2 meses de Alice!

Hoje a bebê-pig completa 2 meses, eba! Dizem que um filho muda completamente a vida de uma pessoa, e isso é verdade. Ultimamente tenho refletido… não sei se ela virou minha vida de cabeça pra baixo, ou se eu estava de cabeça pra baixo e ela virou minha vida de cabeça pra cima. Uma coisa é certa: amo muito minha pequeninha!

Sanduiche de Alicinha! Eba!

Pegando um bronze com o papai! Papai, que cara de sono é essa? Por um acaso foi porque eu fiz você virar a noite? hihihi

Respondendo emails com o papai.

Oi!

No meu spot preferido do mundo todo: colinho do daddy.

Indo almoçar no Cacupé, iupi!

Gazeando a aula de fono na APAE. Desse jeito vou pegar recuperação, hehe.

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Time Lapse

Eu sempre gostei muito de stop motion e time lapses: ver videos de flores desabrochando em segundos, o dia passando em alguns minutos, ilustrações complexas sendo desenhadas rapidamente. etc. Um tempo atrás eu vi e adorei o video engraçado que um casal fez na gravidez, e assim que soube que estava esperando a Alice (já com quase dois meses de gravidez) decidi fazer um time lapse da minha barriga também. Nada muito elaborado, tirei as fotos com a câmera do computador mesmo, sem me preocupar muito em ficar na mesma posição e cada dia com uma luz diferente.

No começo foi tudo tranquilo, era verão, eu não tinha uma barrigona ainda, eu pulava da cama, colocava meu bikini branco (que quase desintegrou de tanto ser usado/lavado/usado/lavado) e ia lá fazer as fotos feliz da vida. Mas então a pança chegou (e com ela o inverno) e eu amaldiçoei o dia em que eu decidi começar esse projeto. Mas eu sou osso duro de roer capricorniana persistente e não ia desistir tão facilmente. Afinal, estava ficando tão legal!

Mas então chegou o dia 29 de agosto. Naquela tarde fizemos um ultrassom e descobrimos que Alice estava iniciando um processo de sofrimento fetal na minha barriga. Ela havia parado de se desenvolver pois não estava mais recebendo tantos nutrientes e oxigênio. E eu me senti muito culpada por tudo isso, por não ter percebido que ela tinha começado a se mexer menos e que minha barriga tinha parado de crescer tanto. E por causa desses sentimentos confusos eu fiquei com uma trava, e não consegui olhar para as fotos do time lapse durante um bom tempo.

Mas com o tempo eu fui me acalmando, esquecendo das coisas ruins, e celebrando o fato de ter tido uma gravidez tão boa e calma, e da Alice estar aqui comigo linda e saudável. Aliás, já estou com saudades da minha barrigona! Logo logo me animo novamente e encomendo um irmãozinho(a) pra Alice. Enfim, com o coração mais calmo, comecei a organizar as fotos e montar o video do time lapse da barriga. Está ficando bem legal! Falta só eu terminar de editar alguns detalhes e decidir a trilha sonora. Em breve coloco o resultado final aqui.

E para encerrar um teaser do time lapse 🙂

Olhos amendoados.

“Admire me, admire my home
Admire my son, he’s my clone”
Do The Evolution
Pearl Jam

Eu e meu marido somos fisicamente bem diferentes. Eu sou bem baixinha e morena, e ele bem alto e branquelo. Por isso, quando eu estava grávida, me divertia muito imaginando como seria nossa pequena, pois ela poderia ser loira, morena, alta, baixinha, magrinha, fofinha… E não éramos somente nós os curiosos: no chá de bebê da Alice fizemos brincadeiras em que os convidados chutavam que traços ela puxaria do papai e da mamãe e desenhavam a Alice. E foi o maior sucesso! Com quem ela se pareceria? Herdaria a boca de quem? Teria os olhos claros do papai? A coxa grossa da vovó Soninha? E eu ria e falava: pode vir de qualquer jeito, mas tomara que não herde o meu pé!

Mas logo que tivemos a notícia que a Alice tinha SD, toda essa fantasia terminou em um piscar de olhos. Assim que recebemos alta do hospital e chegamos em casa comecei a pesquisar mais sobre a síndrome. Fui na pesquisa de imagens do google e comecei a olhar as fotos… E então um pensamento sombrio apareceu em minha cabeça: minha filha não vai parecer comigo. Ela não vai parecer com ninguém, vai ter o mesmo rosto que todos as pessoas com síndrome de down tem. E então fiquei triste por ela, afinal todos nós temos direito a ter um rosto único, assim como temos direito a um nome, a uma identidade… Que injustiça ela ser desprovida dessa individualidade.

Mas com o passar dos dias comecei a ler blogs de outras mães com filhos especiais. E acompanhar sites, ler matérias e assistir reportagens. E quanto mais eu pesquisava, mais eu notava que eles são sim diferentes. E que essa ideia de que são todos iguais era um preconceito meu, reflexo do descaso e distância que a sociedade toma dos deficientes. Será que nós olhamos direito para pessoas com deficiência? Ou vemos uma cadeira de rodas antes de ver um tetraplégico? Vemos uma síndrome antes de ver uma criança? Vemos uma bengala antes de ver um cego?

A Alice parece sim comigo (e um pouquinho com o pai dela, vai…). E graças a Deus não puxou meu pé. 🙂

E agora, quanto mais eu reflito sobre tudo isso, chego a conclusão que mesmo se ela não se parecesse comigo e com o pai dela, que problema teria? Será que nossos filhos só merecem nosso amor se fossem nossa cópia? Se forem nossa versão 2.0, pequenos projetos de nós mesmos, revisados e melhorados? Ei, estamos criando filhos ou clones? Ao querer que eles pareçam a todo custo conosco, tenham nosso jeito, trabalhem na mesma profissão que a nossa, gostem das mesmas bandas que a gente, estamos tirando deles aquilo que eu estava tão aflita que a alice não teria: sua individualidade.

