Doman de matemática!

Assim que comecei a ler mais sobre o método Doman, fiquei curiosa para conhecer a abordagem deles para a matemática. Como muitas pessoas com síndrome de Down apresentam dificuldades com matemática pensei em ver qual era a proposta deles nessa área.

Infelizmente cheguei um pouco atrasada nesse conteúdo, pois o programa de neurodesenvolvimento deles de matemática é voltado para bebês e crianças até dois anos e meio (alicinha já tem 3). Mas ainda assim li o livro e incorporei um pouco das dicas dele no nosso dia a dia. Fiz com esse método aquilo que faço com todos os outros: li, absorvi aquilo que fazia sentido e funcionava pra gente, adaptando pra nossa realidade.

O que eu gostei na proposta:

• Gosto de métodos que usam materiais grandes, simples e com contraste/coerência visual.

• Ele inicia por aquilo que é tangível (quantidade) e deixa o abstrato (numerais) por último.

• Gosto como ele não estimula o ensino dos números na ordem, evitando com que a criança decore basicamente uma sequência de palavras ao invés de entender a noção de quantidade.

• Assim como os numerais, ele também pede para esperar para introduzir o conceito de símbolos (+, -, =…)

Enfim, se você se interessou, sugiro que leia o livro, onde ele fala mais sobre o método. 😀

Eu comecei a criar o material, fui até a prancheta número 30, mas a Alicinha não curtiu, então resolvi não insistir muito. Fui procurar no YouTube vídeos de outras mães fazendo o método, pra ver se eu estava fazendo algo errado, e encontrei um pai que tinha feito uma versão musical dele! Eu achei o máximo e a alicinha também amou! Eu colocava para tocar e ficava cantando bem alto em português por cima. Mas aquilo não estava dando muito certo, então pedi para meu cunhado fazer uma versão da música, para eu criar um vídeo em português pra ela.

Na mesma época, meu amigo Rogério meu enviou um artigo* que debatia a hipótese de que crianças com síndrome de Down aprendiam mais matemática em meios eletrônicos – como aplicativos – do que de forma tradicional. Então isso foi um empurrão a mais para eu bolar algo alternativo para ela, para complementar o ensino.

A Alice curtiu tanto este primeiro video que acabei fazendo um para cada dezena até o número 100 😱 e mais seis sobre adição, todos com musicas originais compostas com ajuda do super GarageBand 💕. Em todos eu coloquei desenhos e brincadeiras para deixar o vídeo mais lúdico. Vou colocando aqui aos poucos conforme eu for perdendo a vergonha da minha voz horrenda. Não sei até que ponto eles estão ajudando, faço sem muito compromisso. Queria iniciar alguns sobre subtração, mas esse ano estou pensando em focar na saúde visual da alicinha, que acabei deixando de lado ano passado.

P.s.: O video é meio tosco, pois foi um dos primeiros que eu fiz, estava enferrujada com o programa de animação. Tentei achar o arquivo para melhorá-lo, e para inclusive colocar uma filmagem minha falando os números, mas perdi o arquivo original! 😭

Espero que tenham gostado!
Beijos,
Carol.

* 5th World Conference on Learning, Teaching and Educational Leadership, WCLTA 2014 Achievements of Numeracy Abilities to Children with Down Syndrome: Psycho-Pedagogical Implications.

Estimular é um barato! Quebra cabeça (e aprendendo com a criança).

Meu conhecimento com estimulação vem muito de observação e tentativa e erro, com minha própria filha. Não tenho formação nessa área, mas através da nossa vivencia consigo extrapolar alguns aprendizados para as crianças em geral.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Na imagem: Alice ainda bebê, brincando com chocalhos feitos em casa.

Um desses aprendizados é: se a criança não está se interessando por uma brincadeira, não tem curiosidade, joga o brinquedo longe… Volte duas casas e observe bem se aquela situação é adequada para ela. Muitas vezes a gente cai na tentação de achar logo que o problema é com a criança: ai, fulana é distraída! Ciclano não para quieto! Julgamentos rápidos e que rotulam a criança prematuramente.

passeio16

Na imagem: Alice com 11 meses, brincando na grama da casa da vovó. Ela está com duas maria chiquinhas.

