Vamos procurar?

Na imagem #paracegover: Ilustração de um quarto de um bebê, e um desenho grande de um bebê, com ornamentos circulares ao fundo. Está escrito em vermelho: VAMOS PROCURAR?

Na imagem #paracegover: Ilustração de um quarto de um bebê, e um desenho grande de um bebê, com ornamentos circulares ao fundo. Está escrito em vermelho: VAMOS PROCURAR?

Pensando em mais uma maneira lúdica de estimular a minha pequenina, pensei em criar uma série de videos para estimular a sua visão! 🤓

* Pausa para um comentário importante * 🤔

Óbvio que nada substitui o livre brincar, os passeios, o contato com a natureza. De maneira alguma estes videos substituem essa realidade, que é tão importante e necessária. Mas como aqui em casa a televisão acabou tornando-se uma realidade cotidiana (infelizmente… mas enfim, tenho operado ultimamente no modo “Faço o melhor que posso”, e dentro desse contexto rola bastante televisão, ao menos bem mais do que eu gostaria) fico bolando maneiras de tentar deixar esses momentos pelo menos com mais qualidade, com videos que sejam mais apropriados e úteis para eles.

* Volta para os videos! * 😎

Um exercício de optometria legal, é esse que estimula os sacadicos. O sacadico (espero que eu esteja escrevendo certo) é um movimento rápido e simultâneo de ambos os olhos entre duas ou mais fases de fixação na mesma direção. (fonte: Cassin, B. and Solomon, S. Dictionary of Eye Terminology. Gainesville, Florida: Triad Publishing Company, 1990.) Aquele movimento que os olhos fazem quando estamos lendo, sabem? E por isso exercícios que os estimulam também podem ser benéficos na leitura.

Os exercícios que eu encontrava que estimulavam isso, consistiam geralmente de um fundo branco com um círculo azul que mudava de lugar… logo deduzi: “ihhhh… minha Alice não vai se animar muito com isso não”. Pensei, então, em substituí-los por versões mais divertidas. A optometrista da Alice, a querida Marta, me orientou que contando que houvesse destaque suficiente figura-fundo, não deveria ser problema a substituição. Pretendo convencê-la a fazer um videozinho falando sobre isso arqui para o blog e para o canal do YouTube, hihi.

Mostrei este primeiro video para seu outro optometrista, o Enro, e ele me deu a dica de deixar os objetos um pouco mais tempo na tela, pensando nas crianças com dificuldades motoras. Então, nos próximos videos, procurarei ter isso em mente. Caso você ache muito rápido para seu filho, o YouTube disponibiliza uma opção de deixar os videos mais lentos, em um ícone que parece uma engrenagem.

E caso você tenha se animado, faça também para seus pequenos! Dá para fazer no power point, que é um programa que muita gente sabe se virar, ou então no google slides. E em breve farei novos videos para essa série, assine o canal do NVCA para ficar por dentro das novidades!

Estimular é um barato: Quebra cabeça da MASHA!

capayt

Eu estava querendo fazer uma atividade que estimulasse a noção espacial da Alice, a visão, que também ensinasse a questão corporal (pé, braços, cabeça). Pensei, então,em criar um quebra cabeça, pois noto que ela ainda tem dificuldade com quebra cabeças com muitas peças. Hoje em dia não é tanto a motricidade fina que a atrapalha nessa atividade, e sim sua noção espacial, que percebo que tem bastante potencial para melhorar.

Optei por fazer de um tema que ela estava gostando bastante na época (o vídeo já tem alguns meses), que é “Masha e o Urso”. Ela logo parou de dar bola pra Masha, já o Toni… ama de paixão! Talvez seja porque role uma identificação com a loira sapequinha, rs. Outro dia ele me acordou falando “Vem brincar comiiiigo, Vem brincar comiiiigo” (a Masha fica acordando o Urso em um episódio falando isso).

A Alice e o Antônio gostaram bastante, apesar de que em poucos dias já tinham enjoado. Eu acho que no final das contas a base com o modelo em preto e branco e o velcro mais atrapalharam do que ajudaram. Fora que a cola quente não pegou direito no contact e o velcro logo descolou. O lado bom é que dá para fazer um novo quebra cabeça apenas colando uma nova ilustração por cima, aproveitando a estrutura de papelão.

