que ela mais fala, para incentivar que ela se solte mais ainda. No caso da Alice, as palavras mais faladas são os nomes e apelidos de pessoas próximas à ela. Para deixar o livro bem atrativo visualmente, usei fotos simples contrastando com fundos coloridos. Fiz isso no photoshop, mas quem não for muito bom no computador, pode fazer isso com fotos, tesoura e papel colorido!

Detalhe da página com a foto dos padrinhos.

Detalhe da página com a foto dos padrinhos.

Pareamento e introdução às palavras
Alem disso, noto que ela já demonstra interesse em parear, então procurei organizar as páginas sempre em “pares”: papai + mamãe, vovô + vovó, dindo + dinda, etc. Para as palavras usei uma fonte em caixa baixa, simples, arredondada e em vermelho. Sinceramente não sei qual a melhor maneira de apresentar graficamente (no sentido de qual melhor fonte a usar, qual o tamanho, etc) palavras para as crianças, fui seguindo minha intuição.
Atualização: Algumas pessoas comentaram aqui no blog e no facebook que é mais interessante usar as palavras em caixa alta neste primeiro momento, pois são mais simples e mais fáceis de copiar! :)

Dicas NVCA:
1) Procure usar fotos ou desenhos que sejam simples, de fácil entendimento e com o fundo liso.
2) Para as palavras, prefira fontes simples e com contraste com o papel.

Reciclando um livro antigo
Como crianças com SD também podem apresentar dificuldade na motricidade fina, quis fazer um livro com páginas durinhas, que fossem fáceis de manusear. Assim sendo, como base utilizei um livrinho que ela já não dava muita bola. Colei as imagens com cola bastão e passei papel contact por cima, pra resistirem mais tempo aos dedinhos melados e aos dentinhos afiados. Quem quiser algo mais profissional, pode encomendar um livrinho nesses sites que revelam fotos! E para quem não tiver problema com motricidade fina, pode imprimir direto em uma folhinha mais dura, e depois encadernar, grampear, costurar…

Na imagem: mãozinha da Alice pegando o livro.

Na imagem: mãozinha da Alice pegando o livro.

Sucesso de publico e critica
A Alice a-mou o livro! Não imaginei que fosse gostar tanto. Ficou com o olhinho brilhando ao reconhecer tanta gente que ela gostava. Ela ainda não acerta todos os nomes/palavras do livrinho, mas já fala a maior parte. Assim que sobrar um tempinho (tá difícil) quero colocar um video dela folheando o livro e falando os nomes. Enquanto isso fiquem com fotos dela e do livrinho:

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Quebrando copos

Na imagem: pratos e copos quebrados. Crédito: https://www.flickr.com/photos/joshhikes/

Na imagem: pratos e copos quebrados. Crédito: https://www.flickr.com/photos/joshhikes/

Outro dia estava conversando com uma grande amiga que procura sempre dar o seu melhor como mãe (assim como eu) mas que frequentemente enfia os pés pelas mãos (assim como eu). Estávamos rindo das nossas desventuras, erros e acertos, quando chegamos a conclusão: só quebra copos quem lava a louça. Ou seja: só faz besteira quem está lá, diariamente, tentando acertar e dando a cara a tapa.

Ela também comentou que uma vez, ao testar luvas novas para lidar com sua interminável montanha de louça suja, acabou lascando quase todos os pratos (mas que depois que se habituou com a nova situação, foi bem melhor para ela). E isso me fez refletir. As vezes para sair da zona de conforto e tentar melhorar, você passará por um período quebrando muitos copos. Mas que nem sempre sucessivos erros são prova definitiva de que você tomou uma decisão errada, e sim uma etapa de adaptação necessária para chegar num cenário melhor que o anterior.

Na imagem: inúmeras louças quebradas. Crédito da foto: Cheryl Empey

Na imagem: inúmeras louças quebradas. Crédito da foto: Cheryl Empey

(abre parênteses) Um bom exemplo deste tipo de situação, é a inclusão escolar de crianças com deficiência. Sim, no início será complicado. Muitos tropeços acontecerão. Mas só iremos aprender se insistirmos, e não desistirmos no primeiro copo quebrado. O aprendizado vem com a prática e, como costuma dizer minha mãe, errar é pedagógico. :) (fecha parênteses)

Por isso, antes de cair na tentação de apontar os erros alheios, vale parar e pensar: será que eu não estou errando menos porque também me envolvo menos? Talvez eu não seria mais útil ajudando na louça do que reclamando dos pratos lascados? Será que o preço da inércia e do comodismo não é alto demais, como uma pia lotada de pratos sujos?

Eu seguirei aqui quebrando copos, muitas vezes enfiando os pés pelas mãos, remoendo inseguranças e comemorando vitórias. Pois isso significa que eu me recuso a me acomodar, de tentar ser uma boa mãe e querer o melhor para minha filha.