Eliminando as observações básicas, (está doente/com sono/com fome) as questões a serem refletidas são inúmeras: O tema é do seu interesse? É algo compatível com sua motricidade fina? Ela consegue enxergar e entender as imagens? A sua explicação foi compatível com seu processamento auditivo? A brincadeira está muito devagar, deixando a criança entediada? O adulto (pai, mãe, TO, professora…) está interferindo demais? O ambiente não está bem elaborado?

As atividades e brincadeiras que eu acho mais divertidas e bem sucedidas são aquelas que eu preciso me envolver o mínimo possível, onde a Alice e o Antônio possam explorar sem minha constante intromissão e interferência.

Mas gente! Como eu divago. 😂 Todo esse preambulo para dizer que tive a ideia de fazer um quebra cabeça pra Alice, pois esses prontos, de 20 peças, eram ao meu ver ainda inapropriados para a motricidade fina dela. Então eu fiz uma atividade de encaixe, usando frutas que ela gosta, e uma estrutura mais grossa.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Mas ela continuou não se interessando muito, como vocês podem ver pela foto abaixo, rs

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Um dos pedaços do quebra cabeça com marcas de mordida.

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito "Quebra cabeça".

Na imagem: Quebra cabeça do patati. Imagem do patati dividida em 3, em cima de uma bancada de madeira, com outros brinquedos coloridos. Em cima da imagem está escrito “Quebra cabeça”.

Então simplifiquei mais ainda: deixei os pedaços maiores e escolhi apenas um desenho. Escolhi algo que fosse de alto interesse para ela: patati patata. E dai ela finalmente curtiu e teve o estalo de encaixar as partes! 🎉Frente e verso são iguais, para ajudar. Bolei uma estrutura que eu consigo trocar a imagem, deixando o brinquedo mais sustentável.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Espero que tenham gostado da dica! Quer tentar em casa? Segue abaixo os arquivos das frutas para download! Você pode brincar de quebra cabeça, de jogo da memória, usar para ensinar as frutas, para ensinar as cores, para ensinar o conceito de “dentro/fora”, sílabas… ou seja: usem como quiserem :) » Imagens em JPG | Imagens em PDF

Beijos,
Carol.

Domini 

Existe “vergonha alheia… de si mesmo”? Inventei essa expressão, pois ela define bem o que eu estou sentindo agora. Explico: a Alicinha tem atraso no desenvolvimento da fala, estamos cogitando inclusive um segundo diagnóstico, mas isso eu explico melhor outra hora.”E onde entra a vergonha alheia nisso, Carol?”

Nos vídeos amadores que eu criei para ajudá-la a desenvolver a fala! 😅Existe muito material legal em inglês mas eu não encontrava nada do jeito que eu queria em português, então decidi eu mesma criar. Eu já criei dezenas de vídeos, mas sempre tive vergonha de colocar aqui no blog porque: a) detesto minha voz, b) tenho vergonha das musicas e animações toscas que eu crio e c) como são para uso pessoal, eu utilizo imagens que não são de minha propriedade intelectual. Mas como vi que os vídeos estão ajudando a pequena me forcei a botar a vergonha de lado para de repente ajudar outras famílias também. E, conversando com uma amiga advogada, ela me explicou que como o uso das imagens é pessoal e não visa lucro, não tem problema.

Eu queria vídeos com o ritmo bem lento e com bastante repetição, pois noto que em músicas assim que ela interage mais. Queria também imagens e palavras mais claras e simples, sem tanta poluição visual. Sigo algumas orientações do método Doman (fonte em caixa baixa, grande, com bastante contraste, etc) mas também incorporei um pouco do método Gemiini, que as mães americanas têm elogiado muito. Este último consiste em vídeos também com muita repetição e foco na pronúncia, com o apoio de vídeos de pessoas falando. E dessa mistura meio louca de Doman e Gemiini saiu meu… Domini, rs.

Eu crio as melodias em um aplicativo chamado Garage Band (as aulas de piano que eu fiz com 7 anos finalmente serviram para algo!) depois faço uma animação simples no After Effects. O video eu gravo pelo iPad mesmo, não fica com tanta qualidade mas é mais prático.