Quando fui começar a criar o quebra cabeça tive a ideia de filmar o processo de criação, numa espécie de making of. Não ficou tão bom pois não tinha onde apoiar direito a câmera, e meu processo de criação é meio “orgânico” (bagunçado, rs) vou decidindo o que vou fazer conforme vou criando. Mas espero que ajude, um beijão!

Na imagem #paracegover: Dois quebra cabeças de três peças cada. Um da Masha e outro do Urso.

No video #paracegover:
Mostro restinhos de papéis, corto em pedaços iguais. Grudo eles com um adesivo para aumentar a espessura. Imprimi o desenho escolhido e cortei no formato da base. Colei e plastifiquei com um adesivo largo e fiz acabamentos com uma fita menor. Medi papel para base e imprimi arte. Depois, adesivei com contact. Coloquei velcro para facilitar o encaixe. Mas não deu muito certo. Pronto! Em seguida video da Alicinha brincando.

ondacapa

Alice e a Onda

Hoje fui visitar meus sogros na praia e aproveitei pra brincar com a alicinha. Ela adora a praia, é um barato. O mano também curte demais! Estava caminhando com ela na areia, sentindo o vento (estava bem forte) e fomos para a beira do mar. Eu estava de roupa ainda, mas a Alice estava tão animada que nem liguei. Estamos em uma praia que normalmente tem o mar ultra calmo mas hoje, por causa do vento forte, estava com algumas ondinhas quebrando na areia. Ficamos um tempinho brincando com essas ondas, e eu já aproveitei para fazer algo que eu curto muito, que é inserir oportunidades de estimulação de maneira natural e lúdica na rotina dela. Então comecei a conversar com ela sobre as ondas:

– Você viu a onda, filha?
– Olha que onda grande!
– Lá vem a onda!

E ela ria, curtindo muito a brincadeira e o momento. Pulava, corria, fugia… e então eu falei:

– Olha que a onda vai te pegar!

E foi só eu falar isso para ela ficar com medo, um medo que até então não tinha criado. A brincadeira perdeu a graça e a onda tornou-se algo que ela temia. Percebem como o uso das palavras tem impacto em como nós observamos e interagimos com o mundo ao nosso redor? Tive que ter bastante jogo de cintura, e conversar com a pequena para ela voltar a ficar mais a vontade no mar.

É o início de janeiro me relembrando aquilo que eu noto com mais atenção desde que a Alice nasceu: as palavras tem muito poder. Então bora para mais um ano usando as palavras para o bem e ajudando a trazer luz para termos e expressões que limitam e ofendem. Que nesse ano eu possa ter a oportunidade de aprender ainda mais, respeitando o local de fala de auto-defensores e quem está nessa luta há muito mais anos que eu.

Na foto #paracegover: Alicinha com os cabelos bagunçados ao vento, de costas, brincando com areia na praia. Ao fundo, ondas pequenas quebram na praia.

onda

capayt

Estimular é um barato » Tapete para colorir!

Minha tia deu de dia das crianças para os pequenos um tapete grande para colorir. Como vi que eles curtiram, decidi fazer alguns caseiros também. Eu gosto dessa brincadeira pois é baratinha, acessível, e deixa as crianças mais soltas do que ficar sentadinho em uma cadeira desenhando em um papel pequeno. Nada contra, mas é bom também variar, alternar com novas experiências. Assim eles podem levantar, agachar, rolar pelo chão, engatinhar, deixando o momento bem rico em termos de oportunidade de movimento físico. Para fazer o tapete, separei folhas em A4, imprimi em cada uma delas o pedaço de uma ilustração grande, e depois colei o verso com fita adesiva, bem tranquilo. Se tiver algo escrito no desenho, procure não deixar na divisão entre as folhas, para não desencontrar o texto. Espero que gostem do video, mostra bem a realidade aqui em casa, hehe. Tem criança brigando, rolando no chão, rasgando o papel… normal 😀 Vale comentar que o vídeo é um pouco antigo, de alguns meses atrás.

#paracegover: Ilustração dos meus dois pequenos, ilustração minha desenhando e a marca do método MultiGestos.