E termino com um mosaico de imagens que mostram como as crianças com síndrome de down tem olhos amendoados sim, mas também covinhas, sardinhas… e – no caso da Alice – o narizinho mais lindo do mundo. (Fotos retiradas do facebook do Movimento Down, com exceção da Alice na imagem central).

APAE

Update: A Alice não frequenta mais a APAE, desde março de 2013. Frequentou durante 4 meses e meio, adoramos e fizemos boas amizades lá. Somos gratos pela acolhida e pelo carinho que nos atenderam a receberam. Farei um post explicando minha decisão, e quando for ao ar coloco o link aqui e divulgo na nossa página do facebook. 🙂

Semana passada foi a primeira semana da Alice na APAE. “-Mas já, Carol?”. Sim pois é. Claro que eu preferia que minha filha ficasse em casa só preocupando-se em mamar e dormir (e sujar fraldas), mas é justamente nesses primeiros anos de vida que a estimulação rende mais resultados, então não podemos dormir no ponto.

A APAE é demais. Engraçado como temos preconceitos enraizados, né? Eu tinha uma imagem que lá seria um lugar estranho, não sei explicar… Mas encontrei um lugar alegre, bonito, com profissionais competentes e apaixonados pelo o que fazem. Na APAE eles oferecem acompanhamento pedagógico, possuem psicólogos, terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia. E eu fico com ela o tempo todo (afinal de contas ela é um bebê) recebendo orientações dos profissionais.

Crianças com Síndrome de Down fazem de tudo: irão falar, sentar, andar, correr, brincar e pular. A estimulação entra em cena basicamente para estimulá-los a fazer tudo isso um pouquinho mais rápido, de modo que eles acompanhem – na medida do possível e respeitando a realidade de cada indivíduo – os coleguinhas da mesma idade.

Antigamente fundações de apoio aos individuos com necessidades especiais também ofereciam aulas da grade curricular, mas isso é passado. Hoje em dia eles estimulam os pais a inscreverem seus filhos em escolas normais, evitando assim a segregação e promovendo a inclusão. E os profissionais concordam: não existe estimulo maior que a inclusão. Na APAE podem ensinar a Alice a ir buscar um brinquedinho. No colégio, se ela demorar um segundo pra pegar o brinquedinho, o colega do lado já pegou, no maior estilo perdeu playboy. No dia seguinte a Alice já sabe que se não sair correndo pra pegar o brinquedinho, fica sem. Creche é tipo selva, hehe. (Isso me lembra que eu, mesmo sendo a menor da turminha, saia mordendo geral).

Em outros posts vou falar um pouco mais sobre as atividades da pequena por lá. Por enquanto fiquem com algumas fotinhos da nossa linda em sua primeira semana na escolinha.

Com a professora.

Fantasiada de fada madrinha para a festa de dia das crianças.

Alice e sua coleguinha Lucila, fantasiada de bailarina. Detalhe para a empolgação da Alice. Acorda, filha!

Festinha de dia das crianças.

“Deu de foto, mãe! Quero mamar!”

Cowrolina.

Conversando com meu obstetra, ele falou uma coisa que eu concordei completamente: a sociedade hoje em dia faz a mulher acreditar que o parto natural é uma coisa dificílima e a amamentação é algo fácil e intuitivo, quando na realidade o contrário se mostra muito mais verdadeiro. A amamentação para mim tem sido uma luta danada. Sinceramente, ela se tornou para mim um drama imensamente maior que a surpresa da Síndrome de Down neste primeiro mês.

A Alice nasceu super dorminhoca, curte uma soneca como ninguém, e fazê-la acordar para mamar se tornou uma saga. Já na maternidade começou a luta: Eu, 6 enfermeiras e uma especialista em lactação não conseguiram fazer a pequeninha mamar. Aliás, recomendo a todas as mães que estão encontrando dificuldade em amamentar chamar uma especialista em amamentação, a nossa nos ajudou muito. Segundo ela, a dificuldade da Alice era relacionada ao fato de ela ter nascido pequeninha, sem ter força para sugar, e não com a Síndrome de Down. “A Alice ainda não percebeu que saiu do útero” dizia ela.

Queria eu ser ignorante. Dessa forma, eu não saberia dos benefícios da amamentação, e desistiria logo, e minha vida teria sido bem mais fácil. Amamentar faz bem a todos os bebês, mas o que me impulsionava ainda mais a não desistir é saber como a estimulação dos músculos do rosto e a criação de defesas que o leite proporciona são benéficas para a Alice, sob a ótica da SD.

Mas 38 dias, 2 mastites e 230 tentativas depois (obrigada calculadora do mac!) consegui finalmente fazer a Alice mamar no peito. Para ser mais específica, ontem foi a primeira vez que a Alice mamou super bem, sem precisar de complemento do meu leite ordenhado na mamadeira. Pensa numa mãe feliz 🙂

E toda essa luta – e, mais importante, essa vitória – me fez refletir em como ela vai conseguir fazer tudo, basta a gente ter paciência, estimular, acreditar e respeitar o tempo dela. As conquistas serão mais suadas, mas também muito mais apreciadas e comemoradas. 🙂

Obs.: Por uma ironia do destino, eu sou uma vaca leiteira. Cowrolina. Congelo o excedente e semanalmente faço uma doação para a Carmela Dutra, maternidade aqui de Floripa, eles ficam super felizes.