Hoje vou colocar aqui 3 animações que eu fiz sobre cores! Como eu falei lá em cima, me incomodava a poluição visual e quantidade de informações nos vídeos que a gente vê pelo YouTube. Você dificilmente acha um vídeo só sobre uma cor, por exemplo, normalmente a animação fala sobre todas, e rapidamente – o contrário do que eu queria.

https://www.youtube.com/watch?v=H0siHA4R_D4

Percebam que são vídeos bem focados para a Alicinha – escolho coisas do universo de interesse dela para deixar o momento mais lúdico. Então, se seu filho for mais velho e não curtir, de repente tenta fazer alguma coisa similar, mas usando personagens e desenhos que ele goste! Em tempo: eu coloco os vídeos no iPad, no computador, mas fica legal mostrar na televisão também! 😎

Bom, era isso. Espero que seja útil para outras famílias também. Em breve posto outros por aqui.

Beijos,
Carol.

Trazendo à tona

Legenda da imagem #ParaCegoVer: Alice sorrindo, vista pelo lado de fora de uma janela. Ela está de pijama e usa óculos lilás. Na imagem está escrito "Trazendo à tona".

Legenda da imagem #ParaCegoVer: Alice sorrindo, vista pelo lado de fora de uma janela. Ela está de pijama e usa óculos lilás. Na imagem está escrito “Trazendo à tona”.

Um dos textos mais compartilhados que eu escrevi para o blog fala sobre como a SD no início se torna um manto, que cobre nosso bebê, e com o tempo jogamos esta capa longe e admiramos nosso neném. Eu estava vivendo uma epifania, onde eu percebia que a Alice era muito mais que a soma de seus cromossomos. A maioria das mães acaba passando por este processo um tempo após o diagnóstico, e comigo não foi diferente.

E então eu fui para o lado oposto do pêndulo, e coloquei a SD um pouco de escanteio. Nunca deixando de estimulá-la, claro, mas passei a curtir muito minha pequena e admirar a bebê linda que eu tinha. Fiquei assim por um tempo, estimulando minha Alice de maneira tradicional, seguindo as orientações que recebia. Ela estava se desenvolvendo muito bem, e eu estava começando a perceber que a sua síndrome não era um bicho de sete cabeças que eu imaginara no início.

Com o passar do tempo, no entanto, o desenvolvimento da minha pequena começou a desacelerar. Seu peso não aumentava, sua altura não evoluía e seu crescimento motor passou a estagnar. Nunca fui muito adepta ao “eles são assim mesmo” modus operandi, então fui atrás de respostas e soluções. Algumas hipóteses foram levantadas e investigadas: alergias, doença celíaca, intolerância à lactose, anemia… Foi uma fase cansativa e confusa, que culminou com a nossa pequena sendo internada com pneumonia.

Durante sua internação no hospital, a Alice tirava algumas sonecas, e para passar o tempo eu aproveitei para começar a estudar sobre a bioquímica da pessoa com síndrome de Down. E um mundo novo se descortinou diante dos meus olhos. Nossa, quantas informações interessantes! Eu, que nunca tinha gostado tanto de biologia ou química na escola, agora me via devorando textos, artigos e pesquisas sobre a bioquímica da pessoa com SD – e adorando.

Mas se por um lado esse momento divisor de águas foi muito importante e esclarecedor, ele também me deixou repleta de ansiedade. Eu tinha finalmente me dado conta de como eu sabia pouco sobre esse campo, e como ainda temos muito o que descobrir e aprender sobre as consequências do excesso de material genético no indivíduo com SD. Apesar disso, o saldo foi positivo: era hora de encarar as informações de frente e tentar colocá-las em prática para melhorar a qualidade de vida da Alice.

Depois de muito pesquisar, estudar, procurar por profissionais que tivessem conhecimento na área ou entusiasmo em aprender, montei um plano de ação e passei a tomar alguns cuidados específicos com a alimentação e saúde da Alice. E agora, quase um ano depois, começo a notar o resultado deste trabalho. A mudança mais perceptível e impressionante foi a mais recente, depois que finalmente iniciamos um tratamento adequado de sua tireóide. A Alice está mais feliz, pegando peso, mais disposta, risonha e falante.

Pode ser que no futuro eu mude de ideia, afinal estou sempre amadurecendo e isso possibilita novos pontos de vista, mas no momento eu acho que ignorar a síndrome de Down não é a melhor maneira de ajudar minha filha. Na verdade, estudar a síndrome, tentar entendê-la, não faz com que eu perca a essência da minha filha. Pelo contrário, me faz ajudar a trazer cada vez mais essa mesma essência à tona.

Um quadro recente apresentado no fantástico trazia à tona a seguinte reflexão: “qual a diferença?”. Para mim a resposta que mais se alinha com meu pensamento atual é a do cantor João Cavalcanti, que inclusive participou do quadro. “Qual a diferença? Nenhuma. E todas.