Conferência Abrapraxia 2016

Tive a oportunidade de participar da conferência Abrapraxia 2016, organizada com muito carinho e dedicação pelas fundadoras da associação. As idealizadoras do método MultiGestos, as fonoaudiólogas Cinthia e Letícia de Belo Horizonte, foram convidadas para palestrar no evento, e me chamaram para participar da apresentação delas. Obrigada pelo carinho, meninas! Adorei finalmente conhecê-las pessoalmente!

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O tempo era bem curtinho, mas procurei falar super rapidinho sobre o blog nossa vida com Alice, sobre ser mãe de uma menina com SD e apraxia, sobre a importância do design no campo da fonoaudiologia e sobre como é válida a multidisciplinaridade no tratamento da apraxia, incluindo nessa equipe plural o papel importante dos pais, através de respeito e empoderamento.

#paracegover: Eu - em desesnho - dentro de um balão em formato de lâmpada, falando oi.
#paracegover: Eu – em desenho – dentro de um balão em formato de lâmpada, falando oi.

Pedi para a Fabiana se eu poderia disponibilizar minha apresentação aqui, e ela gentilmente permitiu, então segue um resumo em forma de texto do que eu falei por lá.

#paracegover: Foto da Alice e foto do antônio. A Alice está de óculos e o Antônio segura uma bola.
#paracegover: Foto da Alice e foto do Antônio. A Alice está de óculos e o Antônio segura uma bola. Ilustrações decoram a composição.

Olá, me chamo Carol, moro em Florianópolis, sou designer gráfica. Também sou mãe da Alice que tem 4 anos, uma garotinha muito querida e esperta, que nasceu com síndrome de Down e Apraxia. Sou também mãe do Antônio, que tem quase dois anos e fala pelos cotovelos.😅

#paracegover: Ilustração dos meus dois pequenos, ilustração minha desenhando e a marca do método MultiGestos.
#paracegover: Ilustração dos meus dois pequenos, ilustração minha desenhando e a marca do método MultiGestos.

Quando a Cinthia e a Letícia me chamaram para participar da palestra delas, eu fiquei um pouco apreensiva, pensando no que eu poderia somar na vida de tantos profissionais competentes e pais dedicados que sabem tanto sobre o tema? Então eu achei que a minha melhor e mais sincera maneira de colaborar, seria falar sobre o eu tenho propriedade, que é ser mãe de uma criança com síndrome de Down e apraxia, sobre minha formação profissional, e como a junção destas duas coisas acabou me levando a colaborar com o MultiGestos.

#paracegover: Fotos da Alice em diversos momentos de sua vida, dentro de balões coloridos de fala. Na tela, a frase: Alice + Apraxia
#paracegover: Fotos da Alice em diversos momentos de sua vida, dentro de balões coloridos de fala. Na tela, a frase: Alice + Apraxia

A Alice foi diagnosticada com síndrome de Down logo após o parto. Já o diagnóstico da Apraxia só ocorreu formalmente no início desse ano. Conforme o tempo foi passando, o seu desenvolvimento de fala foi se diferenciando de outros coleguinhas com síndrome de Down sem apraxia. Mesmo sendo leiga eu notava que tinha alguma coisa ali que não estava se encaixando tão bem. A Christiane Aquino, mãe do Vito que também tem apraxia, e uma das criadoras do Movimento Down, sempre foi muito ativa na conscientização sobre Apraxia aqui no Brasil, principalmente dentro da comunidade de síndrome de Down, inclusive sou muito grata a ela por isso. Além disso nos grupos americanos que eu participo falavam as vezes sobre o tema, e eu fui percebendo que muito do que se descrevia ali se alinhava com determinadas características que eu via na minha filha. No início deste ano fomos em uma profissional que está estudando apraxia e em poucas sessões ela já confirmou o diagnóstico, que engloba, entre outras questões, apraxia.

#paracegover: Imagem de um laptop com a ilustração do topo do blog (com Alice e Antônio) dentro.
#paracegover: Imagem de um laptop com a ilustração do topo do blog (com Alice e Antônio) dentro. Ilustrações abstratas e nuvens decoram a composição.

Assim que a Alice nasceu eu comecei um blog contando sobre nosso dia a dia. Nele, eu falo sobre as alegrias e os desafios de ser mãe de uma criança com deficiência, sobre nosso dia a dia, também tenho uma série, que tenho um carinho especial, onde dou sugestões de como estimular nossos filhos com coisas baratas e acessíveis do nosso dia a dia. Com isso eu queria incentivar outras famílias a fazer o mesmo, pois eu acredito muito no potencial e no papel dos PAIS no desenvolvimento de seus filhos.

#paracegover: Foto com um livrinho impresso e imagem de um livrinho digital no YouTube.
#paracegover: Foto com um livrinho impresso e imagem de um livrinho digital no YouTube.

Quando a Alice tinha dois anos passei a fazer livrinhos para ela, caseiros mesmo, sem muita elaboração. No entanto, um tempo depois, assim que o Antônio nasceu, vi o meu tempo drasticamente reduzido e comecei a pensar em como manter esse hábito, mas de uma maneira mais prática. Foi quando pensei em fazer os livrinhos em formato de vídeo, e colocar no youtube para vermos na televisão. E então notei algo muito interessante: minha Alice amava os vídeos, interagia, tentava acompanhar as letras – ao seu modo claro – e parecia concentrar-se mais neles do nos livrinhos impressos.

#paracegover: Capa de um video ensinando quantidade, usando o método Doman. E capa do vídeo sobre a cor Roxa. Na tela, os dizeres: Vídeos sobre quantidade, Vídeos sobre cores.
#paracegover: Capa de um video ensinando quantidade, usando o método Doman. E capa do vídeo sobre a cor Roxa. Na tela, os dizeres: Vídeos sobre quantidade, Vídeos sobre cores.

Em seguida criei alguns vídeos tentando ensinar noções de quantidade para ela, com base no método Doman, já com trilhas compostas próprias, mas que não agradaram tanto a ela. Faz parte, algumas coisas acertamos, outras erramos. E nisso vamos aprendendo o que funciona para seu filho, quais as suas preferências e potencialidades. Também foi válido pois fui aprendendo a mexer melhor nos programas de animação e de criação de músicas.

Depois tive a ideia de criar uma série só sobre cores. Os videos que eu via na internet eram muito rápidos, com muita informação, ensinavam todas as cores ao mesmo tempo, com personagens que não tinham apelo para a Alice. Então decidi criar videos com personagens que ela gostava, com um ritmo mais lento, com palavras grandes, contraste figura fundo, ou seja, um material mais acessível para ela. Minha voz não é boa, então eu tinha vergonha de divulgar muito os videos, mandava mais para amigos e nos grupos fechados que participava.

#paracegover: Foto da Cinthia, Letícia e eu, dentro de balões coloridos, com a montagem digital de vários balões de fala e pensamento coloridos.
#paracegover: Foto da Cinthia, Letícia e eu, dentro de balões coloridos, com a montagem digital de vários balões de fala e pensamento coloridos.

Em um destes grupos tinha a mãe de uma menina com síndrome de Down que me falou: puxa vida, nossa fono está usando uns gestos tão legais pra ajudar na fala na terapia da minha filha… você não animaria em colocá-los nos seus videos também? Eu já conhecia e conversava com a Cinthia, mas nada muito profundo, mas depois que essa mãe nos colocou em contato passamos a trocar muitas ideias, é até uma bagunça quando nós três nos juntamos, começamos a ter muitas ideias, criar muitas coisas e não damos conta de colocar tudo em prática.

#paracegover: Rascunho de um smile pro método MultiGestos.
#paracegover: Rascunho de um smile pro método MultiGestos.

Então a gente começou a discutir em como inserir as pistas que ela já estava usando há um tempo no consultório nos vídeos que eu estava fazendo. E foi muito legal essa parceria, nós fomos trocando ideias e eu notava que o material estava ficando cada vez mais legal. A cada vídeo que eu ia fazendo ela me dava novos toques, tudo de uma maneira respeitosa e doce, nunca fez com que eu me sentisse mal ou inadequada por ser leiga na área. Ela sugeriu para que eu colocasse minha boca em tela cheia, depois para que eu falasse mais devagar, depois para eu falar mais devagar ainda 😅 … para eu usar letra bastão. Enfim, percebemos logo de início que trabalhávamos bem juntas e tínhamos algo muito importante em comum, que era a vontade de ajudar outras famílias, e bolar coisas que fossem acessíveis e divertidas para o dia a dia.