Estimular é um barato: livrão!

Vira e mexe eu invento algumas coisas pra Alice, fico toda animada, passo um tempão criando… e ela não dá a mínima bola, rs. Mas sigo aqui firme forte na tentativa e erro. :) Uma coisa que fiz recentemente, que passou pelo crivo de aprovação da bebê pig (saudade de chamá-la assim, mas agora com 3 anos não tem mais cabimento, né) foram os livros gigantes!

Legenda da imagem #paracegover: Dois livros grandes, em cima de um piso de madeira. Os livros são sobre a Peppa Pig. Em cima da foto está escrito "Livrões, estimular é um barato!".

Legenda da imagem #paracegover: Dois livros grandes, em cima de um piso de madeira. Os livros são sobre a Peppa Pig. Em cima da foto está escrito “Livrões, estimular é um barato!”.

“-Livro gigante, Carol? Conte-me mais!”

Claro, caro leitor! Vamos começar pelo início. Eu tenho lido alguns métodos de estimulação e ensino, e acabo pegando uma coisa aqui ali de cada teoria e coloco na prática aqui em casa. Para a parte de leitura, um método que eu simpatizei e me inspiro foi o Doman. Sei que é um método bem controverso, alguns pontos dele eu não concordo/sigo, mas algumas diretrizes que eles dão pra questão da leitura fizeram sentido para mim então adaptei para a nossa realidade.

Algumas diretrizes do método:
• Livros com letras muito grandes.
• Palavras em minúsculo.
• Preferência para fundo branco e letra vermelha ou preta.
• Texto sobre fundo liso, sem justaposição com a ilustração
• Apresentar a leitura de forma prazeirosa, ser um momento feliz

Então, com base nessas orientações, os livrões da Alice são feitos respeitando estas dicas, fontes grandes, cores contrastastes, textos separados das figuras, etc. Para incentivar ainda mais o interesse dela, tenho escolhido temas que ela está curtindo no momento, como histórias da Peppa, da Luna, da nossa rotina. Algumas coisas eu invento, outras me inspiro nos episódios dos desenhos mesmo, simplificando e adaptando.

O material é o que eu costumo usar sempre, que são folhas que eu reaproveito o verso, envelopes de acetato e um cartão rígido dentro para dar mais estrutura. Depois furo e finalizo com argolas. Mas tenho uma amiga que imprime em banner de lona e fica muito legal também. :) Algum advogado que entenda de copyrights sabe dizer se posso disponibilizar estes livros caseiros aqui para download, ou se eu serei processada, rs?

Mais algumas fotos!

Este slideshow necessita de JavaScript.

Minha família existe.

É impressionante como passei a valorizar mais a minha mãe depois que tive filhos. Passei a ter muito mais empatia e compreensão pelas suas atitudes, até então nem sempre totalmente entendidas. Eu já a admirava muito, mas agora que tenho dois filhos, tenho uma noção ainda mais nítida de como ela lutou pela gente.

Minha mãe batalhou pra caramba por mim e pela minha irmã. Meu pai não participou da minha criação, nem emocionalmente nem dando suporte financeiro. Então ela trabalhava o dia inteiro, estudava a noite, se desdobrando em mil para sustentar o lar e nos educar. Minha tia-avó (minha segunda mãe, praticamente) ajudou muito na minha criação, formando nosso núcleo familiar. Isso mesmo, o núcleo da minha família consistia em uma mãe, uma tia-avó e minha irmã.

E então, faltando dois dias para o aniversário dela, eu leio que uma comissão do governo aprovou a definição de família como a união de homem e mulher. Para o mundo que eu quero descer. Recapitulando então, rapidinho: “família” era minha mãe casada com meu pai, sofrendo abusos verbais e físicos? E um casal homoafetivo, por exemplo, que se respeita e se ama, não é uma família? Ué. Só eu que acho isso muito estranho?

Hoje é aniversário da minha mãe querida. Que pessoa especial! Uma mãe presente, uma vó amada, uma professora admirada por tantos alunos. Não estaremos juntas, pois ela está em uma merecida viagem de férias. Parabéns, mamãe querida! Você é demais! Todo meu respeito, admiração e gratidão por você!

Somos uma família, SIM!
E muito obrigada por ter batalhado tanto por ela.