#paracegover: Opções de marcas para o método MultiGestos.
#paracegover: Opções de marcas para o método MultiGestos.

Passamos a trocar figurinhas com frequência e ela contou para mim que estava querendo estruturar esta metodologia que ela já estava aplicando há algum tempo no consultório com seus meninos, que estava bolando tudo isso com muita seriedade, com uma colega e amiga fonoaudióloga que ela confiava e gostava muito, a Letícia.

#paracegover: making of da criação dos smiles para o MultiCartas, produto do MultiGestos. No slide está escrito o texto
#paracegover: making of da criação dos smiles para o MultiCartas, produto do MultiGestos. No slide está escrito o texto “Design + Fonoaudiologia”

Eu fico muito feliz em poder contribuir com o meu background em design gráfico, unindo essas duas competências, que acho que se intercalam tão bem! Muitos aqui são fonoaudiólogos, vocês sabem no dia a dia como o acabamento, o apelo visual, a estética, o material, tem impacto no sucesso da terapia. Se aquela criança que já tem um pouco mais de dificuldade em se concentrar, não consegue manusear bem uma carta, ela já joga longe… Se um vídeo é muito rápido, ela desconcentra, se as cores não tem contraste e apelo para o mundo infantil, a criança não se atrai… Essa coerência visual quando é compartilhada por todas as pessoas que estão trabalhando para a ajudar a criança também é um recurso interessante, no sentido de proporcionar repetição, coesão. É muito legal saber que você pode somar numa causa tão importante através da sua vocação.

#paracegover: Balão de fala em formato de quebra cabeça, onde cada parte significa um elemento importante na vida da criança: psicopedagogos, fonoaudiólogos, escola e pais. (assim como tantos outros profissionais!) Na frase, está escrito: Coesão e Empoderamento.
#paracegover: Balão de fala em formato de quebra cabeça, onde cada parte significa um elemento importante na vida da criança: psicopedagogos, fonoaudiólogos, escola e pais. (assim como tantos outros profissionais!) Na frase, está escrito: Coesão e Empoderamento.

Acho que uma boa conclusão de toda essa história, é mostrar como coisas legais acontecem quando as pessoas se respeitam e trabalham em conjunto: fonoaudiólogos, psicopedagogos, escola… e pais também, porque não? Muito do que eu contribuo para o método, foge da minha experiência como designer e entra na minha experiência como mãe. Claro que devemos entender e respeitar seu papel e o do outro, mas sem medo de pensar em conjunto. As melhores equipes são as multidisciplinares. Hoje vejo uma Letícia, por exemplo, com um olhar super apurado para design gráfico e de produto! Analisando e escolhendo materiais super bem. A Cinthia já prestando mais atenção em detalhes como cores, fontes, etc.

Boas ideias surgem em equipes multidisciplinares cujo principal objetivo é o bem da criança. Eu noto que muitas vezes os pais tem insegurança em dar continuidade em casa ao trabalho iniciado no consultório, e uma boa forma desconstruir isso é com incentivo, informação e empoderamento, três coisas que encontros como este tem de sobra. Por isso, obrigada mais uma vez pela oportunidade de fazer parte dele. Obrigada!

Links úteis:
Facebook da Abrapraxia.
Facebook do MultiGestos.

Na imagem #paracegover: Chapéu de caranguejo pronto.

Caranguejo peixe é

As professoras do Antônio estavam trabalhando ritmos, musicas, sons, com os aluninhos, e bolaram uma atividade onde os pais e as crianças deveriam participar na criação de uma caixa musical.

Na imagem #paracegover: Caixa forrada de papel craft, decorada com notas musicais pretas. Na tampa está escrito "Caixa Musical".

Na imagem #paracegover: Caixa forrada de papel craft, decorada com notas musicais pretas. Na tampa está escrito “Caixa Musical”.

Deveríamos escolher uma música e criar alguma brincadeira, algum objeto, que a criança pudesse interagir durante a canção. Para exemplificar a tarefa, elas já mandaram na caixa uma aranha que a criança poderia colocar no dedinho enquanto cantava a música da dona aranha e um pintinho feito de pompom para a música do pintinho amarelinho.
Na imagem #paracegover: Caixa musical aberta, com um pintinho amarelinho, um balão vermelho com um gatinho desenhado, uma aranha de eva brilhante e o chapéu de caranguejo que eu fiz pro Toni.

Na imagem #paracegover: Caixa musical aberta, com um pintinho amarelinho, um balão vermelho com um gatinho desenhado, uma aranha de eva brilhante e o chapéu de caranguejo que eu fiz pro Toni.

Eu não tive dúvida em qual música escolher para o Antônio, o pequeno é fã da cantiga do caranguejo. Fiquei pensando o que a gente poderia brincar… imaginei de repente um caranguejo que virasse um peixe, mas a ideia não foi muito adiante. Procurei na internet por caranguejo e ensino infantil e achei essa sugestão de chapéu. Achei muito divertido, o Antônio e a Alice iam curtir com certeza.
Na imagem #paracegover: Coisinhas que fui encontrando pela casa para montar o "chapéu": Bolinhas de isopor, canetinhas, esse arame peluciado, acho que chama-se limpa cachimbo.

Na imagem #paracegover: Coisinhas que fui encontrando pela casa para montar o “chapéu”: Bolinhas de isopor, canetinhas, esse arame peluciado, acho que chama-se limpa cachimbo.

Eu- que adoro um reaproveitamento – fui me virando com restos de materiais que tinha em casa mesmo: um eva vermelho, um limpa cachimbo colorido, velcro e canetinha. Fiz uma faixa de velcro bem grande, pois depois a caixa ia passear pela casa dos coleguinhas, então o chapeuzinho deveria caber em diferentes tamanhos de cabeça. Se eu não tivesse encontrado eva teria feito com cartolina vermelha, ou pintado um papel de vermelho… mas acho que o Eva é a opção mais confortável e duradoura.
Na imagem #paracegover: Chapéu de caranguejo pronto.

Na imagem #paracegover: Chapéu de caranguejo pronto.

Na imagem #paracegover: montagem com quatro fotos do Antônio tirando o chapéu, com carinha de "não sou obrigado", rs. Durou 5 segundos na cabeça dele. :)

Na imagem #paracegover: montagem com quatro fotos do Antônio tirando o chapéu, com carinha de “não sou obrigado”, rs. Durou 5 segundos na cabeça dele. 🙂

Para nosso azar o Antônio não estava se sentindo bem no dia, então nem curtiu a brincadeira. Já a Alice adorou, riu a beça, e logo foi pro espelho se admirar. Então fica a ideia de uma atividade divertida, baratinha e rápida de ser feita, para brincar com as crianças. Para atrelar à um movimento, de repente brincar de imitar as garras do caranguejo, ou andar para os lados.
Na imagem #paracegover: Folha com a letra da música dividida com ilustrações correspondentes. Na palavra palma aparece o desenho de uma palma, na palavra pé aparece um pé e assim por diante.

Na imagem #paracegover: Folha com a letra da música dividida com ilustrações correspondentes. Na palavra palma aparece o desenho de uma palma, na palavra pé aparece um pé e assim por diante.

Na imagem #paracegover: Alice com o chapéu de caranguejo, na frente do espelho, com cara de curiosidade, se admirando.

Na imagem #paracegover: Alice com o chapéu de caranguejo, na frente do espelho, com cara de curiosidade, se admirando.

A música com as palavras e desenhos correspondentes, tem para baixar aqui. 🙂

🦀 E fiz uma espécie de passo a passo no vídeo abaixo 🦀

marcacapa

Mudando a Narrativa

No início do ano tive a alegria em colaborar em dois projetos muito muito legais: o Mudando a Narrativa e o MultiGestos, idealizados por pessoas muito especiais. Aproveito o momento para agradecer o convite e a confiança. 😀

O Mudando a Narrativa foca na contação de histórias com recursos de acolhimento e acessibilidade, produção de elementos multisensoriais para experimentação e apreensão de conceitos estruturantes do conto/história e na criação de materiais de apoio para compreensão da história e da estrutura do texto narrativo, ilustração e sistema de escrita alfabética, em braile e em libras.