Legenda da imagem #paracegover: Minha irmã Stella, minha mãe e eu (carol). Em cima da imagem um rabisco de tinta, onde está escrito em rosa "Nossa família existe".

Legenda da imagem #paracegover: Minha irmã Stella, minha mãe e eu (carol). Em cima da imagem um rabisco de tinta, onde está escrito em rosa “Nossa família existe”.

2015

2015 e um profissional representante de diversas escolas de Santa Catarina, em uma manobra abominável, tenta retirar o direito à educação de crianças e jovens com deficiência, na contramão dos direitos humanos. Os argumentos usados reduzem por absoluto pessoas com deficiência a partir de premissas falaciosas e limitando o potencial dessas pessoas de forma discriminatória e criminosa. A carta redigida é tão vergonhosa, é tão surreal, que eu em um primeiro momento achei que fosse falsa.

Como bem pontuou a minha colega Gisele Fontes, o argumento de que a criança com deficiência aumenta os custos da escola não é honesto, já que a escola tem que estar preparada para a diversidade humana, que existe, inclusive, na população dos alunos sem deficiência. O fato de você ser uma instituição privada, ao invés de pública, não te exime de cumprir a lei.
Se a mesma energia e vigor que este cidadão luta para que as pessoas com deficiência não participem do ensino regular fosse canalizada para encontrar soluções positivas, para o progresso, tenho certeza de que estaríamos em um rumo muito melhor.

Eu estava ponderando se me posicionava ou não sobre esta situação, mas diante dos absurdos que tem sido falados e escritos por tais representantes, e que muitas escolas estão inclusive redistribuindo para seu corpo docente e discente, me sinto obrigada a deixar bem clara a opinião do NVCA. Somos absolutamente A FAVOR da inclusão. INFORMEM-SE! Não acreditem em argumentos falaciosos.

Se tem algo que me apavora é retrocesso.

Se tem algo que me deixa com medo são atitudes análogas ao fascismo.

A educação é um direito fundamental, universal e inalienável.

legenda da foto #paracegover: um fundo preto, com rabiscos brancos de tinta. Em cima, está escrito “chega de preconceito” com uma fonte cursiva preta.

 

Terceiro ano da alice!

capa

Legenda #ParaCegoVer: Thomas, Antônio, Alice e Carol. Estão segurando uma vela acesa com a Minnie. Na imagem uma montagem com o texto: Terceiro ano Alice.

E nossa linda e querida Alicinha completou 3 anos! :) O Antônio não tem me dado folga, mas consegui achar um tempinho para pelo menos vir aqui colocar algumas fotos da festinha pequena que fizemos em casa. Escolhi fazer da Minnie (a Mimi, segundo ela) pois é uma das sensações do momento aqui com a Alicinha. Gente… como sou grata por estar ao lado dessa garotinha linda, todos os dias. E por isso faço questão de fazer festa mesmo, ainda que simples, pra comemorar a felicidade de mais um ano de sua vida.

Logo menos eu volto a postar mais no blog, pessoal <3

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Estimular é um barato: brincando com cores!

Estou cheia de fotos e dicas para a sessão “Estimular é um barato” aqui do blog, mas minha rotina anda de cabeça para baixo #ficandomaluca. Voltei a pesquisar e ler muito sobre síndrome de Down, e isso tem consumido o pouco tempo livre que sobra por aqui. Mimimis à parte, vamos ao que interessa: mais uma dica envolvendo caixas de papelão! Eu sou a louca das caixas. Adoro. Enquanto a maioria das pessoas olha uma caixa de papelão e pensa “entulho” eu penso “oba, que que dá pra inventar?” :D

Dessa vez criei uma brincadeira onde cada face da caixa ensinava as cores de uma maneira diferente. Na realidade vi algo parecido no pinterest e copiei a ideia na maior cara de pau. :) aliás, alguém bloqueia o pinterest no meu computador? Fico vendo essas blogueiras fazendo um monte de atividades legais e lindas para os filhos e tenho vontade de largar tudo e só fazer isso o dia todo.

Sobre a brincadeira:
Gosto de movimento, de aprender e ensinar de maneiras multi-sensoriais, então a ideia de uma caixa onde você estimula a criança a ficar de pé, a agachar, a pegar, jogar, bater, pra mim é mais legal que um brinquedo caro que você aperta um botão e faz tudo sozinho. Com o bônus de ser um brinquedo mais eco-amigável.