Marca criada para o projeto Mudando a Narrativa, um livro virando a página, revelando uma nova página colorida, com diversos elementos lúdicos.

Marca criada para o projeto Mudando a Narrativa, um livro virando a página, revelando uma nova página colorida, com diversos elementos lúdicos.

Desenvolvi uma série de materiais focando na acessibilidade de ENTRADA de informação para o projeto. Mas lá pelas tantas eu pensei, puxa vida, podemos também trabalhar na acessibilidade de SAÍDA de informação! Logo lembrei das crianças com sd ou apraxia, e em como ajudá-las a contar as histórias. Foi quando eu tive o estalo: e se eu unisse os dois projetos? Utilizar as ilustrações que desenvolvi para o Mudando a Narrativa e combinar com as pistas do método MultiGestos? Sugeri para as autoras de ambos os projetos, e elas permitiram! Viva!

Então aos poucos irei produzir vídeos com esse enfoque, como este abaixo, da bruxa! No canal do Nossa Vida com Alice já coloquei outros, corre lá para espiar. 🎬

https://www.youtube.com/c/nossavidacomalice

#paracegover: Video da minha boca, com batom colorido, falando a palavra Bruxa. Em seguida surge, de maneira animada, a palavra Bruxa, escrita em preto sob fundo branco. Depois surge a ilustração de uma bruxa. Em seguida, novamente aparece um video da minha boca falando a palavra, dessa vez com o auxílio das pistas do método MultiGestos. Para finalizar, uma tela parabenizando a criança, com a ilustração da bruxa novamente.

Vlog dos manos <3

No domingo passado eu estava muito cansada, e preferi ficar arrumando a casa enquanto o Thomas passeava com as crianças nos avós. (Sim, faxinar a casa cansa BEM menos que cuidar desses dois pequenos, hehe). 🎬 E olha que video maneiro que ele fez do passeio com as crianças!? Com a edição certa e com uma trilha sonora da hora fica até parecendo ser moleza correr atrás desses dois o dia todo, rs. Mas na vida real, sem edição e sem música fofa, o bicho pega! O filme é do papai Thomas e a trilha sonora (composta especialmente para esse video 😯) é do dindo Robson.🎼 Amei! Será uma recordação e tanto para o futuro. Destaque especial para a sapequice do Toni e para o carinho da Alice. Meus fofos. 💛 Obrigada por acompanharem nossa história.

👉 Inscrevam-se no YouTube da Alice para acompanhar mais vídeos assim 🙂 https://www.youtube.com/c/nossavidacomalice ⭐️

#paracegover: Alice e Antônio correm e brincam pelo quintal da vovó. O dia está nublado. Alice beija e abraça o Antônio. A vovó pega os dois no colo e dá um abraço apertado. No início e no final do filme aparece bem grande a palavra “Manos”.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Aprendendo o nome

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

Na imagem #paracegover: Um papelão rígido e plastificado apoiado em uma bancada de madeira, com alguns brinquedos. No papelão o nome da Alice adesivado, e abaixo dele um pedaço de velcro com o nome da alice em letras móveis fixadas.

A psicopedagoga da Alicinha, a querida Deisi, pediu para que eu elaborasse um material para elas trabalharem o pareamento das letrinhas do nome da Alice. Ela explicou mais ou menos como queria, e eu produzi o material que mostro abaixo no vídeo, e explico um pouco melhor em seguida nesse post. 😉

Quem acompanha o blog há um tempo já deve ter notado que eu gosto de ir me virando com as coisas que eu tenho em casa mesmo. Então como eu não tinha uma prancha com a rigidez que eu precisava, reuni várias folhas mais espessas e as fixei com fita adesiva larga. Para não ficar somente um material simples, sem nenhum atrativo, pensei em colocar um enunciado, com o desenho que fiz da Alice e do Antônio. Este trecho, e a parte da referência das letras, foram fixadas em adesivo sob adesivo, o que me permitiria movê-los para a segunda etapa de uso do material ou até mesmo no reaproveitamento desta mesma base para outra atividade. (Na segunda etapa a Deisi explicou que retiraríamos a referência do nome de cima do espaço do velcro, e colocaríamos em uma outra prancha, para irmos progressivamente desafiando a criança. No vídeo, em uma das fotos, dá para ver esse momento. Acredito que em uma terceira etapa, seriam retiradas todas as referências, e a criança montaria o nome sozinha, sem pareamento).

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Na imagem #paracegover: Alice com a psicopedagoga, posicionando as plaquinhas com as letras na base com velcro.

Para ajudar no pareamento, pensei em velcro, que é um material bem prático e eu já tinha disponível aqui em casa. Esta parte que ficaria mais exposta usei o lado macio do velcro, pois a minha pequena tem transtorno de integração sensorial, e é louquinha pela parte áspera do velcro. Em fases onde ela está muito muito muito desorganizada sensorialmente, chega a passar os dedinhos nesse lado áspero até quase sangrar. 😟

As palavras e os enunciados foram impressos em papel sulfite normal. O nome de referência adesivei diretamente na prancha, e as letras móveis adesivei em retângulos rígidos que criei no mesmo estilo da base grande (grudando diversos papeis espessos até chegar na gramatura que eu queria). Coloquei duas fitas de velcro no verso deste retângulo, para facilitar o posicionamento destes, com ajuda de uma cola quente. Para a segunda etapa, reposicionei o enunciado para ficar mais próximo do velcro, e colei o nome de referência em uma segunda prancha, que fiz com restinhos de papelão que eu tinha aqui em casa.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Na imagem #paracegover: Alicinha pegando a plaquinha da letra i da mão da Deisi.

Espero que o post seja útil 🙂 Se tiverem alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários que posso respondê-las ou encaminhá-las para a psicopedagoga da Alice. Um abraço!

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

A armadilha da comparação

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

Na imagem #paracegover: Alice e Antônio brincando em um balanço, sorrindo.

E então seu primeiro filho nasce com deficiência. Uma deficiência moderada porém complexa, que afeta seu crescimento, sua evolução motora, seu desenvolvimento cognitivo. Como pais de primeira viagem, ainda inexperientes, esse mundo que pode parecer diferente para a maioria dos pais, para nós tornou-se comum, nosso referencial. Para nós, o normal era ter um bebê fazendo fisioterapia, correr atrás de ganho de peso, batalhar pelos marcos do desenvolvimento.

Mas aí veio o Antônio, que tem um desenvolvimento típico. Ganha peso fácil, mama direitinho e cresce feito mato, rs. Quando vejo, está rolando. Coloco um dia sentado, por curiosidade, e ele fica sentadinho. Por mais que eu esteja satisfeita, claro, com o bom desenvolvimento dele, a realidade é que não estou acostumada com as coisas acontecendo assim de “graça”, de forma tão natural. Inevitavelmente, comparações entre essas situações passam na minha cabeça.

Mãe que sou, esse ser cheio de culpas, logo passei a me sentir inadequada por ficar fazendo tantas comparações. Afinal, cada filho é único com sua história a ser escrita, com suas características. O Antônio não merece ser moldado a partir de comparações com sua irmã, e a Alice não merece ser reduzida a um paragono de seu irmão mais novo. Por outro lado, percebo que comparações são inevitáveis. É impossível não perceber disparidades entre um filho e o outro, e isso, a meu ver, extrapola a questão deficiência. Pessoas são diferentes, ponto.

Mas se por um lado comparações são inevitáveis e podem ser inofensivas, toda essa reflexão me fez chegar a duas conclusões. A primeira é que mesmo que eu note as diferenças entre um e outro, devo ter sensibilidade e bom senso e evitar compará-los em voz alta. Crianças são super antenadas e ouvem tudo, mesmo quando parecem estar distraídas brincando. A segunda conclusão é que estas diferenças não devem servir como juízo de valor. O fato de alguém ser assim ou assado, precisar de mais ou menos tempo/ajuda para se desenvolver não o torna melhor ou pior. O torna… diferente.

E não somos todos diferentes? 🙂