Face #01: Acerte a bola!
Nada de muito mirabolante: a criança pega uma bola colorida e coloca no buraco respectivo! Dessa forma ela aprende a parear, encaixar, as cores, treina e estimula seu movimento motor amplo e fino. Perceba que mesmo que a criança coloque a bolinha no lugar errado, olha quanta coisa ela conseguiu! Eu acho que brincadeira tem que ser legal, então não fico corrigindo muito nem apontando os erros. Se ela acerta as cores eu faço uma festa, mas se não, eu nem me esquento. As vezes só falo “que legal filha, você colocou a bolinha laranja no buraco vermelho!”, mas deixo ela brincar bem solta. Quer enfiar a boneca dentro da caixa? Pode. A popó de pelúcia? Pode. A gente vive querendo que nossos filhos tenham criatividade e pensem fora da caixa, mas quando eles ousam mudar o script de uma brincadeira muitas vezes os podamos.

Face #02: high five!
Desenhei mãos coloridas para a Alice fazer high 5 conforme eu fosse falando os tons. Bem bom para a coordenação motora também: levanta, agacha, estica, bate. A Alice da uma ignorada básica nos meus comandos, rs, mas eu vou batendo junto e falando o nome das cores, alguma coisa ela deve absorver.

Face #03: Animais coloridos!
Eu queria fazer uma atividade que envolvesse pareamento, que grudasse, mas que fosse bem fácil tanto de preparar quanto de brincar. Velcro logo me veio à mente, mas relutei um pouco pois Alice tem um pouco de desequilíbrio sensorial tátil (ela é, no campo tátil, sensory seeker. Se ela vê um velcro ou uma lixa ou algo com muita textura ela fica hashtag-obcecada). Mas na falta de uma opção melhor acabei usando velcro mesmo, tomando cuidado para a parte áspera ficar na caixa, para dificultar pelo menos um pouco o comportamento auto estimulante.

A Face #04… eu ainda não fiz, rs. Eu tive algumas ideias, mas ou eram coisas muito complexas para ela, ou coisas que ela destruiria em 5 minutos, rs. Alguma sugestão? :)

Espero que tenham gostado! Abaixo as referências que eu usei como inspiração e algumas fotos da caixa. Em breve coloco umas fotos da Alicinha brincando, que ainda não consegui baixar da câmera.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O óculos lilás (e o maior problema em ensinar uma pessoa com síndrome de Down).

IMG_06282

Descrição #ParaCegoVer: Alice vestida de lilás, brincando de tinta, com uma flor rosa no cabelo e seus óculos novos.

Alicinha está de óculos novos! “Perdeu” seu antigo então precisamos comprar um novo par. Além disso tivemos que mudar sua lente – sua hipermetropia aumentou – e aproveitei a ocasião. Eu quis variar um pouco o vermelho e pedi um lilás. Logo depois me arrependi, mas já não tinha volta. Mas até que ficou bonitinho, não acham? A Alicinha adorou a novidade*, acho que estava com saudade de usar óculos, e precisando também. Com a correria aqui de casa acabou ficando 3 semanas sem usar. Quando provou o modelo novo deu uma gargalhada e foi se olhar no espelho.

Ela tem uma hipermetropia considerável e devia estar incômodo ficar sem. Além da hipermetropia ela tem estrabismo e provavelmente algum nível de ambliopia. Fazemos um acompanhamento muito legal com um instituto de optometria aqui de floripa. Eles têm uma visão mais ampla da saúde visual e eu curto bastante essa abordagem. Eu não dou conta de fazer todos os exercícios que eles pedem, mas me esforço para fazer pelo menos o mínimo.

Mas e como Alicinha “perdeu” seus queridos óculos vermelhos? Não tenho certeza, mas tenho uma forte suspeita que a pequena fez uma sapequice e os jogou no lixo da escola. Ocorre que estamos a ensinando a usar o lixo reciclado aqui em casa, e ela adora. Gosta tanto que de vez em quando a pego indo colocar o controle remoto ou o estojo de lápis ou o babador na lixeira. As professoras já salvaram um tênis novo do lixo também. #tenso

E esse episódio tragicômico me fez lembrar de uma frase ótima que eu ouvi uma vez: “Cuidado ao ensinar seu filho com síndrome de Down… ele aprende. ;)”

*dois dias depois a Alicinha passou a não querer mais colocar os óculos. Não sei se perdeu o costume ou está estranhando as lentes novas… :( Féun